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5/10/2008

De novo: salve-se quem puder!

Por Emerson Alecrim

Eu estudei nela da 5ª à 8ª série. Sempre me impressiono com a sensação de que a escola era muito maior quando eu ia para lá de segunda à sexta. Bom, pelo menos nas minhas lembranças, ela é muito maior. Essa interessante experiência de nostalgia é a única coisa que salva o meu bom humor quando vou votar, porque quanto às eleições em si, há tempos que não tenho qualquer tipo de expectativa.

Assim, como faço desde 2004, votei nulo nas eleições municipais de hoje. E não votei como forma de protesto ou algo parecido, votei nulo simplesmente porque não encontrei candidatos que me convençam. Eu sei que pessoas bem intencionadas e merecedoras de votos existem. O problema é encontrá-las, ou melhor, ter paciência para encontrá-las, pois somos bombardeados de tal maneira com as bizarrices e as mesmices de sempre por parte da maioria dos candidatos, que é difícil ter ânimo para tentar achar alguém digno de voto.

Urna eletrônica com mensagem 'FIM, seu trouxa'Já não suporto mais encontrar como candidatos pessoas que não aparentam ter qualquer preparo para assumir um cargo público, assim como personalidades que utilizam de sua pseudo-fama para ocupar uma confortável cadeira nas câmaras municipais e levar uma boa soma mensal de dinheiro por isso, e candidatos a prefeito que fazem promessas absurdas e visivelmente focadas em atrair as camadas mais pobres da sociedade.

E não é para menos: é na população mais humilde e menos instruída que se concentra a maioria dos votos dos quais um candidato precisa, portanto, as campanhas políticas prometem novos hospitais, novas creches, bolsa-isso, bolsa-aquilo, obras que vão acabar com os problemas do trânsito, e assim se segue. É inegável que a maioria dessas propostas são interessantes, mas ninguém leva em conta que os custos de boa parte desses projetos são permanentes. Não basta construir, é preciso manter. A falta de uma política rigorosa de gastos públicos é UM DOS motivos que levam hospitais e escolas a não terem recursos suficientes para suas operações, que fazem com que funcionários públicos passem longos períodos sem reajuste salarial, que tornam as estradas opções interessantes para quem gosta de brincar com o perigo e assim por diante.

Mas, para aquela parcela da população que sofre todo dia em ônibus lotados, que não encontra assistência digna em hospitais, que vive à mercê de bandidos nas localidades mais pobres e que, mesmo assim, entra em alvoroço quando um político visita a sua região, isso não importa. Não importa porque essas pessoas não compreendem, não conseguem desenvolver um senso crítico apurado que as permitam enxergar o que estão, de fato, fazendo com o seu voto.

E é isso que me desanima. É isso que me faz cometer o erro de sequer avaliar as propostas dos candidatos que me parecem mais sérios. E aí, na prática, continuamos naquele círculo vicioso do “salve-se quem puder”…

Ao som de Anathema – Fragile dreams.

14:30 | Política | 1 comentário


28/9/2008

É, aprovaram a nova lei do estágio…

Por Emerson Alecrim

Uma coisa é certa: boa parte das empresas brasileiras que contratam estagiários o fazem principalmente porque esta é uma forma de se obter mão-de-obra barata. Eu mesmo passei por isso. Nos estágios que fiz durante a minha vida acadêmica, o meu nível de responsabilidade e cobrança era quase igual ao de funcionários experientes.

Por um lado isso é bom: faz você entrar no ritmo do que entendemos como mercado de trabalho, te ensina a lidar com outras pessoas e, obviamente, reforça os seus conhecimentos sobre a área que escolheu (desde que o estágio seja relacionado a essa área, é claro).

O problema é que, muitas vezes, a jornada de trabalho é tão puxada que atrapalha os seus estudos. Seu salário, ou melhor, sua bolsa-auxílio, corresponde à metade do salário de um funcionário com funções parecidas. Não ter direito a férias e a outros benefícios também é ruim, mas somente quando você percebe que o que te torna diferente de um funcionário é unicamente o que está escrito em sua carteira de trabalho, porque o resto é igual.

É claro que há exceções. Eu mesmo tive sorte de estagiar em uma multinacional que me ensinou muito, me deu responsabilidades que eu queria, me fez trabalhar em uma jornada de apenas 30 horas semanais, me pagava bem e, acima de tudo, respeitava a minha condição de estudante: se eu necessitasse faltar para fazer algum trabalho acadêmico ou mesmo para estudar para uma prova, bastava falar com a chefe e ficava tudo resolvido.

