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31/1/2008

Sai, Galopeira!!!

Por Emerson Alecrim

Além do imposto de renda e das balinhas Soft, outra invenção que só pode ser coisa do capeta é o karaokê. Que negócio chato! Chato para quem ouve, é claro. Se as pessoas se limitassem a deixar o karaokê no bar ou, ao menos, a não usar o volume do som no máximo, mas não, inventaram de embutir karaokê em aparelhos de DVD e de deixar o som tão alto que até quem está na China ouve.

Galopeeeeeeeee(...)ira!!!!E a culpa é dos aparelhos, pois a pessoa canta mal pra caramba, mas quando termina a música, sua pontuação é alta, daí o indivíduo acredita mesmo que sabe cantar. Decide, então, deixar toda a vizinhança ciente disso. Quando a música é boa, o vizinho cantor consegue estragar. Quando a música é ruim, o cara consegue a façanha de estourar os limites da “ruindade”.

Ontem, eu quase tive um ataque de fúria. Algum infeliz vizinho, não sei exatamente onde, inventou de cantar Galopeira. Sim, aquela em que se tem que cantar “Galopeeeeeeeeeeeeee(…)iraaa!!!”. Eu não gosto da música, mas boa parte da minha família ouve música sertaneja, então o corpo acaba meio que criando imunidade contra isso. O problema é que nenhum mecanismo de defesa à sanidade pode contra quem canta Galopeira sem saber cantar.

No início foi engraçado: fulano pegou o microfone e disparou:

- Galopeeeee… eee… raa!!!

Aí, vai outro com menos fôlego que o primeiro, fazendo meu humor perder a paciência:

- Galopee… reeee… reeee… raaaaaaaaa!

Em seguida vai uma senhora, que provalvemente adora berrar com os filhos:

- Galopeeeeeeee…RAAAAAAAA!!!

Só faltou a mulher dar uma risada maligna no final para eu pensar que tinha uma bruxa como vizinha. Mas aí, quando eu já estava puto, decidiram cantar todos ao mesmo tempo. Desde então, me tornei um homem santo, pois paguei todos os meus pecados ali. Mesmo assim, foi traumatizante. É o tipo de situação que faria um surdo mudar de idéia diante da possibilidade de poder escutar.

O pior é que a p*&?% da música não sai da minha cabeça. Quando acordei, meu cérebro gritava: Galopeeeee(…)ira! Nunca mais te esquecerei!!!. Aí, fui escovar os dentes: …eeeira!!! Comecei a ouvir meu MP3-player a caminho do trabalho e, então, me senti aliviado. No entanto, tão logo tirei os fones do ouvido, lá veio a maldita de novo: galopeee(…)eeira!!!

E para finalizar, cá estou eu, enquanto escrevo, dizendo a mim mesmo: SAI, FIADUMAPUTA! SAI DA MINHA CABEÇA, INVENÇÃO DO CÃO!!! Espero estar curado até o final do dia.

Ao som de qualquer coisa que me faça esquecer Galopeira.

7:14 | Inusitado | 8 comentários


20/1/2008

Balinhas do capeta!

Por Emerson Alecrim

Bastou uma colega de trabalho quase engasgar ao tomar um comprimido para dor de cabeça para eu lembrar dos apuros que já passei com aquelas malditas e saborosas balas Soft. Para os que não são da época (minha nossa, ao escrever isso, me senti idoso), essas balas eram largas e lembravam vagamente um grande botão de camisa. A Desciclopédia tem a seguinte e perfeita descrição para essas balas:

Bala em formato de disco, especialmente projetada para matar as crianças que a engolissem, já que tinha o diâmetro cientificamente estudado de suas traquéias.

Sim, meus amigos, eu não guardo lembranças muito agradáveis dessas balas, se bem que, agora, até acho graça dos apuros que eu passei com elas na infância. A situação mais traumática ocorreu quando eu estava no ônibus. Com aquela velha mania de “compra, mãe, compra!”, minha mãe acabou comprando algumas dessas balas num camelô ao lado do ponto de ônibus. Quando entramos no veículo, minha mãe avisou: mastiga essa bala antes de chupar! Mas você acha que eu seria idiota o suficiente para me engasgar com essa bala? Após isso, a única coisa que eu lembro foi de uma freada e, instantes depois, de um monte de gente batendo nas minhas costas. Só consegui cuspir a maldita bala quando um “gentil” senhor me deu um baita murro nas costelas. Aí, uma gentil senhora, vendo meu rosto todo vermelho e notando minha respiração ofegante, me ofereceu água. O motorista aguardou eu levar a garrafa à boca para dar aquela arrancada com o ônibus, me fazendo beber bastante água. Pelo nariz, mas bebi…

