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29/4/2008

O logotipo sacana

Por Emerson Alecrim

Já reparou que boa parte dos hotéis baratos que existem por aí exibe em sua fachada a palavra Hotel de forma que a letra H se pareça, mesmo que vagamente, com a letra M? Você sabe: esse é um truque para dizer que aquele lugar não é, necessariamente, um hotel…

Em uma outra ocasião, lembro de ter visto - não sei se em uma revista, se em um outdoor, se em um jornal, enfim - uma propaganda que mostrava a ilustração em traços simples de uma xícara de café cuja fumaça tinha a silhueta de uma mulher. A intenção era a de informar que aquele lugar não era um estabelecimento que “apenas” oferecia café.

Eu não sei nada de publicidade ou de marketing, mas sei que essas idéias de “duplo sentido” são excelentes jogadas, afinal, não estariam sendo usadas se não dessem certo. O problema é quando o duplo sentido surge por acaso ou, na pior das hipóteses, quando um publicitário, designer ou qualquer profissional da área sacaneia o seu cliente.

Foi isso que supostamente aconteceu com uma entidade do governo inglês de nome Office of Government Commerce (OGC), que gastou £14.000 na criação de um novo logotipo. Quando o trabalho ficou pronto, foi apresentado aos funcionários da entidade e chegou a ser gravado em canetas e mousepads. Eis a imagem:

Logo bonzinho

Embora seja simples, é um logotipo bacana, não? Bom, acontece que alguém, talvez observando uma das tais canetas em cima da mesa, acabou vendo o tal logotipo no sentido vertical. Aí olhou mais um pouco, percebeu o que havia de errado (ou de oculto), deu um sorriso malicioso e contou ao amigo do lado o que acabou de descobrir. Veja você mesmo:

Logo malvado

Percebeu como a imagem, quando visto na vertical, parece querer mostrar outra coisa? Diante dessa… er… disso, acho pouco provável que a OGC utilize o logotipo. Mesmo assim, essa “obra” ainda pode ser bem aproveitada. Após todas as negociações legais, um laboratório que desenvolve medicamentos para homens que sofrem de “falta de força na subida” pode muito bem lançar um remédio de nome OGC e adotar o tal logotipo. Com uma mensagem tão clara, ia vender mais que as famosas pílulas de cor azul…

Referência: Telegraph.co.uk.

Ao som de Opeth - Coil.

3:32 | Inusitado | 4 comentários


13/4/2008

Para facilitar o troco. Ou dificultar…

Por Emerson Alecrim

Quase que diariamente passo em uma lanchonete perto do meu local de trabalho para tomar café da manhã. Na maioria das vezes, gasto 3,70 reais. Como o valor é baixo, eu prefiro pagar com “dinheiro vivo” mesmo, mas na última sexta-feira descobri que nem sempre essa parece ser uma boa idéia…

Dificilmente tenho o valor exato para pagar o lanche, então dou uma nota de 5 ou 10 reais. O problema é que, ao fazer isso, o caixa é obrigado a voltar parte do troco em moedas. E eu odeio carregar moedas. Além disso, nem sempre o caixa as tem em número suficiente. Daí procurar facilitar: se tiver moedas na minha carteira, dou 10 reais e 70 centavos, com isso, o caixa me devolve exatamente 7 reais. Alguns são sacanas, e me devolvem, por exemplo, uma nota de 5 reais e quatro moedas de 50 centavos, mas tudo bem, tudo bem…

Na última sexta-feira, essa feliz jogada foi por água abaixo. A lanchonete colocou no caixa um funcionário ruim de contas, mas bota ruim nisso! Fui lá, efetuei o meu pedido e, na hora de pagar, fiz exatamente como explicado no parágrafo anterior: dei ao caixa 10 reais e 70 centavos. O problema é que ele não entendeu que os 70 centavos eram para facilitar o troco, então o cara “travou”. Bom, eu fiquei lá, parado, esperando calmamente, até que ele resolveu reagir:

- qual o seu pedido mesmo?
- Um salgado e um chá Mate.
- E você me deu…
- 10 e 70.
- Ah, tá. Ó o troco!
- Er… Você me devolveu 8 reais…
- Tá faltando?
- Não, tá sobrando 1 real, tome!
- Não, é isso mesmo…
- Hahaha… 10,70 menos 3,70 dá 7 reais!
- Não, mas é que você deu as moedas e…

