No último sábado (16/07/2011), eu fiz parte da plateia do TEDxCuritiba. Gastei cerca de uma hora fazendo a minha inscrição e, claro, fiquei deveras feliz ao saber que eu estava entre os selecionados. Por que fiz questão de sair de São Paulo e ir para Curitiba participar deste evento?
Bom, a temática do TEDxCuritiba foi Pessoas transformando cidades. E eu não só moro em São Paulo como nasci aqui, portanto, conheço bem o lugar, especialmente seus problemas, detalhes esses que todos nós reparamos, aliás. A questão é que eu nunca me conformei em fazer parte da turma que só esbraveja do sofá, tampouco acho que tão e somente sair às ruas em protesto seja suficiente. Se é assim, o que mais eu posso fazer? Pois é, me inscrevi para o TEDxCuritiba justamente para encontrar inspiração. No final das contas, saí de lá com muito mais do que isso.
O evento reuniu pessoas que realmente fazem as coisas acontecerem, que não se prendem somente ao discurso. Pessoas que agem com base em objetivos concretos, que verdadeiramente enxergam as nuances do nosso cotidiano e que, portanto, não fazem parte do bloco que “ajuda porque é bonito”. Ajudam por que é necessário.
O incansável arquiteto Jaime Lerner é um exemplo. Mais do que ter sido prefeito de Curitiba e governador do Paraná, fez trabalhos incríveis no planejamento urbano da cidade e em vários aspectos sociais do estado. Lerner tinha tudo para se render à burocracia e à cultura de “coronéis” do nosso país, mas teve jogo de cintura para escapar das armadilhas e deixar a sua boa vontade trabalhar. Como é bom encontrar gente que não age só visando interesses próprios, não?
Outro exemplo é o jovem Rene Silva, que ficou conhecido por relatar os acontecimentos da ocupação do Complexo do Alemão pela polícia do Rio de Janeiro, mas que, muito mais do que isso, criou o jornal Voz das Comunidades, que vem ajudando na resolução dos problemas da localidade.
Outro exemplo que achei fantástico foi o do Alessandro Martins, que colocou em prática uma ideia absurdamente simples, mas por isso mesmo genial: uma biblioteca livre numa padaria de Curitiba, onde qualquer pessoa pode pegar um livro sem se cadastrar, sem pagar e devolver a publicação quando quiser.
O encerramento do evento foi feito por Gil Giardelli, que, com uma palestra em ritmo alucinante, motivou por mostrar como o mundo digital é repleto de possibilidades pelo simples fato de ser movido pelo mesmo elemento-chave do mundo real: as pessoas, evidenciando que, na verdade, não há mundos distintos, apenas novos meios.
E há vários outros exemplos, que não menciono somente para não alongar demais o texto. Sabe, o TEDxCuritiba confrontou a crença de que esse tipo de discussão só trata de problemas. O que eu vi por lá, na verdade, foram soluções, iniciativas ou, ao menos, tentativas concretas.
Pegue, como referencial, o trabalho do Alessandro Martins. Trata-se de uma ideia tão simples, mas que pode fazer a diferença para pessoas que até então não se sentiam motivadas a ler. E mais: o fato de não haver cadastro ou prazo para a devolução do livro alimenta a sensação de confiança das pessoas, fazendo-as se sentirem parte de algo.
Percebe? É um trabalho simples, que não resolve os problemas do mundo e que, certamente, não atinge a mesma quantidade de pessoas que se beneficiam do projeto de transporte público do Jaime Lerner, por exemplo, mas que se torna absurdamente grandioso quando somado a outras iniciativas que fazem diferença à sociedade.
Saber de exemplos de corrupção, de má administração pública, de preconceito sexual, de violência, de educação ruim e de tantos outros problemas nos fazem ter a sensação de que não há mais jeito, que temos que ser espertos – e egoístas – para sobreviver ou, quando muito, para nos sobressairmos.
E essa sensação piora quando você se depara com pessoas que possuem maiores chances de se engajar em algo, mas que não se envolvem porque a sua inteligência, a sua cultura ou a sua situação financeira diferenciada é um merecimento que automaticamente a isenta de qualquer outra questão não relacionada aos seus interesses.
Mas, ter estado no TEDxCuritiba me fez perceber que, apesar dessa atmosfera de “ih, já era” ou de “ainda bem que não é comigo”, ainda tem muita gente de boa vontade por aí. Gente inquieta, que não se contenta, que não se conforma e que, portanto, enxerga possibilidades em coisas que parecem irracionais, mas que, na verdade, podem ser executadas com os pés nos chãos quando moldadas pela criatividade e pelo empenho.
E sabe o que é mais interessante? O TEDxCuritiba deixou claro que não precisamos liderar um grande projeto social ou colocar em prática uma ideia complexa para contribuirmos. Pequenas atitudes são uma boa maneira de começar. Coisas simples mesmo, por exemplo:
- Descartar lixo eletrônico em postos de coleta adequados (mesmo se der um pouco mais de trabalho);
- Ser paciente em incidentes no trânsito (mesmo quando você estiver com a razão);
- Dizer bom dia, por favor, e obrigado (por incrível que pareça);
- Doar os livros que só ocupam espaço na sua estante;
- Relatar na internet uma experiência que possa ajudar outra pessoa (como você lidou com um determinado tipo de cirurgia, por exemplo);
- Se queixar nos órgãos certos de problemas que você enfrentou como consumidor (sua reclamação pode evitar que outras pessoas passem por aquele problema);
- Doar sangue de vez em quando (algo inclusive que eu tenho que começar a fazer);
- Em uma situação trágica – um incêndio ou um acidente de trânsito – se manter longe do lugar caso não possa ajudar em nada;
- Preferir um produto que consome menos energia (mesmo se for um pouco mais caro);
- Deixar o carro na garagem quando o veículo puder ser facilmente substituído por outro meio de transporte.
Bom, para encerrar, links que encontrei para outros textos sobre o TEDxCuritiba:
- Design Thinking e o contexto urbano;
- TEDxCuritiba 2011 – Pessoas transformando cidades;
- Esse dia será lembrado como o dia em que um museu viveu de futuro;
- TEDxCuritiba, um evento que transformou a cidade;
- MonkeyBusiness no TEDxCuritiba;
- Como foi o TEDxCuritiba.
O recado é esse: mova-se! A vida se torna muito mais interessante quando levantamos a cabeça e deixamos de enxergar apenas o próprio umbigo
Ao som de Rush – Tom Sawyer.

Já não suporto mais encontrar como candidatos pessoas que não aparentam ter qualquer preparo para assumir um cargo público, assim como personalidades que utilizam de sua pseudo-fama para ocupar uma confortável cadeira nas câmaras municipais e levar uma boa soma mensal de dinheiro por isso, e candidatos a prefeito que fazem promessas absurdas e visivelmente focadas em atrair as camadas mais pobres da sociedade.