Balas Soft - Por DesciclopédiaOutra situação traumatizante ocorreu na escola. Aliás, como você sabe, a escola é um dos melhores lugares para se ter traumas. A professora estava atrasada naquele dia, então a sala parecia uma ala de hospício pulando carnaval. Um “coleguinha” fazia um desenho bizarro na lousa e eu, com uma bala Soft na boca, comentei que aquele troço se parecia com a professora. Sim, isso mesmo, eu dei uma de Chaves. A professora apareceu justamente quando eu disse aquilo e, quando a vi, a bala Soft se assustou e tentou descer desesperadamente pela minha traquéia. Para a diminuição do meu azar, a bala conseguiu. O problema é que eu passei a aula toda sentindo uma dor no peito. Ah, sim, a professora foi generosa comigo. O único castigo que me deu foi o de apagar a lousa sozinho durante uma semana.

A terceira das situações traumatizantes que passei com uma bala Software Soft aconteceu quando eu voltava da escola acompanhado de um colega. Ambos com uma bala na boca, é claro. Conversa vai, conversa vem, meu amigo ri e, de repente, a bala desce goela abaixo. Eu tentei ajudá-lo, é claro, mas os tapas que eu dava em suas costas não estavam ajudando. Então, eu tentei dar tapas mais fortes, só que, antes, eu devia ter lembrado de ter tirado a bala que estava na minha boca. Então, o meu nobre colega, que naquele momento acabara de se livrar de sua bala, tentava desesperadamente me ajudar. Ou seja, a situação se inverteu completamente. Para a minha sorte, os golpes que recebi nas costas me ajudaram a engolir a maldita, mas aí eu fiquei novamente com aquela dor no peito…

Eu não sei o que aconteceu com essas armas de destruição em massa, mas nunca mais vi balas Soft à venda. Mas, nem ligo, pois elas não me fazem falta, se bem que, às vezes, eu tenho vontade de reencontrá-las para dar às crianças que ficam pedindo dinheiro nos semáforos ou para distribuir à molecada do meu prédio (brincadeira, gente! Hehehe…). O fato é que é motivo de orgulho ter chegado à fase adulta tendo sobrevivido à era das balas Soft. Eu e as mais de 45 mil pessoas dessa comunidade no Orkut que o digam :)

Ao som de Kingfisher Sky - Persephone.

12:07 | Inusitado | 7 comentários


11/1/2008

Tropinha de elite

Por Emerson Alecrim

criançada em rodaAqui no meu prédio, só não vejo a criançada cantando “Ciranda Cirandinha”, “Atirei o pau no gato”, “Alecrim Dourado” (¬¬) e outras músicas de roda quando está chovendo. Mantendo a tradição, elas fazem círculos, executam pequenas coreografias e batem palmas, tudo quase que perfeitamente sincronizado.

Hoje, era para ter sido um dia mais ou menos assim. Saí do trabalho, peguei minha combinação de ônibus + Metrô, desci e caminhei até a entrada do meu prédio. Ao passar pelo portão, lá estavam elas, as crianças. Cantavam, como sempre fazem, mas desta vez, a música era diferente. Bem diferente. É verdade que, eventualmente, elas cantam algum “hit”, tal como “Ela dança, eu danço”, algum funk mirabolante e até forró. Mas, eu nunca imaginaria que elas cantariam a seguinte música como se fosse a coisa mais normal do mundo:

“Homem de preto, qual é sua missão?
Entrar na favela e deixar corpo no chão.
Homem de preto, o que é que você faz?
Eu faço coisas que assustam o Satanás!”

Você tem idéia do quão bizarro é ouvir crianças cantando isso como se fosse uma cantiga de roda qualquer? Quando eu era moleque, se ousasse falar ou cantar coisas assim, levava um tapão na boca! Se insistisse, minha mãe pegava um cinto que ela tinha que era mágico: conseguia alcançar minhas pernas onde quer que eu fosse. Hoje, só faltou aquela criançada brincar de polícia e ladrão e gritar coisas como “você é um fanfarrão!”, “pede pra sair, pede pra sair!”, “no rosto não pra não estragar o velório!”, enfim…

Ao som de Tihuana - Tropa de Elite Sirenia - In Summerian Haze.