E então eu perdi a paciência e resolvi ficar com o troco a mais. Você viu que eu tentei ser honesto, mas o rapaz não ajudou! Bom, depois eu contei a história para um colega de trabalho. Daí no sábado, fui ao mesmo lugar tomar café, mas dessa vez esse meu colega me acompanhou. E adivinha quem estava no caixa? Para mostrar que eu sou bonzinho, dessa vez paguei o valor exato. Mas meu colega resolveu sacanear: seu pedido deu 4,60 reais e ele deu ao caixa 10,85 reais.

moedas de real

O coitado do rapaz do caixa ficou tenso, parecia não saber o que fazer e, como se implorando por piedade, perguntou ao meu colega se ele não tinha o valor exato. Meu colega disse: “acho que eu tenho, mas você tem 1 real aí?”, e o rapaz lhe deu 1 real. Em seguida, meu colega lhe pagou exatamente 4,60 reais. O rapaz ficou aliviado, agradeceu e… Bom, meu colega começou a rir e, num gesto de quem tinha entendido que havia ido longe demais, devolveu a nota de 1 real ao caixa lhe dizendo que ele (o meu colega) havia errado a conta…

E eu fiquei ali, vendo de tudo de perto, incrédulo. Não pelo fato de o rapaz do caixa não conseguir fazer contas simples, já que eu não sei nada da vida dele para entender suas dificuldades, mas do fato de uma lanchonete como aquela permitir que uma pessoa despreparada assumisse o caixa. Isso é ruim não só por causar um rombo na arrecadação, mas também porque pode prejudicar o atendimento, fazendo com que o cliente mais impaciente prefira a lanchonete ao lado na próxima vez.

E em pensar que tudo começou quando eu queria facilitar o troco…

Ao som de Demether - Shy.

15:19 | Inusitado | 8 comentários


16/2/2008

Checklist da vida

Por Emerson Alecrim

ChecklistDizem que a única certeza que temos na vida é a de que, mais cedo ou mais tarde, vamos morrer. Tudo bem, isso é verdade, mas creio que não se trata da única certeza que existe. Num desses pensamentos que só acham espaço na mente após alguns goles de cerveja, concluí que, ao menos uma vez na vida, você vai:

- Ser alvo certeiro de um pombo;
- Ter um vizinho mala;
- Ter outro vizinho mala;
- Ter diarréia;
- Pegar uma fila interminável;
- Ser picado por uma abelha;
- Acenar para alguém pensando ser outra pessoa;
- Sonhar que está sonhando;
- Matar uma formiga;
- Beber Coca-Cola;
- Vivenciar um episódio engraçado com uma barata;
- Ficar preso no elevador;
- Quebrar um copo;
- Notar tarde demais que não tem papel no banheiro;
- Rir de uma piada que não entendeu;
- Contar uma piada e ninguém rir;
- Sentir raiva da segunda-feira;
- Fingir que está dormindo;
- Conter uma risada;
- Esquecer o que estava falando ou pensando;
- Esquecer o que estava procurando;
- Passar a noite em claro;
- Dormir quando queria ficar acordado;
- Ficar acordado quando queria dormir;
- Comer de barriga cheia;
- Ser simpático quando gostaria de ser grosseiro;
- Acordar atrasado para um compromisso importante;
- Dar valor a algo que perdeu;
- Perder algo e ver que nem valia tanto assim;
- Ter a sensação de que está perdendo o dia;
- Querer que as horas passem logo;
- Achar que hoje não é o seu dia;
- Sentir inveja de alguém por alguma coisa;
- Querer ter algum super poder.

Para finalizar, saiba que, após virar mais um copo um estudo minucioso, cheguei às seguintes hipóteses para o caso de algum desses itens não ter te acontecido ao menos uma vez:

a) Ainda está em tempo; ou
b) Você não é humano; ou
c) Murphy ainda não te conheceu; ou
d) Sua memória é “volátil”…

Ao som de The Gathering - Marroned.

21:02 | Inusitado | 1 comentário


31/1/2008

Sai, Galopeira!!!

Por Emerson Alecrim

Além do imposto de renda e das balinhas Soft, outra invenção que só pode ser coisa do capeta é o karaokê. Que negócio chato! Chato para quem ouve, é claro. Se as pessoas se limitassem a deixar o karaokê no bar ou, ao menos, a não usar o volume do som no máximo, mas não, inventaram de embutir karaokê em aparelhos de DVD e de deixar o som tão alto que até quem está na China ouve.

