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20/2/2007

A vida em câmera lenta

Por Emerson Alecrim

Dizem que a pressa é inimiga da perfeição. Eu concordo. Comer com pressa é ruim. Beber com pressa é ruim. Ler com pressa é ruim. Terminar um trabalho com pressa é ruim. Transar com pressa é ruim (especialmente às mulheres). Esse mundo é extremamente cheio de detalhes e somos incapazes de observar tudo, principalmente quando estamos com pressa. É por isso que algumas coisas merecem ser vistas em câmera lenta, para que tenhamos tempo de observar todos os detalhes e as riquezas envolvidas.

Você já viu como dançam as chamas de um palito de fósforo no ato em que se incendeia? Já observou como um morango cai tão graciosamente em um copo com leite? Já notou o show de efeitos especiais que acontece quando se estoura uma bolsa de água? Já reparou no bater de asas tão sofisticado de uma abelha? Já se espantou com os movimentos complexos e ao mesmo tempo belos de uma pessoa nadando profissionalmente?

Se você nunca viu nada disso, ao menos tem a chance de fazê-lo vendo os vídeos dessa página. Parece que estou fazendo propaganda desse site, mas não é isso. É que, ao ver os vídeos, por um momento quis que as melhores coisas da vida acontecessem assim, em câmera lenta, para podermos aproveitar tudo, sem deixar escapar nenhum detalhe. Mas, tudo tem o seu tempo, por mais relativo que isso seja.

Ao som de Leave’s Eyes - For Amelie.

18:31 | Interessante | 5 comentários


24/1/2007

Treinando para “abandonar o navio”

Por Emerson Alecrim

Ontem, na empresa em que trabalho, participei de uma simulação de evacuação do prédio. A idéia é fazer com que os funcionários saibam como agir em situações de emergência, especialmente quando há incêndio no local. Terminada a simulação, cheguei a três constatações interessantes:

1ª - Todos estavam absolutamente calmos e seguiram as orientações à risca porque sabiam que se tratava de um treinamento (ou de algo próximo disso). Porém, algumas pessoas que já presenciaram alguma situação de emergência - incluindo eu - garantem que, em ocasiões de desespero, a maioria sai correndo, sendo fiel unicamente à máxima “agora é cada um por si”. Somente as pessoas realmente treinadas e preparadas emocionalmente saberão como agir da maneira correta;

2ª - Todos tendem a correr para as saídas principais nos casos de emergências. O problema é que, se essas saídas estiverem bloqueadas de alguma forma, o pessoal fica mais perdido do que cego em tiroteio. Se as portas de emergência tiverem sentimentos, certamente se sentirão rejeitadas;

3ª - O alarme de incêndio realmente funciona (hehehe)! Mas, sabe-se lá o porquê, o sinal me lembrou das sirenes que avisam os peões de que o expediente começou…

Apesar dos pesares, me interessei pelo assunto, principalmente depois de ter ficado um bom tempo conversando com os bombeiros. Acredite, combater um incêndio é mais difícil do que parece. Isso até me deu a idéia de tentar fazer parte da brigada de incêndio da empresa. Ai daquele que disser que “vou aprender a pegar na mangueira”…

Ao som de Sonata Arctica - Replica.

0:09 | Interessante | 3 comentários


11/12/2006

Dica rápida aos amantes de poesia (e aos não amantes também)

Por Emerson Alecrim

Sei que muitos dos que lêem este blog são ávidos por leitura. Por causa disso, tomei a liberdade de sugerir-lhes o livro on-line “As Asas da Águia”, de Cárlisson Galdino (Bardo), cujo site visito freqüentemente.

O livro é uma coleção de poesias publicadas por Bardo ao longo do tempo em seu site. Para baixar a versão em PDF, clique aqui (é “de grátis”). Se preferir, acesse as poesias diretamente do site através deste link.

Leitura recomendada ;)

22:51 | Interessante | 2 comentários


24/11/2006

E agora, o que será que tem na garagem?

Por Emerson Alecrim

Imagine que, ao acordar, a primeira coisa que venha à sua mente é a pergunta título deste texto. Imaginou? Agora tente descobrir o que leva uma pessoa a ter essa dúvida quase todo dia, como se fosse um ritual. Huum… Talvez a garagem seja um depósito de algum ser de outra dimensão… Talvez a garagem seja a oficina de um carpinteiro que, todo dia, cria um objeto novo… Ou, talvez, o dono da garagem tenha múltiplas personalidades.

Esse assunto é capa da edição número 5 da Sapiens, uma revista da editora Abril que trata de Ciência, mas com conteúdo muito mais focado do que sua irmã mais velha, a revista Super Interessante. É uma publicação de qualidade, pena ter lançamentos esporádicos. A edição número 6, por exemplo, só deverá ser lançada em meados do ano que vem.

Pois bem, a pergunta do primeiro parágrafo é baseada em fatos reais e, entre outros casos, é mencionada na Sapiens. Trata-se de uma mulher britânica que, todo dia, ao abrir sua garagem, é obrigada a arrumar seu carro, pois sua outra personalidade alterou tudo no dia anterior: posição dos bancos, configuração dos espelhos, sintonia do rádio, etc. E o pior: certa vez, levou um susto ao abrir a garagem e ver que havia um Jaguar no lugar de seu carro popular.

A questão das múltiplas personalidades é intrigante, já que, dependendo do caso, pode ser entendida com um conjunto de pessoas com características diferentes que compartilham o mesmo corpo, cada qual assumindo o controle a cada momento, deixando as demais como meras espectadoras. Há casos, como o da mulher britânica, em que as personalidades não se conhecem, portanto, a pessoa não lembra o que seu outro eu fez anteriormente.

