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11/1/2008

Tropinha de elite

Por Emerson Alecrim

criançada em rodaAqui no meu prédio, só não vejo a criançada cantando “Ciranda Cirandinha”, “Atirei o pau no gato”, “Alecrim Dourado” (¬¬) e outras músicas de roda quando está chovendo. Mantendo a tradição, elas fazem círculos, executam pequenas coreografias e batem palmas, tudo quase que perfeitamente sincronizado.

Hoje, era para ter sido um dia mais ou menos assim. Saí do trabalho, peguei minha combinação de ônibus + Metrô, desci e caminhei até a entrada do meu prédio. Ao passar pelo portão, lá estavam elas, as crianças. Cantavam, como sempre fazem, mas desta vez, a música era diferente. Bem diferente. É verdade que, eventualmente, elas cantam algum “hit”, tal como “Ela dança, eu danço”, algum funk mirabolante e até forró. Mas, eu nunca imaginaria que elas cantariam a seguinte música como se fosse a coisa mais normal do mundo:

“Homem de preto, qual é sua missão?
Entrar na favela e deixar corpo no chão.
Homem de preto, o que é que você faz?
Eu faço coisas que assustam o Satanás!”

Você tem idéia do quão bizarro é ouvir crianças cantando isso como se fosse uma cantiga de roda qualquer? Quando eu era moleque, se ousasse falar ou cantar coisas assim, levava um tapão na boca! Se insistisse, minha mãe pegava um cinto que ela tinha que era mágico: conseguia alcançar minhas pernas onde quer que eu fosse. Hoje, só faltou aquela criançada brincar de polícia e ladrão e gritar coisas como “você é um fanfarrão!”, “pede pra sair, pede pra sair!”, “no rosto não pra não estragar o velório!”, enfim…

Ao som de Tihuana - Tropa de Elite Sirenia - In Summerian Haze.

22:02 | Inusitado | 6 comentários


31/12/2007

Conversas que “mudaram” a minha vida em 2007

Por Emerson Alecrim

Assim como aconteceu em 2005 e em 2006, abaixo segue uma lista das conversas que “mudaram” a minha vida em 2007:

- Bom dia! O senhor poderia responder a uma rápida pesquisa? - entrevistadora chata no Metrô.
- Não vai dar, estou atrasado para o trabalho, moça.
- Não tem problema. Você vai se atrasar de qualquer forma. O Metrô está com problemas nesse momento…

- Tudo bem com a senhora? - vó de um colega meu.
- Er… Senhora???
- Ai, desculpa, querido. Pensei que havia uma mulher sentada ao seu lado…
- (Eu, heim!)

Estava olhando um notebook na vitrine de uma loja, quando um vendedor aparece:
- Olá, posso ajudá-lo?
- Não, obrigado, só estou dando uma olhada.
- Ok, fique à vontade. É um notebook muito bom esse aí, já vem com internet “embutida”!
- Internet embutida?! E como é isso?
- É que ele não precisa de linha telefônica para se conectar à internet. Ele se conecta automaticamente pelo ar!
- Sei…

- Sua pressão está um pouco alta…
- É, deve ser a tal síndrome do avental branco…
- Huum… Gostaria que eu me vestisse de rosa?
- Sem roupa seria melhor! - não resisti, a médica era bonitona, hehehe…
- Me desculpe, mas eu tenho síndrome do paciente tarado!
- Devia ser ginecologista, então.
- E você acha que só existe homem tarado nesse mundo?
- Bom, eu nunca tive a “sorte” de encontrar uma mulher tarada…
- No seu caso, é fácil perceber o porquê… - fiquei com a cara do Quico perguntando: o que será que ela quis dizer com isso?

Essa foi recente: a mãe do Lucas, um amigo meu, diz algo que o irrita. Ele argumenta:
- Minha mãe acha que eu sou retardado!
Sua mãe responde:
- Acho?!

Ao som de Opeth - Night and the silent water.