Galopeeeeeeeee(...)ira!!!!E a culpa é dos aparelhos, pois a pessoa canta mal pra caramba, mas quando termina a música, sua pontuação é alta, daí o indivíduo acredita mesmo que sabe cantar. Decide, então, deixar toda a vizinhança ciente disso. Quando a música é boa, o vizinho cantor consegue estragar. Quando a música é ruim, o cara consegue a façanha de estourar os limites da “ruindade”.

Ontem, eu quase tive um ataque de fúria. Algum infeliz vizinho, não sei exatamente onde, inventou de cantar Galopeira. Sim, aquela em que se tem que cantar “Galopeeeeeeeeeeeeee(…)iraaa!!!”. Eu não gosto da música, mas boa parte da minha família ouve música sertaneja, então o corpo acaba meio que criando imunidade contra isso. O problema é que nenhum mecanismo de defesa à sanidade pode contra quem canta Galopeira sem saber cantar.

No início foi engraçado: fulano pegou o microfone e disparou:

- Galopeeeee… eee… raa!!!

Aí, vai outro com menos fôlego que o primeiro, fazendo meu humor perder a paciência:

- Galopee… reeee… reeee… raaaaaaaaa!

Em seguida vai uma senhora, que provalvemente adora berrar com os filhos:

- Galopeeeeeeee…RAAAAAAAA!!!

Só faltou a mulher dar uma risada maligna no final para eu pensar que tinha uma bruxa como vizinha. Mas aí, quando eu já estava puto, decidiram cantar todos ao mesmo tempo. Desde então, me tornei um homem santo, pois paguei todos os meus pecados ali. Mesmo assim, foi traumatizante. É o tipo de situação que faria um surdo mudar de idéia diante da possibilidade de poder escutar.

O pior é que a p*&?% da música não sai da minha cabeça. Quando acordei, meu cérebro gritava: Galopeeeee(…)ira! Nunca mais te esquecerei!!!. Aí, fui escovar os dentes: …eeeira!!! Comecei a ouvir meu MP3-player a caminho do trabalho e, então, me senti aliviado. No entanto, tão logo tirei os fones do ouvido, lá veio a maldita de novo: galopeee(…)eeira!!!

E para finalizar, cá estou eu, enquanto escrevo, dizendo a mim mesmo: SAI, FIADUMAPUTA! SAI DA MINHA CABEÇA, INVENÇÃO DO CÃO!!! Espero estar curado até o final do dia.

Ao som de qualquer coisa que me faça esquecer Galopeira.

7:14 | Inusitado | 8 comentários


20/1/2008

Balinhas do capeta!

Por Emerson Alecrim

Bastou uma colega de trabalho quase engasgar ao tomar um comprimido para dor de cabeça para eu lembrar dos apuros que já passei com aquelas malditas e saborosas balas Soft. Para os que não são da época (minha nossa, ao escrever isso, me senti idoso), essas balas eram largas e lembravam vagamente um grande botão de camisa. A Desciclopédia tem a seguinte e perfeita descrição para essas balas:

Bala em formato de disco, especialmente projetada para matar as crianças que a engolissem, já que tinha o diâmetro cientificamente estudado de suas traquéias.

Sim, meus amigos, eu não guardo lembranças muito agradáveis dessas balas, se bem que, agora, até acho graça dos apuros que eu passei com elas na infância. A situação mais traumática ocorreu quando eu estava no ônibus. Com aquela velha mania de “compra, mãe, compra!”, minha mãe acabou comprando algumas dessas balas num camelô ao lado do ponto de ônibus. Quando entramos no veículo, minha mãe avisou: mastiga essa bala antes de chupar! Mas você acha que eu seria idiota o suficiente para me engasgar com essa bala? Após isso, a única coisa que eu lembro foi de uma freada e, instantes depois, de um monte de gente batendo nas minhas costas. Só consegui cuspir a maldita bala quando um “gentil” senhor me deu um baita murro nas costelas. Aí, uma gentil senhora, vendo meu rosto todo vermelho e notando minha respiração ofegante, me ofereceu água. O motorista aguardou eu levar a garrafa à boca para dar aquela arrancada com o ônibus, me fazendo beber bastante água. Pelo nariz, mas bebi…

