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12/11/2009

Ontem faltou água, anteontem faltou luz

Por Emerson Alecrim

Sei que metade da blogosfera está falando sobre o assunto, mas eu tinha que escrever a respeito. Eu estava bem aqui, na frente do meu PC, quando soltei no Twitter: “Merda!!! Acabou energia aqui!”. Mal sabia o que vinha pela frente. Podia ter aproveitado os 10 minutos de energia que meu nobreak oferece e permanecer diante do computador, mas preferi ir até a cozinha para pegar velas e fósforo. Chegando lá, um susto daqueles: a lâmpada da cozinha estava semi-acesa e como meus olhos ainda não haviam se acostumado à escuridão, pensei que aquela luz fraca era tudo, menos algo deste mundo.

Tão logo me recuperei do susto, percebi que os LEDs da TV e do aparelho de som estavam acessos, mas nenhum dispositivo ligava. Intrigado, fui ao corredor do prédio, onde os vizinhos relataram o mesmo fenômeno. Daí percebi que aquela não era uma interrupção de energia comum, causada por motoristas que usam o poste como freio. Minutos depois o prédio ficou completamente às escuras, sem LED ou lâmpada paranormal para contar a história.

Bom, voltei pra casa, acendi as tais velas e peguei meu smartphone, que até então tinha servido de lanterna, para utilizar a rede 3G. Sem sinal. Fiquei tentando algum milagre com o aparelho até que meu irmão ligou aqui em casa e relatou que o centro de São Paulo também estava no breu e que o Metrô estava parado. Minhas suspeitas estavam certas, ninguém havia utilizado um poste do bairro como freio para o carro.

O LED da câmera do smartphone serviu com lanterna
O LED da câmera do smartphone serviu com lanterna

Mas como obter alguma informação? Sem internet, sem televisão, sem celular, meu irmão que estava no centro da cidade não sabia bem ao certo o que aconteceu… Enfim, eu estava isolado do mundo! Antes de entrar em pânico ou apelar para as vizinhas fofoqueiras, me auto sugeri a mim mesmo ouvir música e esperar. Peguei meu MP3-player, coloquei os fones de ouvido e… Bingo! O aparelho tinha rádio FM e eu nem lembrava!

Só que havia um problema: a última vez que eu ouvi rádio por livre e espontânea necessidade foi no século passado (sem exagero!), então não sabia nem que rádio sintonizar. Daí fiquei mudando de frequência até achar uma rádio que tivesse alguém falando algo sobre a falta de energia. Enquanto isso, lembrava que antigamente fazia isso usando um botão analógico. Estou ficando velho…

Não demorou muito e achei uma rádio com a notícia que eu queria, a CBN. Foi daí que descobri que se tratava de um apagão que havia atingido vários estados e tal. Pensei em ir ao corredor para dar a notícia aos colegas de prédio, mas mudei de ideia no meio do caminho quando ouvi duas vizinhas dando graças porque a novela havia acabado antes da pane.

Permaneci ouvindo rádio ao mesmo tempo em que pensava no quanto as tecnologias mais recentes haviam me deixado na mão, exceto o LED do smartphone que serviu de lanterna. Mas não demorei muito para lembrar do porquê de eu ter largado rádio: músicas cortadas, excesso de propagandas e, no caso daquele momento, falatório demais e informações repetidas.

FM no meu MP3-player. Nem lembrava...
FM no meu MP3-player. Nem lembrava…

Tempos depois decidi tentar o celular novamente e, para a minha alegria, obtive sinal e conexão com a rede 3G. Graças ao Twitter, consegui saber quais locais foram atingidos, que vias de São Paulo apresentavam problemas de trânsito, onde a energia já voltara, enfim, consegui obter as informações que eu precisava.

Fiquei cerca de duas horas no Twitter e depois fui dormir. Acordei de manhã já com energia em casa e, dentro do possível, percebi que todo mundo começou a voltar à sua rotina. Mas eu fiquei pensando no quanto esse acontecimento foi importante em termos de comunicação. Pela primeira vez, diante de um problema sério e de abrangência nacional, consegui manter contato com dezenas de pessoas de localidades diferentes graças a um smartphone com acesso à internet e ao Twitter.