14:44 | Inusitado | 5 comentários


19/12/2007

Para fazer o Charlie Brown chorar

Por Emerson Alecrim

Charlie BrownNa chuvosa manhã de hoje, acompanhei um colega até uma locadora de vídeos. Dizendo ser fã de Snoopy e sua turma, ele procurava o filme “Um garoto chamado Charlie Brown”. Um clássico, que eu já tive o prazer de assistir mais de uma vez e que assistiria novamente, caso encontrasse um DVD ou mesmo um VHS na locadora. Sabendo que poderia perder tempo procurando o filme, meu nobre colega se dirigiu a uma balconista, que pediu para aguardarmos alguns instantes. Quando voltou, ela trazia em mãos caixas de CD e DVDs do Charlie Brown Jr, a banda…

Claro, ela deve ter entendido errado, por isso ressaltei que se tratava de um filme. A cara da balconista já dizia que ela não estava entendendo nada, para o nosso espanto. Imediatamente, o meu colega informou que procurava um filme do “Charlie Brown do Snoopy”, afinal, quem é que não conhece o Snoopy? Bom, aparentemente, a balconista não conhecia…

Para o nosso total e mais avassalador desespero, a balconista perguntou se seria algo relacionado a Snoop Dogg (!!!). E não poderia ser outra coisa se não esse desespero para nos fazer explicar que se tratava de um filme de desenho animado, muito antigo, por sinal. Perguntamos se ela nunca viu um desenho de um cachorrinho branco, de orelhas pretas, vez ou outra acompanhado de um passarinho amarelo (Woodstock). Um cachorrinho engraçado, que tem o hábito ímpar de dormir em cima de sua casinha e tem uma imaginação pra lá de fértil.

SnoopyA resposta que tivemos foi um “ah, tá, esse não tem”, mas eu tive a impressão de que ela disse isso apenas para encerrar o assunto e se livrar logo da gente. A minha indignação só me permitiu dizer que, se eu encontrar o filme à venda em algum lugar, darei a ela de presente de natal.

Saímos de lá e, apesar de nem ser meio-dia, o ocorrido me deu a sensação de que esse era um dia perdido. Meu colega ainda indagou se éramos velhos demais ao ponto de gente mais nova não conhecer Charlie Brown e sua turma. Quando cheguei em meu prédio e subi as escadas, perguntei a um vizinho de uns 10 anos que descia se ele conhecia o Charlie Brown. Sem demonstrar muito interesse, o garoto me respondeu com uma outra pergunta: a banda ou o desenho?

Cara, esse moleque salvou o meu dia…

Ao som de Dark Princess - Lost Sunrise.

15:47 | Entretenimento, Inusitado | 4 comentários


5/11/2007

Como se faz um bebê?

Por Emerson Alecrim

Levando um bebêOs elevadores têm características incomuns: para alguns, representam a única forma de subir na vida. Para outros, funcionam como um estimulante sexual. Para outros tantos, servem para apostar corrida (sim, eu já fiz isso!). No entanto, a coisa mais incomum dos elevadores é a sua capacidade de fazer coisas engraçadas acontecer, independente do tempo que você ficar dentro deles.

A última coisa engraçada que presenciei em um elevador aconteceu na semana passada. Uma garotinha de uns 5 anos perguntou à sua mãe, após observar uma mulher que segurava um bebê, como se faz um neném. Todo mundo riu, como é de se esperar, mas a garotinha, mostrando-se irritada pelos risos, insistiu na pergunta, enquanto a maioria olhava sorridente para ela. Como havia chegado ao meu andar, só tive tempo de ouvir a mãe dizer que em casa contaria, mas ainda assim pude notar que a garotinha não se contentou com a resposta, me fazendo ganhar a sua simpatia.

Por incrível que pareça, essa situação me fez lembrar de quando eu tinha uns 6 ou 7 anos, e fiz a mesma pergunta. É provável que eu a tenha feito antes, mas a situação da qual lembro é de quando eu tinha essa idade. Não fiz a tal pergunta primeiramente aos meus pais, como geralmente ocorre, mas sim ao filho dos vizinhos, que devia ter a mesma idade que eu. Ele também não sabia, então teve a idéia de procurar os seus pais. E lá fomos nós.