Balas Soft - Por DesciclopédiaOutra situação traumatizante ocorreu na escola. Aliás, como você sabe, a escola é um dos melhores lugares para se ter traumas. A professora estava atrasada naquele dia, então a sala parecia uma ala de hospício pulando carnaval. Um “coleguinha” fazia um desenho bizarro na lousa e eu, com uma bala Soft na boca, comentei que aquele troço se parecia com a professora. Sim, isso mesmo, eu dei uma de Chaves. A professora apareceu justamente quando eu disse aquilo e, quando a vi, a bala Soft se assustou e tentou descer desesperadamente pela minha traquéia. Para a diminuição do meu azar, a bala conseguiu. O problema é que eu passei a aula toda sentindo uma dor no peito. Ah, sim, a professora foi generosa comigo. O único castigo que me deu foi o de apagar a lousa sozinho durante uma semana.

A terceira das situações traumatizantes que passei com uma bala Software Soft aconteceu quando eu voltava da escola acompanhado de um colega. Ambos com uma bala na boca, é claro. Conversa vai, conversa vem, meu amigo ri e, de repente, a bala desce goela abaixo. Eu tentei ajudá-lo, é claro, mas os tapas que eu dava em suas costas não estavam ajudando. Então, eu tentei dar tapas mais fortes, só que, antes, eu devia ter lembrado de ter tirado a bala que estava na minha boca. Então, o meu nobre colega, que naquele momento acabara de se livrar de sua bala, tentava desesperadamente me ajudar. Ou seja, a situação se inverteu completamente. Para a minha sorte, os golpes que recebi nas costas me ajudaram a engolir a maldita, mas aí eu fiquei novamente com aquela dor no peito…

Eu não sei o que aconteceu com essas armas de destruição em massa, mas nunca mais vi balas Soft à venda. Mas, nem ligo, pois elas não me fazem falta, se bem que, às vezes, eu tenho vontade de reencontrá-las para dar às crianças que ficam pedindo dinheiro nos semáforos ou para distribuir à molecada do meu prédio (brincadeira, gente! Hehehe…). O fato é que é motivo de orgulho ter chegado à fase adulta tendo sobrevivido à era das balas Soft. Eu e as mais de 45 mil pessoas dessa comunidade no Orkut que o digam :)

Ao som de Kingfisher Sky - Persephone.

12:07 | Inusitado | 7 comentários


11/1/2008

Tropinha de elite

Por Emerson Alecrim

criançada em rodaAqui no meu prédio, só não vejo a criançada cantando “Ciranda Cirandinha”, “Atirei o pau no gato”, “Alecrim Dourado” (¬¬) e outras músicas de roda quando está chovendo. Mantendo a tradição, elas fazem círculos, executam pequenas coreografias e batem palmas, tudo quase que perfeitamente sincronizado.

Hoje, era para ter sido um dia mais ou menos assim. Saí do trabalho, peguei minha combinação de ônibus + Metrô, desci e caminhei até a entrada do meu prédio. Ao passar pelo portão, lá estavam elas, as crianças. Cantavam, como sempre fazem, mas desta vez, a música era diferente. Bem diferente. É verdade que, eventualmente, elas cantam algum “hit”, tal como “Ela dança, eu danço”, algum funk mirabolante e até forró. Mas, eu nunca imaginaria que elas cantariam a seguinte música como se fosse a coisa mais normal do mundo:

“Homem de preto, qual é sua missão?
Entrar na favela e deixar corpo no chão.
Homem de preto, o que é que você faz?
Eu faço coisas que assustam o Satanás!”

Você tem idéia do quão bizarro é ouvir crianças cantando isso como se fosse uma cantiga de roda qualquer? Quando eu era moleque, se ousasse falar ou cantar coisas assim, levava um tapão na boca! Se insistisse, minha mãe pegava um cinto que ela tinha que era mágico: conseguia alcançar minhas pernas onde quer que eu fosse. Hoje, só faltou aquela criançada brincar de polícia e ladrão e gritar coisas como “você é um fanfarrão!”, “pede pra sair, pede pra sair!”, “no rosto não pra não estragar o velório!”, enfim…

Ao som de Tihuana - Tropa de Elite Sirenia - In Summerian Haze.

22:02 | Inusitado | 6 comentários


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