O rádio, como há décadas faz, cumpriu o seu papel informativo, mas com o Twitter a experiência foi diferente. Não havia um ponto central de informação, todo mundo era elenco e plateia ao mesmo tempo. Todo mundo contribuía com informações ao mesmo tempo em que as consumia. É claro que não faltaram piadinhas para descontrair: “chama o Zina, brilha muito no apagão”, “quem não tem luz põe o dedo aqui (na tomada)” e assim por diante.

Não que eu queira passar por um apagão de novo – a lâmpada paranormal da cozinha me deixou traumatizado -, mas não posso negar que achei a experiência interessante e até divertida. E ainda sobrou espaço para eu ficar imaginando como é que as pessoas em cada canto do planeta narrariam o fim do mundo pelo Twitter…

Teve torcida gritando quando a luz voltou…

Ao som de Legião Urbana – Eu era um Lobisomem Juvenil

2:06 | Inusitado | comentar


18/8/2009

Um cão como guia

Por Emerson Alecrim

Cão-guiaQuando eu saía bem cedo para chegar ao trabalho às 07h00, quase sempre via perto do Metrô Bresser, aqui em São Paulo, um homem com deficiência visual acompanhado de seu cão-guia. Na maioria das vezes o encontrava na rua, indo em direção à estação, enquanto eu seguia rumo ao meu local de trabalho.

Nunca dei muita importância para isso, até que, certa vez, o encontrei já dentro da estação. Eu estava saindo do trem e ele estava entrando, pela mesma porta. Aí veio a primeira surpresa: quando eu percebo que um deficiente vai entrar ou sair, faço o possível para que entre ou saia primeiro do que eu para facilitar a ação. No entanto, este homem só entrou no trem depois que todo mundo que ia sair desembarcou.  E isso aconteceu porque o cão-guia aguardou o momento certo de entrar.

A segunda surpresa veio da reação das pessoas, que eu pude observar mesmo já estando fora do trem: o homem entrou, em seguida lhe ofereceram um lugar e o cão sentou próximo às suas pernas. Todo mundo olhava admirado para a cena. Aí eu me perguntei: caramba, será que esse povo nunca viu um cão-guia? Foi quando eu me dei conta de que, certamente, pelo menos para a maioria ali, a resposta é um sonoro “não”. Antes desse homem, eu mesmo nunca havia visto um cão-guia, ao menos não que eu me lembre. A partir dessa percepção, tratei de pesquisar sobre o assunto. Encontrei algumas coisas bastante interessantes.

Para começar, descobri que todo cão-guia passa por um treinamento intensivo. Esse treinamento não serve apenas para ele aprender a conduzir o seu dono pelas ruas, mas também para saber lidar com vários tipos de situação, como evitar obstáculos, ficar próximo da pessoa que o acompanha, permanecer em silêncio quando estiver sentado (como no trem) e o que eu achei mais incrível: o cão deve saber quando desobedecer ordens diante de uma situação de perigo para o seu dono.

Por exemplo, se numa faixa de pedestres o dono dá uma ordem para o cão atravessar a rua, este não o fará se perceber que há veículos se aproximando. Eu não pude evitar de comparar essa situação às três leis da robótica criadas por Isaac Asimov, no qual a segunda lei diz que “um robô deve sempre obedecer um humano, exceto no caso de contrariedade à primeira lei”, que por sua vez diz que “um robô não pode ferir um humano ou permitir que algum mal lhe aconteça”.

Geralmente, quando as pessoas treinam seus cachorros, o recompensam com comida ou com algum brinquedo, por exemplo, dá um biscoito ao animal quando ele se finge de morto. No caso dos cães-guia, isso geralmente não ocorre, pois ele deve ignorar ofertas de comida ou qualquer coisa parecida quando estiver acompanhando o seu dono. Por esse motivo, os treinadores utilizam-se de outros meios para fazer com que o cão se sinta recompensado.

Cão-guiaÉ claro que não é qualquer cachorro que pode ser um cão-guia. Ao contrário do que se pensa, a raça nem é tão importante assim, embora haja preferência por pastor alemão e labrador, por exemplo. No entanto, é necessário observar, desde filhote, se o animal é dócil, se é inteligente, se tem boa concentração, se é obediente, se tem boa saúde (afinal, o que ele mais fará é andar), entre outras características.

