Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Arquivo para ‘Política’

Feiras de ciências – Parte 1

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Em um período onde a educação já estava à beira do precipício, eu me orgulho de ter participado de quatro feiras de ciências durante a minha vida estudantil. Passei tanto o ensino fundamental (antigo 1º grau) quanto o ensino médio (antigo 2º grau) em escolas públicas, o que significa que falta de condições adequadas para os estudos era uma constante. Mesmo assim, durante as quatro feiras, alunos e professores conseguiram verdadeiras proezas!

A primeira feira de ciências que eu participei aconteceu quando eu estava na sexta série. No sorteio, a minha sala recebeu a função de criar, organizar e coordenar um ambiente de jogos de tabuleiro. O meu grupo ficou responsável pelos tabuleiros de dama. Um detalhe: todos os jogos tinham que ser montados por nós. Não podíamos simplesmente ir em uma loja e comprar os tabuleiros. A única exceção foi para o grupo responsável pelos jogos de futebol de botão.

A nossa sala ficou abarrotada de jogos: damas, xadrez, perguntas e respostas, futebol de botão, dominó, soletração, entre outros. Como conseqüência, a sala também ficou abarrotada de gente. Pais jogavam contra filhos, havia torcida para o futebol de botão, meus colegas de sala perdiam mais tempo ensinando o povo a jogar xadrez do que organizando as partidas em si. Os tabuleiros do meu grupo eram os mais disputados, afinal, todo mundo sabe jogar damas. As disputas entre as tampinhas de Coca-Cola e a tampinhas de Sprite duraram o dia todo. As pessoas faziam fila para entrar na nossa sala e reclamavam dos jogadores que já estavam dentro e demoravam para sair. Na única vez que abandonei o meu posto para descansar, fiquei surpreso ao saber que somente a nossa sala e sala que travava de sexualidade estavam disputadas.

Só ficamos realmente aliviados lá pelas 18 horas, quando todas as salas foram fechadas e o povo se dirigiu ao pátio para assistir às apresentações que aconteceriam ali. A primeira foi uma peça de teatro, com direito a beijo de novela! A segunda foi a apresentação de um coral (ou algo próximo a isso). A terceira e última atração foi um grupo de dança: meninas de 12 ou 13 anos com roupas curtas dançando uma música do Latino (Oh, baby me leva…).

Mundo de Beakman
Mundo de Bekman – fonte de inspiração das feiras

A segunda feira de ciências que eu participei aconteceu dois anos depois, quando eu estava na 8ª série. Desta vez, a minha sala teria que apresentar experiências científicas (justo em uma feira de ciências, que coisa, não?). Ao contrário da primeira feira, desta vez eu fiquei em um grupo bastante desorganizado. No final das contas, decidimos fazer um vulcão de argila que entrava em erupção com uma combinação de bicarbonato de sódio, água, mais alguma coisa para dar o aspecto de lava e outros produtos dos quais não lembro.

Nosso professor aceitou o trabalho, mas disse que, em comparação com os outros grupos, nossa proposta era muito fraca (pura implicância!), então teríamos que arranjar uma segunda experiência. Com menos de uma semana para a feira começar, arranjar um segundo trabalho era missão impossível. A coisa estava tão complicada que tentamos desmanchar o grupo de forma que cada integrante pudesse entrar em outro, mas não tivemos permissão do professor para isso.

Quando tudo parecia perdido, um canudo, um copo d’água e um pedaço de papel nos salvaram. Eu lembrei de uma experiência mostrada em um programa da TV Cultura (acho que o X-Tudo) que usava apenas esses materiais. Era um procedimento simples: eu teria que cortar o canudo de forma que uma parte ficasse maior que a outra. A parte maior tinha que ficar inserida dentro do copo com água. Com a parte menor, eu deveria fazer um ângulo de 90º graus com a parte maior. Com a outra ponta da parte menor, eu deveria soprar, soprar com força. O resultado era um tipo de spray feito totalmente à mão. A folha de papel servia justamente para receber os jatos de água.

Com desconfiança, nosso professor aceitou essa experiência, então, no dia da feira, lá estávamos, com uma mesa que continha um vulcão feito de argila e um copo d’água com um canudo cortado dentro. Sabe, os outros grupos tinham experimentos muito interessantes. Mostravam coisas se transformando dentro d’água, brincavam com jogos de ilusão de óptica, faziam uma cidade construída em maquete ser iluminada com uma mini-hidrelétrica, enfim. Naturalmente, durante o início da feira, as atenções ficaram concentradas nesses trabalhos.

O nosso vulcão, embora bem feito, não conseguia atrair a atenção dos visitantes, pois eles estavam ocupados com os outros experimentos. O jeito foi ficar lá, sentado, esperando algum interessado aparecer. Quem apareceu foi um integrante do nosso grupo, que faltava tanto às aulas que o chamávamos de “turista”. Ele chegou, olhou para nossa mesa, depois para as outras bancadas e falou: “guenta firme, aí”.

Um hora depois ele voltou trazendo uma caixa. Eu tive que sair assim que ele chegou, já que o nosso professor pediu para que eu ajudasse um outro grupo, já que eu não estava fazendo nada… ¬¬ Quando voltei, a situação era totalmente diferente. O “turista” fez todo um esquema de iluminação para chamar a atenção para o nosso grupo e, como se não bastasse, pediu para que seus amigos de skate fizessem propaganda do nosso trabalho na porta da escola.