Mas, como eu disse, essa não é a realidade de boa parte das empresas. Certamente foi isso que fez com que uma nova lei de estágio fosse aprovada recentemente. Há várias mudanças que beneficiam o estagiário, como obrigatoriedade de férias, carga horária semanal limitada, contrato com duração de até 2 anos e número máximo de estagiários de acordo com a quantidade de funcionários. Neste último, se uma empresa tiver mais de 25 funcionários, por exemplo, poderá ter até 20% de estagiários.

Eu aprovo a nova lei e, para ser sincero, acho que ela chegou tarde, mas não posso negar que alguns problemas poderão ocorrer: diante das novas medidas, a quantidade de estágios disponíveis pode cair, portanto, muitos estudantes poderão ter maior dificuldade para ingressar no mercado de trabalho.

De qualquer forma, uma mudança se faz necessária. Estágio é estágio, não mão-de-obra barata! Para muitas empresas, contratar funcionários é difícil, eu sei, há muito ônus e tal, mas não vejo isso como desculpa para condicionar estagiários como solução para esse problema, principalmente quando o estudante é colocado em funções que em pouco ou nada lhe acrescentam.

Essa lei é muito recente, portanto, ainda é cedo para termos certeza dos impactos – positivos e negativos – que ela terá. Por isso, é importante ao estudante interessado em um estágio procurar vagas em empresas que realmente podem lhe trazer benefícios. Para encontrar essas empresas, procure dicas na internet, converse com colegas de escola ou faculdade que já estão inseridos no mercado de trabalho (quem sabe não rola o tradicional “QI”?) e, acima de tudo, esteja ligado em tudo o que acontece na área que escolheu. Se você se esforçar, certamente conseguirá encontrar um estágio que realmente é um estágio ;)

Ao som de The Aerium – Wanderer.

12:08 | Cotidiano,Política | 4 comentários


3/8/2008

Feiras de ciências – Parte 1

Por Emerson Alecrim

Em um período onde a educação já estava à beira do precipício, eu me orgulho de ter participado de quatro feiras de ciências durante a minha vida estudantil. Passei tanto o ensino fundamental (antigo 1º grau) quanto o ensino médio (antigo 2º grau) em escolas públicas, o que significa que falta de condições adequadas para os estudos era uma constante. Mesmo assim, durante as quatro feiras, alunos e professores conseguiram verdadeiras proezas!

A primeira feira de ciências que eu participei aconteceu quando eu estava na sexta série. No sorteio, a minha sala recebeu a função de criar, organizar e coordenar um ambiente de jogos de tabuleiro. O meu grupo ficou responsável pelos tabuleiros de dama. Um detalhe: todos os jogos tinham que ser montados por nós. Não podíamos simplesmente ir em uma loja e comprar os tabuleiros. A única exceção foi para o grupo responsável pelos jogos de futebol de botão.

A nossa sala ficou abarrotada de jogos: damas, xadrez, perguntas e respostas, futebol de botão, dominó, soletração, entre outros. Como conseqüência, a sala também ficou abarrotada de gente. Pais jogavam contra filhos, havia torcida para o futebol de botão, meus colegas de sala perdiam mais tempo ensinando o povo a jogar xadrez do que organizando as partidas em si. Os tabuleiros do meu grupo eram os mais disputados, afinal, todo mundo sabe jogar damas. As disputas entre as tampinhas de Coca-Cola e a tampinhas de Sprite duraram o dia todo. As pessoas faziam fila para entrar na nossa sala e reclamavam dos jogadores que já estavam dentro e demoravam para sair. Na única vez que abandonei o meu posto para descansar, fiquei surpreso ao saber que somente a nossa sala e sala que travava de sexualidade estavam disputadas.

Só ficamos realmente aliviados lá pelas 18 horas, quando todas as salas foram fechadas e o povo se dirigiu ao pátio para assistir às apresentações que aconteceriam ali. A primeira foi uma peça de teatro, com direito a beijo de novela! A segunda foi a apresentação de um coral (ou algo próximo a isso). A terceira e última atração foi um grupo de dança: meninas de 12 ou 13 anos com roupas curtas dançando uma música do Latino (Oh, baby me leva…).

