Sai, Galopeira!!!
Por Emerson AlecrimAlém do imposto de renda e das balinhas Soft, outra invenção que só pode ser coisa do capeta é o karaokê. Que negócio chato! Chato para quem ouve, é claro. Se as pessoas se limitassem a deixar o karaokê no bar ou, ao menos, a não usar o volume do som no máximo, mas não, inventaram de embutir karaokê em aparelhos de DVD e de deixar o som tão alto que até quem está na China ouve.
E a culpa é dos aparelhos, pois a pessoa canta mal pra caramba, mas quando termina a música, sua pontuação é alta, daí o indivíduo acredita mesmo que sabe cantar. Decide, então, deixar toda a vizinhança ciente disso. Quando a música é boa, o vizinho cantor consegue estragar. Quando a música é ruim, o cara consegue a façanha de estourar os limites da “ruindade”.
Ontem, eu quase tive um ataque de fúria. Algum infeliz vizinho, não sei exatamente onde, inventou de cantar Galopeira. Sim, aquela em que se tem que cantar “Galopeeeeeeeeeeeeee(…)iraaa!!!”. Eu não gosto da música, mas boa parte da minha família ouve música sertaneja, então o corpo acaba meio que criando imunidade contra isso. O problema é que nenhum mecanismo de defesa à sanidade pode contra quem canta Galopeira sem saber cantar.
No início foi engraçado: fulano pegou o microfone e disparou:
- Galopeeeee… eee… raa!!!
Aí, vai outro com menos fôlego que o primeiro, fazendo meu humor perder a paciência:
- Galopee… reeee… reeee… raaaaaaaaa!
Em seguida vai uma senhora, que provalvemente adora berrar com os filhos:
- Galopeeeeeeee…RAAAAAAAA!!!
Só faltou a mulher dar uma risada maligna no final para eu pensar que tinha uma bruxa como vizinha. Mas aí, quando eu já estava puto, decidiram cantar todos ao mesmo tempo. Desde então, me tornei um homem santo, pois paguei todos os meus pecados ali. Mesmo assim, foi traumatizante. É o tipo de situação que faria um surdo mudar de idéia diante da possibilidade de poder escutar.
O pior é que a p*&?% da música não sai da minha cabeça. Quando acordei, meu cérebro gritava: Galopeeeee(…)ira! Nunca mais te esquecerei!!!. Aí, fui escovar os dentes: …eeeira!!! Comecei a ouvir meu MP3-player a caminho do trabalho e, então, me senti aliviado. No entanto, tão logo tirei os fones do ouvido, lá veio a maldita de novo: galopeee(…)eeira!!!
E para finalizar, cá estou eu, enquanto escrevo, dizendo a mim mesmo: SAI, FIADUMAPUTA! SAI DA MINHA CABEÇA, INVENÇÃO DO CÃO!!! Espero estar curado até o final do dia.
Ao som de qualquer coisa que me faça esquecer Galopeira.
7:14 | Inusitado | 8 comentários
Outra situação traumatizante ocorreu na escola. Aliás, como você sabe, a escola é um dos melhores lugares para se ter traumas. A professora estava atrasada naquele dia, então a sala parecia uma ala de hospício pulando carnaval. Um “coleguinha” fazia um desenho bizarro na lousa e eu, com uma bala Soft na boca, comentei que aquele troço se parecia com a professora. Sim, isso mesmo, eu dei uma de Chaves. A professora apareceu justamente quando eu disse aquilo e, quando a vi, a bala Soft se assustou e tentou descer desesperadamente pela minha traquéia. Para a diminuição do meu azar, a bala conseguiu. O problema é que eu passei a aula toda sentindo uma dor no peito. Ah, sim, a professora foi generosa comigo. O único castigo que me deu foi o de apagar a lousa sozinho durante uma semana.
Aqui no meu prédio, só não vejo a criançada cantando “Ciranda Cirandinha”, “Atirei o pau no gato”, “Alecrim Dourado” (¬¬) e outras músicas de roda quando está chovendo. Mantendo a tradição, elas fazem círculos, executam pequenas coreografias e batem palmas, tudo quase que perfeitamente sincronizado.
Na chuvosa manhã de hoje, acompanhei um colega até uma locadora de vídeos. Dizendo ser fã de Snoopy e sua turma, ele procurava o filme “Um garoto chamado Charlie Brown”. Um clássico, que eu já tive o prazer de assistir mais de uma vez e que assistiria novamente, caso encontrasse um DVD ou mesmo um VHS na locadora. Sabendo que poderia perder tempo procurando o filme, meu nobre colega se dirigiu a uma balconista, que pediu para aguardarmos alguns instantes. Quando voltou, ela trazia em mãos caixas de CD e DVDs do Charlie Brown Jr, a banda…
A resposta que tivemos foi um “ah, tá, esse não tem”, mas eu tive a impressão de que ela disse isso apenas para encerrar o assunto e se livrar logo da gente. A minha indignação só me permitiu dizer que, se eu encontrar o filme à venda em algum lugar, darei a ela de presente de natal.
Os elevadores têm características incomuns: para alguns, representam a única forma de subir na vida. Para outros, funcionam como um estimulante sexual. Para outros tantos, servem para apostar corrida (sim, eu já fiz isso!). No entanto, a coisa mais incomum dos elevadores é a sua capacidade de fazer coisas engraçadas acontecer, independente do tempo que você ficar dentro deles.