A mudança foi da água para o vinho. Tivemos que correr para comprar mais bicarbonato e outros produtos, pois todo mundo queria ver o vulcão em ação. Uma das jogadas do “turista” foi justamente inserir um lâmpada debaixo da borda da boca do vulcão, dando, de fato, um aspecto de fogo à falsa lava. Para completar, ele ainda conseguiu um espacinho para colocar gelo seco e gerar fumaça. De quebra, eu mostrava ao pessoal que olhava o vulcão como funcionava o spray à base de canudo e água. Não preciso nem dizer que fiquei tonto várias vezes de tanto soprar.

No final das contas, o nosso grupo, que não tinha qualquer expectativa de fazer um bom trabalho, ficou com o segundo lugar de toda a escola. A votação foi feita pelos próprios visitantes da feira. Perdemos – adivinhe! – apenas para um grupo que tratou de sexualidade. O único problema é que até hoje estamos esperando o nosso prêmio, mas, enfim.

Quanto às outras duas feiras, continua no próximo capítulo. Até lá ;)

Ao som de Iced Earth – Blessed are you.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

3/8/2008 - 14:03

Postado em Interessante, Política

Conselho de amigo: pague à vista!

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Sim, meus amigos, só faltou eu estourar champagne para comemorar o fim da CPMF. Não que esse imposto pesasse tanto no bolso, mas estou de saco cheio de dar BOA PARTE do meu dinheiro para o governo e ter como retorno estradas em péssimas condições, hospitais ruins, transporte público precário, educação falida, etc, etc e etc. A expectativa era a de que o governo compensasse as perdas com a extinção da CPMF gastando melhor o nosso suado dinheiro, mas, no fundo, todo mundo sabia que o assunto não morreria aí.

Em Brasília

E não morreu. Tão logo 2008 começou, o governo anunciou um pacote de medidas para evitar um rombo nos cofres públicos. Entre as novidades, está o aumento na cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Na prática, isso significa que, quando você comprar um produto a prazo, pagará juros ainda maiores.

Não é necessário ser especialista em economia para saber que compras financiadas nunca foram um bom negócio, embora muitas vezes isso seja inevitável. Agora, mais do que nunca, é necessário fazer esforço para comprar à vista. As vantagens são inúmeras, por exemplo:

- pagando à vista, é possível conseguir um desconto. Se o vendedor da loja se negar a negociar, basta dizer “ok, obrigado, vou comprar em outro lugar”;

- pagamento à vista lhe proporciona a ótima sensação de ter uma conta a menos para pagar no mês seguinte;

- ao parcelar um pagamento, você corre o risco de não conseguir honrar as dívidas e ter seu nome cadastrado em entidades de defesa ao crédito;

- pagando à vista você diminui sensivelmente as chances de perder o controle sob suas finanças.

É claro que há situações em que o pagamento à prazo é inevitável. Nestes casos, a dica é optar pelo menor número de parcelas possível. Isso porque, quanto mais parcelas um financiamento tiver, maiores serão os seus gastos. Além disso, pesquisar para saber qual empresa oferece taxa de juros menores também é uma prática a se considerar.

Por fim, fuja dos empréstimos bancários. Aperte o cinto, deixe de comprar, economize na cervejinha do fim de semana, mas não peça dinheiro emprestado aos bancos. Os juros são exorbitantes! Da mesma forma, não caia no truque do pagamento mínimo dos cartões de crédito. Pague a fatura de uma vez e, se necessário, cancele o seu cartão para evitar gastos maiores.

Por mais difícil que lhe pareça, coloque essas dicas em prática. Pelo menos, tente. A corrupção nunca deixará de existir, os impostos nunca diminuirão (no máximo, serão substituídos por outros, como o que vemos agora) e os bancos sempre tentarão extrair o máximo de você. Portanto, uma reação, por menor que seja, pode diminuir os furos existentes no seu bolso…

Ao som de Kamelot – Silence of darkness.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

4/1/2008 - 16:24

Postado em Política

Deviam usar o nome correto!

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Esse papo todo da prorrogação da CPMF já está enchendo o saco, mesmo porque todo mundo sabe que vamos continuar pagando esse maldito imposto. O problema, na minha opinião, não é pagar, mas saber que esse dinheiro não vai ser usado para os propósitos iniciais, mas enfim…

Em Brasília

Confesso, no entanto, que fico pensando no desrespeito ao cidadão brasileiro. Não, não estou falando da corrupção ou do mau uso do dinheiro público, já que isso não tem jeito mesmo, estou falando do nome enganoso da CPMF, sigla para Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira ou Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (amém).

A manutenção da palavra Provisória na sigla é uma sátira, só pode ser. O correto seria substituí-la por Permanente ou por Prorrogável ou, ainda, sendo mais ousado, por Partidária.

No dia em que corrigirem o significado de CPMF utilizando uma dessas palavras, terei a certeza de que o governo trabalha em prol dos interesses dos brasileiros. Afinal, se é para continuar passando a mão no nosso dinheiro, que isso seja feito da maneira mais correta possível, concorda?

Ao som de Kamelot – EdenEcho.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

29/9/2007 - 9:46

Postado em Política