22:02 | Inusitado | 6 comentários


31/12/2007

Conversas que “mudaram” a minha vida em 2007

Por Emerson Alecrim

Assim como aconteceu em 2005 e em 2006, abaixo segue uma lista das conversas que “mudaram” a minha vida em 2007:

- Bom dia! O senhor poderia responder a uma rápida pesquisa? - entrevistadora chata no Metrô.
- Não vai dar, estou atrasado para o trabalho, moça.
- Não tem problema. Você vai se atrasar de qualquer forma. O Metrô está com problemas nesse momento…

- Tudo bem com a senhora? - vó de um colega meu.
- Er… Senhora???
- Ai, desculpa, querido. Pensei que havia uma mulher sentada ao seu lado…
- (Eu, heim!)

Estava olhando um notebook na vitrine de uma loja, quando um vendedor aparece:
- Olá, posso ajudá-lo?
- Não, obrigado, só estou dando uma olhada.
- Ok, fique à vontade. É um notebook muito bom esse aí, já vem com internet “embutida”!
- Internet embutida?! E como é isso?
- É que ele não precisa de linha telefônica para se conectar à internet. Ele se conecta automaticamente pelo ar!
- Sei…

- Sua pressão está um pouco alta…
- É, deve ser a tal síndrome do avental branco…
- Huum… Gostaria que eu me vestisse de rosa?
- Sem roupa seria melhor! - não resisti, a médica era bonitona, hehehe…
- Me desculpe, mas eu tenho síndrome do paciente tarado!
- Devia ser ginecologista, então.
- E você acha que só existe homem tarado nesse mundo?
- Bom, eu nunca tive a “sorte” de encontrar uma mulher tarada…
- No seu caso, é fácil perceber o porquê… - fiquei com a cara do Quico perguntando: o que será que ela quis dizer com isso?

Essa foi recente: a mãe do Lucas, um amigo meu, diz algo que o irrita. Ele argumenta:
- Minha mãe acha que eu sou retardado!
Sua mãe responde:
- Acho?!

Ao som de Opeth - Night and the silent water.

14:44 | Inusitado | 5 comentários


19/12/2007

Para fazer o Charlie Brown chorar

Por Emerson Alecrim

Charlie BrownNa chuvosa manhã de hoje, acompanhei um colega até uma locadora de vídeos. Dizendo ser fã de Snoopy e sua turma, ele procurava o filme “Um garoto chamado Charlie Brown”. Um clássico, que eu já tive o prazer de assistir mais de uma vez e que assistiria novamente, caso encontrasse um DVD ou mesmo um VHS na locadora. Sabendo que poderia perder tempo procurando o filme, meu nobre colega se dirigiu a uma balconista, que pediu para aguardarmos alguns instantes. Quando voltou, ela trazia em mãos caixas de CD e DVDs do Charlie Brown Jr, a banda…

Claro, ela deve ter entendido errado, por isso ressaltei que se tratava de um filme. A cara da balconista já dizia que ela não estava entendendo nada, para o nosso espanto. Imediatamente, o meu colega informou que procurava um filme do “Charlie Brown do Snoopy”, afinal, quem é que não conhece o Snoopy? Bom, aparentemente, a balconista não conhecia…

Para o nosso total e mais avassalador desespero, a balconista perguntou se seria algo relacionado a Snoop Dogg (!!!). E não poderia ser outra coisa se não esse desespero para nos fazer explicar que se tratava de um filme de desenho animado, muito antigo, por sinal. Perguntamos se ela nunca viu um desenho de um cachorrinho branco, de orelhas pretas, vez ou outra acompanhado de um passarinho amarelo (Woodstock). Um cachorrinho engraçado, que tem o hábito ímpar de dormir em cima de sua casinha e tem uma imaginação pra lá de fértil.

SnoopyA resposta que tivemos foi um “ah, tá, esse não tem”, mas eu tive a impressão de que ela disse isso apenas para encerrar o assunto e se livrar logo da gente. A minha indignação só me permitiu dizer que, se eu encontrar o filme à venda em algum lugar, darei a ela de presente de natal.