Essa doença, se é que pode ser chamada assim, ainda é cheia de mistérios, motivo pelo qual não se sabe, com exatidão, quais as causas. O que se sabe é que isso pode ser oriundo de uma falha de conexão entre as partes do cérebro: como cita a revista, o orgão intracraniano foi desenvolvido, ao longo dos anos, como uma casa aumentada conforme a necessidade, isto é, o cérebro não foi construído de uma só vez, teve suas “partes” criadas e encaixadas umas nas outras com o passar do tempo. Se uma dessas áreas tiver falhas de comunicação, várias conseqüências podem surgir, sendo uma delas o transtorno das múltiplas personalidades.

O que me chamou a atenção nesse assunto é o fato de que, todo mundo, inclusive você e eu, pode ter algum nível desse problema. Ah, você não, é? Pois bem, já lhe ocorreu de alguma vez você ter censurado algo que fez, sem razão aparente? Ou então de você ter executado alguma coisa de maneira tão automática, ao ponto de até ter se esquecido do feito? Ou, ainda, já passou por alguma situação em que se surpreendeu com você mesmo, seja de maneira positiva ou negativa?

Pois é, isso pode ser um tipo de múltiplas personalidades, mas não encare isso como um problema: embora ainda não haja nada certo, pesquisadores do tema dizem que isso pode ser uma proteção primitiva do cérebro desenvolvida para a mente humana ser capaz de lidar com grandes choques psicológicos. Entenda: enquanto um “eu” seu está, por exemplo, abalado, um outro assume o controle, como se fosse um piloto reserva, para garantir o funcionamento mínimo da máquina que é seu corpo, o que não significa que esse mecanismo só será acionado em momentos críticos, daí as surpresas. Essa questão só vira um problema quando o piloto reserva (ou os pilotos) acredita ser o principal. Aí, sua garagem pode se tornar palco de uma disputa entre você e você mesmo.

Ao som de Nemesis - Lucifer.

20:58 | Interessante | 4 comentários


29/10/2006

O que faz de um herói, eterno

Por Emerson Alecrim

Tudo começou com uma simples indicação numa comunidade do Orkut sobre o YouTube. O vídeo, com cerca de 8 minutos, fazia uma homenagem a todos os pilotos mortos em acidentes de Fórmula 1. O último falecido me fez lembrar do penúltimo, o austríaco Roland Ratzenberger, já que o intervalo entre as duas mortes foi de apenas um dia. Você certamente percebeu que estou falando de Ayrton Senna da Silva.

Com pouco esforço, consegui encontrar no YouTube três vídeos seqüenciais (1, 2 e 3) que mostram a narração feita por Galvão Bueno, na Rede Globo, no dia do fatídico acidente. Então, como um pano tirando a poeira sobre a mesa, minha mente foi revelando, progressivamente, o que me ocorreu naquele dia…

Eu estava assistindo a corrida. Lembro perfeitamente de não ter ficado apreensivo no momento da batida, pois acreditava que não havia ocorrido nada de grave. Instantes depois, quando percebi que Senna estava inconsciente, me deu um “gelo” no corpo todo. Mentalmente dizia “levanta a cabeça”, “sai do carro”, “abre a viseira”. De repente, Senna fez um leve movimento com a cabeça e, ao contrário do Galvão Bueno, que expressou acreditar que isso significava um estado de consciência, percebi, não sei como, que aquele gesto não indicava boa coisa. Era como se ele tivesse sentindo tanta dor que, mesmo desacordado, o corpo tentava reagir.

Nos minutos seguintes afundei no sofá. O atendimento era demorado, a angústia era cada vez maior. Em um dado momento, moveram o corpo de Senna, o que permitiu à câmera mostrar uma poça de sangue. Aí me dei conta do silêncio que tomou não só minha casa, mas toda a vizinhança que, até alguns minutos atrás, fazia os ruídos típicos de um dia de domingo.

Após a corrida, todo mundo ficou grudado na TV à espera de notícias. A primeira nota dizia que o estado de Senna era de absoluta gravidade. Se me lembro bem, a notícia seguinte falou de morte cerebral. A terceira anunciou o falecimento de Ayrton, momento no qual senti um gosto amargo na garganta.

Lembro depois da chegada do corpo de Senna ao Brasil e do cortejo feito por um caminhão dos bombeiros. O mundo via pela tela das TVs a dor dos brasileiros e chorava junto com a gente. As ruas por onde o caixão passava estavam incrivelmente lotadas, até os policiais e os bombeiros não conseguiam esconder a comoção.

No ano de 1993, no GP do Brasil, Senna ganhou de uma forma até hoje inigualável. Venceu brilhantemente a corrida e fez a torcida invadir o autódromo de Interlagos. Tem cena melhor do que ver Ayrton ali, no meio do povo, erguendo as mãos pela vitória? Ou ver Senna, instantes depois, sentado na janela do Safety Car acenando para tudo e para todos?

Nos comentários dos vídeos que vi no YouTube, muitos estrangeiros expressavam o quanto gostavam de Ayrton. Os japoneses, por exemplo, fazem homenagens a Senna até hoje e, tenho certeza, sofreram tanto quanto nós com sua perda. Outro exemplo é o de uma revista italiana que, em uma enquete recente, apontou Senna como o melhor piloto de todos os tempos.

Ayrton Senna da Silva mostrou, como poucos, que apesar do Brasil ser uma merda (politicamente falando), a gente ainda tem que se orgulhar dele. Mostrou ao mundo que não há conquista sem suor, não há vitória sem disputa, não há coragem sem audácia e, acima de tudo, que o único limite de uma pessoa, é ela mesma. É isso que faz de um herói, eterno.

Ao som de Nevermore - Evolution 169.

14:06 | Interessante | 8 comentários


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