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4/1/2008

Conselho de amigo: pague à vista!

Por Emerson Alecrim

Sim, meus amigos, só faltou eu estourar champagne para comemorar o fim da CPMF. Não que esse imposto pesasse tanto no bolso, mas estou de saco cheio de dar BOA PARTE do meu dinheiro para o governo e ter como retorno estradas em péssimas condições, hospitais ruins, transporte público precário, educação falida, etc, etc e etc. A expectativa era a de que o governo compensasse as perdas com a extinção da CPMF gastando melhor o nosso suado dinheiro, mas, no fundo, todo mundo sabia que o assunto não morreria aí.

Em Brasília

E não morreu. Tão logo 2008 começou, o governo anunciou um pacote de medidas para evitar um rombo nos cofres públicos. Entre as novidades, está o aumento na cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Na prática, isso significa que, quando você comprar um produto a prazo, pagará juros ainda maiores.

Não é necessário ser especialista em economia para saber que compras financiadas nunca foram um bom negócio, embora muitas vezes isso seja inevitável. Agora, mais do que nunca, é necessário fazer esforço para comprar à vista. As vantagens são inúmeras, por exemplo:

- pagando à vista, é possível conseguir um desconto. Se o vendedor da loja se negar a negociar, basta dizer “ok, obrigado, vou comprar em outro lugar”;

- pagamento à vista lhe proporciona a ótima sensação de ter uma conta a menos para pagar no mês seguinte;

- ao parcelar um pagamento, você corre o risco de não conseguir honrar as dívidas e ter seu nome cadastrado em entidades de defesa ao crédito;

- pagando à vista você diminui sensivelmente as chances de perder o controle sob suas finanças.

É claro que há situações em que o pagamento à prazo é inevitável. Nestes casos, a dica é optar pelo menor número de parcelas possível. Isso porque, quanto mais parcelas um financiamento tiver, maiores serão os seus gastos. Além disso, pesquisar para saber qual empresa oferece taxa de juros menores também é uma prática a se considerar.

Por fim, fuja dos empréstimos bancários. Aperte o cinto, deixe de comprar, economize na cervejinha do fim de semana, mas não peça dinheiro emprestado aos bancos. Os juros são exorbitantes! Da mesma forma, não caia no truque do pagamento mínimo dos cartões de crédito. Pague a fatura de uma vez e, se necessário, cancele o seu cartão para evitar gastos maiores.

Por mais difícil que lhe pareça, coloque essas dicas em prática. Pelo menos, tente. A corrupção nunca deixará de existir, os impostos nunca diminuirão (no máximo, serão substituídos por outros, como o que vemos agora) e os bancos sempre tentarão extrair o máximo de você. Portanto, uma reação, por menor que seja, pode diminuir os furos existentes no seu bolso…

Ao som de Kamelot – Silence of darkness.

16:24 | Política | 7 comentários


29/9/2007

Deviam usar o nome correto!

Por Emerson Alecrim

Esse papo todo da prorrogação da CPMF já está enchendo o saco, mesmo porque todo mundo sabe que vamos continuar pagando esse maldito imposto. O problema, na minha opinião, não é pagar, mas saber que esse dinheiro não vai ser usado para os propósitos iniciais, mas enfim…

Em Brasília

Confesso, no entanto, que fico pensando no desrespeito ao cidadão brasileiro. Não, não estou falando da corrupção ou do mau uso do dinheiro público, já que isso não tem jeito mesmo, estou falando do nome enganoso da CPMF, sigla para Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira ou Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (amém).

A manutenção da palavra Provisória na sigla é uma sátira, só pode ser. O correto seria substituí-la por Permanente ou por Prorrogável ou, ainda, sendo mais ousado, por Partidária.

No dia em que corrigirem o significado de CPMF utilizando uma dessas palavras, terei a certeza de que o governo trabalha em prol dos interesses dos brasileiros. Afinal, se é para continuar passando a mão no nosso dinheiro, que isso seja feito da maneira mais correta possível, concorda?

Ao som de Kamelot – EdenEcho.

9:46 | Política | 4 comentários


15/8/2007

A canseira do Cansei

Por Emerson Alecrim

Assim como um bebê conta com o choro para expressar seus anseios, o povo conta com o protesto para expressar sua insatisfação. Um protesto bem feito requer tempo, paciência, persistência e, acima de tudo, grande adesão. É possível encontrar todos esses elementos e incentivos para mantê-los quando um protesto é bem organizado e direcionado. Pensei que o movimento Cansei teria boas chances de somar todas essas características, todavia, ao buscar mais informações, descobri que a coisa não era tão simples e harmônica assim…

Não lembro se foi por e-mail ou se foi em algum noticiário que tomei conhecimento do Cansei. Para quem não sabe, trata-se de um movimento que convida o povo a comparecer em frente à Catedral da Sé, em São Paulo, no dia 17 de agosto (2007) para fazer um minuto de silêncio em protesto contra todos os problemas que estamos enfrentando no país. De acordo com o site da campanha, a iniciativa já conta com a participação de artistas, personalidades famosas, empresários, formadores de opinião e representantes de entidades religiosas. Na frente de tudo, está a OAB de São Paulo.

Até aí, nada de mais, correto? Bom, de início, confesso que estranhei a falta de incentivo à participação do público jovem, isto é, dos estudantes. Mas pouco me prendi a essa questão, já que o protesto faz um convite a toda população, sem distinção de idade ou de atividade. Passei então a ler o conteúdo oferecido na própria página do movimento Cansei, decisão essa que resultou em uma grande surpresa: a Philips do Brasil está apoiando a causa, inclusive meteu a mão no bolso para veicular campanhas publicitárias!

Oras, como uma empresa de nível internacional ousa se meter em assuntos estritamente políticos? De certo que a iniciativa partiu do presidente da Philips do Brasil, Paulo Zottolo que, como qualquer cidadão, tem o direito de expressar sua indignação com os problemas que afetam o país, mas só o deve fazer usando o próprio nome. Se ele coloca o nome da própria empresa no meio dessa história, é porque quer posicioná-la integralmente no assunto, coisa que um executivo só faria sem o alvará da matriz se estiver louco. Na minha opinião, isso quer dizer que a Philips tem algum interesse nisso, e provavelmente não são as questões sociais. O que será, então?

Fiquei intrigado. Comecei então a pesquisar mais pelo assunto, mas essa pesquisa durou pouco. Por quê? Porque eu cansei, assim, logo de cara. A mídia resume o movimento e todas as manifestações contrárias ao protesto como sendo uma guerra onde um lado é a favor do governo Lula e o outro, contra. Essa visão é entendida por alguns como sendo também uma disputa “pró PT” versus “contra PT”. Mas aí Zottolo diz à Folha que o movimento Cansei é um ato de indignação contra os problemas que afetam o país, não contra o governo. Se é assim, por que João Dória foi envolvido na história, justamente um dos apoiadores de Geraldo Alckmin? E, novamente pergunto, o que a Philips tem a ver com isso?

Não sei e dificilmente saberei, mas estou certo de que tem alguma coisa estranha aí. Não existe almoço grátis, logo é possível que haja outros interesses por trás dessa campanha. No final das contas, vai tudo continuar a mesma merda de sempre: vamos continuar convivendo com o caos aéreo, com a violência descarada, com os escândalos no governo, com as greves, com a burocracia excessiva, com impostos altos, com os buracos nas estradas, com a educação falida, enfim. Isso cansa, viu? E como cansa…

Referências: Folha, Notidiasdot.com, UOL News, Google News.

Ao som de Legião Urbana – Faroeste Caboclo.

10:25 | Política | 2 comentários


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