Mundo de Beakman
Mundo de Bekman – fonte de inspiração das feiras

A segunda feira de ciências que eu participei aconteceu dois anos depois, quando eu estava na 8ª série. Desta vez, a minha sala teria que apresentar experiências científicas (justo em uma feira de ciências, que coisa, não?). Ao contrário da primeira feira, desta vez eu fiquei em um grupo bastante desorganizado. No final das contas, decidimos fazer um vulcão de argila que entrava em erupção com uma combinação de bicarbonato de sódio, água, mais alguma coisa para dar o aspecto de lava e outros produtos dos quais não lembro.

Nosso professor aceitou o trabalho, mas disse que, em comparação com os outros grupos, nossa proposta era muito fraca (pura implicância!), então teríamos que arranjar uma segunda experiência. Com menos de uma semana para a feira começar, arranjar um segundo trabalho era missão impossível. A coisa estava tão complicada que tentamos desmanchar o grupo de forma que cada integrante pudesse entrar em outro, mas não tivemos permissão do professor para isso.

Quando tudo parecia perdido, um canudo, um copo d’água e um pedaço de papel nos salvaram. Eu lembrei de uma experiência mostrada em um programa da TV Cultura (acho que o X-Tudo) que usava apenas esses materiais. Era um procedimento simples: eu teria que cortar o canudo de forma que uma parte ficasse maior que a outra. A parte maior tinha que ficar inserida dentro do copo com água. Com a parte menor, eu deveria fazer um ângulo de 90º graus com a parte maior. Com a outra ponta da parte menor, eu deveria soprar, soprar com força. O resultado era um tipo de spray feito totalmente à mão. A folha de papel servia justamente para receber os jatos de água.

Com desconfiança, nosso professor aceitou essa experiência, então, no dia da feira, lá estávamos, com uma mesa que continha um vulcão feito de argila e um copo d’água com um canudo cortado dentro. Sabe, os outros grupos tinham experimentos muito interessantes. Mostravam coisas se transformando dentro d’água, brincavam com jogos de ilusão de óptica, faziam uma cidade construída em maquete ser iluminada com uma mini-hidrelétrica, enfim. Naturalmente, durante o início da feira, as atenções ficaram concentradas nesses trabalhos.

O nosso vulcão, embora bem feito, não conseguia atrair a atenção dos visitantes, pois eles estavam ocupados com os outros experimentos. O jeito foi ficar lá, sentado, esperando algum interessado aparecer. Quem apareceu foi um integrante do nosso grupo, que faltava tanto às aulas que o chamávamos de “turista”. Ele chegou, olhou para nossa mesa, depois para as outras bancadas e falou: “guenta firme, aí”.

Um hora depois ele voltou trazendo uma caixa. Eu tive que sair assim que ele chegou, já que o nosso professor pediu para que eu ajudasse um outro grupo, já que eu não estava fazendo nada… ¬¬ Quando voltei, a situação era totalmente diferente. O “turista” fez todo um esquema de iluminação para chamar a atenção para o nosso grupo e, como se não bastasse, pediu para que seus amigos de skate fizessem propaganda do nosso trabalho na porta da escola.

A mudança foi da água para o vinho. Tivemos que correr para comprar mais bicarbonato e outros produtos, pois todo mundo queria ver o vulcão em ação. Uma das jogadas do “turista” foi justamente inserir um lâmpada debaixo da borda da boca do vulcão, dando, de fato, um aspecto de fogo à falsa lava. Para completar, ele ainda conseguiu um espacinho para colocar gelo seco e gerar fumaça. De quebra, eu mostrava ao pessoal que olhava o vulcão como funcionava o spray à base de canudo e água. Não preciso nem dizer que fiquei tonto várias vezes de tanto soprar.

No final das contas, o nosso grupo, que não tinha qualquer expectativa de fazer um bom trabalho, ficou com o segundo lugar de toda a escola. A votação foi feita pelos próprios visitantes da feira. Perdemos – adivinhe! – apenas para um grupo que tratou de sexualidade. O único problema é que até hoje estamos esperando o nosso prêmio, mas, enfim.

Quanto às outras duas feiras, continua no próximo capítulo. Até lá ;)

Ao som de Iced Earth – Blessed are you.

14:03 | Interessante,Política | 7 comentários


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