Depois de escolhido, o treinamento de um cão-guia dura meses. Nesse período, ele aprende coisas impressionantes, como usar a faixa de pedestres, sempre parar no meio-fio em travessias, não passar em lugares estreitos ou baixos que impeçam o dono de se locomover com segurança, ignorar a presença de outros animais (como gatos) e também a ignorar as pessoas.

Portanto, ao passar por um cão-guia, não é necessário ter medo, mesmo que ele tenha uma aparência feroz, pois o animal não vai te atacar. Ele vai ficar quieto, na dele e à disposição de seu dono. Por isso que é seguro transitar com ele em lugares públicos, como ônibus, trens ou shoppings. Mesmo com grande volume de pessoas, dificilmente o cachorro se assustará.

Também é importante não oferecer alimentos a um cão-guia ou mesmo não lhe fazer carinho, pois isso pode tirar sua concentração. Os cachorros, em geral, gostam desses “mimos”, mas cães-guia aprendem desde cedo a não dar importância a isso “durante o trabalho”. Assim, ao ver um cão-guia, o melhor que você pode fazer é admirar de longe. É o jeito mais conveniente de deixar o seu dono em segurança e o animal concentrado em seu trabalho.

Cães-guia costumam ser animais bastante felizes. Apesar de uma rotina séria de trabalho, executam suas atividades com prazer. Seus donos também reservam momentos para que eles possam brincar ou realizar atividades de cachorros “normais”. Além disso, quando chegam em determinada idade, esses animais são aposentados, mesmo porque já não gozam da mesma agilidade que os tornaram cães-guia. Mas, não se preocupe, pois aposentadoria não significa abandono: os donos podem continuar com eles ou cedê-los a outras pessoas, mesmo porque esses cães carregarão toda a educação que tiveram para o resto da vida.

Infelizmente, no Brasil, poucos deficientes visuais têm o privilégio de contar com um cão-guia e os que podem não raramente esbarram em alguma forma de preconceito. Mesmo com os direitos de ir e vir garantidos, muitos donos ou gerentes de estabelecimentos impedem a entrada de pessoas acompanhadas de cães-guia alegando que eles podem latir, atacar outras pessoas, contaminar o ambiente, etc. Não é necessário se preocupar com isso. Como já dito, esses animais sabem se comportar em público, não incomodam pessoas ao redor, são bem tratados e devidamente alimentados. Fico feliz de saber que pelo menos o Metrô de São Paulo tem essa consciência.

Se um dia você encontrar uma pessoa com um cão-guia em um estabelecimento público, dê um chega-pra-lá no preconceito e permita-se admirá-lo, mesmo que de longe. Ah, e um detalhe muito importante: os cães-guia também cometem erros, por isso, precisam aprender a evitá-tos. Para isso, seu dono ou seu treinador podem dar “broncas”. Algumas pessoas podem pensar que isso é mal-trato, mas é apenas um método de treinamento ;)

Referências: HowStuffWorks, IRIS, The Dog’s Times, Guide Dogs for the Blind.

Imagens: Guide Dogs for the Blind.

Ao som de The Gathering – In Between.

1:26 | Inusitado | comentar


24/5/2009

Eita, povo curioso!

Por Emerson Alecrim

Dias atrás eu encontrei a Paloma no Metrô, uma ex-companheira de trabalho. Empolgados pela surpresa do encontro, fomos conversando sem parar durante o trajeto. Para a sorte da nossa conversa, desembarcamos na mesma estação. Quando subíamos a escada rolante, o celular dela tocou. Era o pai da Paloma avisando que estava nos arredores para buscá-la. Ela estranhou, pois o “velho”, de acordo com suas palavras, não tinha esse hábito, mas logo ele revelou que havia comprado um carro naquele dia e queria mostrá-lo.

Ela não estava conseguindo entender bem onde seu pai havia encostado o carro, só sabia que era na Radial Leste (para quem não conhece, uma gigantesca avenida em São Paulo paralela à linha 3 do Metrô). Então, me passou as características do veículo e me pediu para ajudá-la a localizá-lo visualmente, já que estávamos na passarela da estação que liga os dois lados da avenida.