Saímos de lá e, apesar de nem ser meio-dia, o ocorrido me deu a sensação de que esse era um dia perdido. Meu colega ainda indagou se éramos velhos demais ao ponto de gente mais nova não conhecer Charlie Brown e sua turma. Quando cheguei em meu prédio e subi as escadas, perguntei a um vizinho de uns 10 anos que descia se ele conhecia o Charlie Brown. Sem demonstrar muito interesse, o garoto me respondeu com uma outra pergunta: a banda ou o desenho?

Cara, esse moleque salvou o meu dia…

Ao som de Dark Princess - Lost Sunrise.

15:47 | Entretenimento, Inusitado | 4 comentários


5/11/2007

Como se faz um bebê?

Por Emerson Alecrim

Levando um bebêOs elevadores têm características incomuns: para alguns, representam a única forma de subir na vida. Para outros, funcionam como um estimulante sexual. Para outros tantos, servem para apostar corrida (sim, eu já fiz isso!). No entanto, a coisa mais incomum dos elevadores é a sua capacidade de fazer coisas engraçadas acontecer, independente do tempo que você ficar dentro deles.

A última coisa engraçada que presenciei em um elevador aconteceu na semana passada. Uma garotinha de uns 5 anos perguntou à sua mãe, após observar uma mulher que segurava um bebê, como se faz um neném. Todo mundo riu, como é de se esperar, mas a garotinha, mostrando-se irritada pelos risos, insistiu na pergunta, enquanto a maioria olhava sorridente para ela. Como havia chegado ao meu andar, só tive tempo de ouvir a mãe dizer que em casa contaria, mas ainda assim pude notar que a garotinha não se contentou com a resposta, me fazendo ganhar a sua simpatia.

Por incrível que pareça, essa situação me fez lembrar de quando eu tinha uns 6 ou 7 anos, e fiz a mesma pergunta. É provável que eu a tenha feito antes, mas a situação da qual lembro é de quando eu tinha essa idade. Não fiz a tal pergunta primeiramente aos meus pais, como geralmente ocorre, mas sim ao filho dos vizinhos, que devia ter a mesma idade que eu. Ele também não sabia, então teve a idéia de procurar os seus pais. E lá fomos nós.

Chegando em sua casa, entramos na sala, onde havia muita gente, já que ele estava recebendo visitas. Com a tranqüilidade que só a inocência pode permitir, o garoto perguntou em alto e bom som à sua mãe: como se faz um bebê? Ao contrário do que aconteceu no elevador, de repente se fez um silêncio mortal. Os mais novos olhavam para nós com um ar constrangido, enquanto os mais velhos o faziam com ar de reprovação. Finalmente, a mãe do meu “coleguinha” disse que daria a resposta mais tarde. Indignado, eu disse “ahhh, eu também quero saber!”. Com rispidez, a mulher respondeu que eu teria que perguntar à minha mãe.

Voltamos para a rua tentando compreender o que fizemos de errado. Mas não perdemos muito tempo pensando nisso e voltamos a brincar, não sem antes prometermos um a outro de que perguntaríamos às nossas mães como se faz um maldito bebê! No dia seguinte, nos encontramos, ansiosos para saber se o outro obtivera a resposta. Com ar de satisfação, meu colega disse que sim. Eu também. Daí um quis saber o que a mãe do outro disse.

Meu colega veio com uma história de “sementinha que nasce nas mulheres quando elas querem ser mãe”, e que quando ele for adulto vai entender melhor. Aí eu disse a história que a minha mãe havia me contado, prontamente rebatida pelo meu nobre amigo, que não aceitou a idéia de seu pai “mijando” dentro de sua mãe (afinal, que outro líquido sai do “pipi”?).

Como crianças, tínhamos coisas mais importantes para tratar - um caminhão havia descarregado um monte de areia na parte baixa da rua - e assim resolvemos encerrar o assunto. Mas, durante a conversa, eu não havia dito que minha mãe também disse que quando eu fosse adulto entenderia melhor. De fato, hoje entendo melhor. Não a questão da “fabricação” dos bebês, pois isso entendi muito antes. Simplesmente, hoje entendo o porquê daquele monte de gente ter ficado tão constrangido com uma simples pergunta :)

Ao som de Midnattsol - Enlightenment.

0:43 | Inusitado | 4 comentários


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