Chegando em sua casa, entramos na sala, onde havia muita gente, já que ele estava recebendo visitas. Com a tranqüilidade que só a inocência pode permitir, o garoto perguntou em alto e bom som à sua mãe: como se faz um bebê? Ao contrário do que aconteceu no elevador, de repente se fez um silêncio mortal. Os mais novos olhavam para nós com um ar constrangido, enquanto os mais velhos o faziam com ar de reprovação. Finalmente, a mãe do meu “coleguinha” disse que daria a resposta mais tarde. Indignado, eu disse “ahhh, eu também quero saber!”. Com rispidez, a mulher respondeu que eu teria que perguntar à minha mãe.

Voltamos para a rua tentando compreender o que fizemos de errado. Mas não perdemos muito tempo pensando nisso e voltamos a brincar, não sem antes prometermos um a outro de que perguntaríamos às nossas mães como se faz um maldito bebê! No dia seguinte, nos encontramos, ansiosos para saber se o outro obtivera a resposta. Com ar de satisfação, meu colega disse que sim. Eu também. Daí um quis saber o que a mãe do outro disse.

Meu colega veio com uma história de “sementinha que nasce nas mulheres quando elas querem ser mãe”, e que quando ele for adulto vai entender melhor. Aí eu disse a história que a minha mãe havia me contado, prontamente rebatida pelo meu nobre amigo, que não aceitou a idéia de seu pai “mijando” dentro de sua mãe (afinal, que outro líquido sai do “pipi”?).

Como crianças, tínhamos coisas mais importantes para tratar - um caminhão havia descarregado um monte de areia na parte baixa da rua - e assim resolvemos encerrar o assunto. Mas, durante a conversa, eu não havia dito que minha mãe também disse que quando eu fosse adulto entenderia melhor. De fato, hoje entendo melhor. Não a questão da “fabricação” dos bebês, pois isso entendi muito antes. Simplesmente, hoje entendo o porquê daquele monte de gente ter ficado tão constrangido com uma simples pergunta :)

Ao som de Midnattsol - Enlightenment.

0:43 | Inusitado | 5 comentários


25/10/2007

A síndrome da vibração fantasma!

Por Emerson Alecrim

Isso nom ecxisteUsar telefone celular demais dá nisso: a dependência é tanta que muitos usuários sentem o aparelho vibrar em seu bolso (ou onde quer que ele costuma ficar) mesmo quando não está com ele. É o que alguns pesquisadores americanos estão chamando de “síndrome da vibração fantasma” ou, ainda, “síndrome do BlackBerry“. Por acaso, isso já aconteceu com você?

Embora possa parecer algo banal, o assunto tem chamado a atenção de vários neurologistas porque é um fenômeno parecido com os casos de pessoas que perdem um braço ou uma perna e sentem dores ou coceiras no membro removido. Segundo Jack Tsao, pesquisador da Universidade de Maryland (EUA), provavelmente o cérebro das pessoas que têm essa síndrome interpreta os movimentos do telefone celular como parte do corpo, razão pela qual a falsa vibração é sentida.

Mas é claro que não é necessário começar a ver seu celular com desconfiança por causa disso. A tal síndrome aparentemente é resultado de ações repetitivas, ou seja, algumas pessoas usam tanto o celular no modo de vibração que o cérebro já se acostumou com esse mecanismo. Logo, basta aos que sofrem desse “severo” problema diminuir o uso do celular - pelo menos no modo de vibração - para ser, por assim dizer, “curado”. Se bem que eu fico pensando se algumas pessoas não gostariam de sentir essa falsa vibração, especialmente em locais estratégicos do corpo… Bom, é melhor parar por aqui :D

Referência: Noticiasdot.com.

Emerson Alecrim

1:37 | Inusitado | 5 comentários


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