Encontrei o carro e disse a ela “acho que é aquele ali”. Para confirmar, ela pediu por telefone para o seu pai fazer algum sinal com as mãos. Ele o fez, ela ficou feliz, se despediu de mim, pediu para que eu mantivesse contato e foi embora. Bom, na verdade, foi quase isso…

Ela foi embora, de fato, no entanto, não sem antes notar, absolutamente surpresa, que tinha umas 5 ou 6 pessoas ao nosso lado na passarela olhando para a direção que segundos antes apontávamos. Também surpreso, olhei fixamente para uma dessas pessoas, uma senhora do tipo que pelo olhar você percebe ser fuxiqueira. Ao perceber que estava sendo observada, no mesmo instante ela perguntou: “o que que vocês estão olhando? É algum acidente, é?”

A Paloma expressou sua indignação com a curiosidade do povo simplesmente olhando para cima e, antes de finalmente se mandar, me fez um último aceno. Quanto a mim, sugeri à senhora curiosa que continuasse olhando que logo ela descobriria o alvo de nossa atenção e, em seguida, também fui embora. Fui sem olhar para trás, porque se o fizesse, tenho certeza que encontraria um volume maior de pessoas olhando pela passarela, uma tentando descobrir inutilmente o que a outra estava vendo e, com isso, fazendo o grupo aumentar.

A situação toda ao menos me serviu para ter certeza de uma coisa: deixar um monte de gente morrendo de curiosidade é deveras divertido :)

Ao som de Nevermore – The river dragon has come.

16:44 | Entretenimento, Inusitado | comentar


9/2/2009

Entrevista comigo no programa E-farsas.com da JustTV

Por Emerson Alecrim

Olha só que legal (pelo menos para mim): no último dia 6, eu participei como entrevistado do programa E-farsas.com, que foi exibido ao vivo, às 20h00, na JustTV. Foi muito bacana! Conversei com o Gilmar, apresentador do programa, sobre o InfoWester, sobre segurança na internet, sobre Campus Party, enfim. Se quiser conferir (confere, vai! :D ), é só clicar no play do vídeo abaixo:

Se não conseguir visualizar esse vídeo, você pode acessá-lo nesta página. Espero que goste e que minha imagem não te traumatize ao ponto de você nunca mais voltar a este blog ;)

Ao som de Epica – Dance of Fate.

9:06 | Inusitado | 2 comentários


31/1/2009

Conversas que “mudaram” a minha vida em 2008

Por Emerson Alecrim

Desde o início deste blog eu publico aqui uma relação das “conversas” que “mudaram a minha vida” durante o ano. Foi assim em 2005, em 2006, em 2007 e… Faltou 2008! Pois é, eu havia esquecido dessa “tradição”, mas tive ou presenciei conversas muito interessantes durante esse ano também. Com atraso, aqui estão elas:

Na fila do banco:

- Mas que saco! Essa menina não para de chorar! – senhora na fila.
- A senhora também não para de olhar pra ela! – mãe da criança chorona.

No trabalho:

- Quanto você cobra pra arrumar meu computador?
- Er… Eu não faço esse tipo de serviço.
- Conhece alguém que faça?
- Sim, essa pessoa aqui (entreguei um cartão para ela).
- Obrigada. Sabe se ele cobra caro?
- Não sei…
- E por que você não faz esse tipo de serviço? Não podia abrir uma exceção para mim?
- Eu não faço porque, por mais barato que eu cobre, o cliente sempre acha caro…
- (Silêncio)

No trem do Metrô:

- Esse livro aí fala de signos? – Uma senhora sentada ao meu lado, ao me ver lendo um livro sobre astronomia.

Na Avenida Paulista:

- Moço, como é que eu faço para chegar na Consolação?
- É fácil. Segue reto por aqui. Daqui umas três quadras você chega na Consolação.
- Então, tá. Deve ser isso mesmo. Você é o terceiro que me diz para fazer isso…

No Salão do Automóvel:

- Entra aí, filho, para eu tirar uma foto.
- Ah, eu não quero, pai…
- Entra, porque do jeito que você é inteligente, será o mais perto que conseguirá chegar de uma BMW…

No guichê da Itapemirim:

- Oi, eu queria uma passagem pra Curitiba para o dia 4.
- Só um minuto… Ainda não dá para comprar passagem para esse dia, senhor.
- Ué, por que não?
- Er… Porque o sistema não permite…
- E quando é que poderei comprar passagem?
- Não sei te informar, senhor.
- Eu sei: no dia em que você aprender a usa esse computador. Vou lá comprar na concorrência…

Ao som de Black Sabbath – Iron Man.

11:02 | Inusitado | comentar


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