O problema são as pessoas
Por Emerson Alecrim
Vou te falar uma coisa: trabalhar em qualquer das áreas da computação não é uma tarefa fácil. O problema não são os computadores, não! Mais cedo ou mais tarde, a gente se entende com eles. O problema são as pessoas! Sabe, mesmo que um profissional da computação não trabalhe com suporte técnico, é conveniente ter algum preparo para lidar com as pessoas, pois para quem não é da área, todo mundo é um técnico de informática. São poucas as pessoas que entendem que, assim como a medicina possui várias especialidades, a computação também as tem: há quem seja especialista em banco de dados, há quem seja especialista em redes, há quem seja especialista em segurança, há quem seja desenvolvedor, etc.
Ninguém é obrigado a entender os detalhes que cercam nossa área, então fazemos o possível para facilitar a vida dos usuários dos nossos serviços. O problema é que nem sempre as pessoas entendem que é não fácil deixar tudo funcionando. Problemas acontecem e, muitas vezes, não sabemos a causa de imediato, o que nos força a investigar. Investigação requer algum tempo e, por conta disso, muita gente acha que estamos enrolando e que o problema, seja ele qual for, é culpa nossa. Está certo que, muitas vezes, é mesmo, mas nem sempre é assim. Um simples defeito em um equipamento pode pôr tudo a perder e nem sempre é fácil descobrir onde, exatamente, está o problema.
Aí sobram xingamentos, ligações de chefes, “eu vou perder o meu projeto por sua culpa”, “com quem eu reclamo?”, “quem é o seu supervisor?” e o diabo a quatro. Mas, somos pacientes, quebramos a cabeça, fazemos coisas que, em outras dimensões, devem ser impossíveis. Logo, tudo volta a funcionar. Daí as reclamações cessam, os chefes param de sacudir o chicote e nós corremos para o bar desafogar o estresse, afinal, o garçom e a cerveja são os únicos que não nos torram a paciência.
Aí vem o dia seguinte. Tudo está correndo bem, então a gente pode cuidar dos nossos afazeres do ponto em que paramos. Mas aí, de repente, alguém bate na porta. Aquele mesmo desgraçado que estava te xingando ontem entra sorridente, dizendo aquele “bom dia” de quem é a pessoa mais feliz do mundo e, em mãos, traz um laptop:
- Estou com um probleminha aqui e preciso da ajuda de vocês…
- Ah, entendo, mas nós não somos do suporte técnico…
- Ah, mas vocês são da informática…
Mesmo não tendo obrigação nenhuma, a gente ajuda o indivíduo, algumas vezes para se livrar logo dele para voltarmos às nossas atividades, afinal, também temos nossas obrigações, não ficamos o dia todo esperando alguém aparecer para ser ajudado.
Profissionais de TI (Tecnologia da Informação) também têm vida e, muitas vezes, precisamos lidar com assuntos que não dominamos. Aí, eu procuro um contador para tirar uma dúvida sobre imposto de renda, mas ele diz que só lida com assuntos contábeis da própria empresa e, para assuntos particulares, cobra uma pequena comissão, para não desvalorizar seu conhecimento. Significa então que, no dia em que eu te ajudei a resolver um problema no SEU computador, eu deveria ter cobrado também? Ah, mas informática é diferente…
Eu desligo o telefone torcendo para que esse indivíduo tenha um problema em seu computador e volte a me procurar. Mas a sede de vingança logo é esquecida porque eu ainda tenho um problema e não consigo achar a solução. Já que é para pagar, ligo para outro contador - um que eu nunca conversei antes e nunca pediu minha ajuda - e pergunto quanto ele cobra para esclarecer uma dúvida. Ele pergunta o que eu quero saber, dá os esclarecimentos, se nega a cobrar e ainda diz que, se eu precisar de ajuda novamente, é só ligar para ele. Poxa!
Bom, vem mais um dia. O telefone toca, alguém diz que algo não está funcionando. Após conferir, vejo que o problema foi uma falha grosseira de um colega… Não! O erro foi meu mesmo! Bom, aí explico, peço desculpas e me preparo para ouvir os tradicionais xingamentos: ah, tudo bem. Você dá uma ligadinha pra mim quando estiver tudo ok?
É por isso que eu digo, independente do que esteja acontecendo, o maior problema são as pessoas. Você nunca sabe a reação dos outros, da mesma forma que os outros nunca sabem qual é a sua reação. Daí, há conflitos quando poderia haver compreensão e compreensão quando poderia haver conflitos. A verdade é que, no fundo, vivemos criando problemas para as nossas soluções…
PS: a imagem que aparece neste texto é a capa do disco Division Bell, do Pink Floyd. O álbum trata da falta de comunicação entre as pessoas.
Ao som de Tarja Turunen - Walking in the air.
3:15 | Reflexão | 4 comentários
Hoje, 18 de fevereiro de 2008, é o primeiro dia do ano para muita gente, em especial para alunos de vários colégios, faculdades e universidades espalhadas por aí. Por trabalhar nessa área, sei que todo ano acontece a mesma coisa: no início do semestre letivo, os calouros estão pra lá de empolgados com a nova jornada. Quando chegarem ao final do semestre, muitos estarão em um verdadeiro estado de nervos! Até
É sério, Harvard tem mesmo esse curso, e ele é bastante procurado, mesmo custando 700 dólares. Mas, sinceramente, eu vejo esse tipo de ensinamento com desconfiança desde que assisti a palestras que abordavam motivação emocional e temas semelhantes. Não que elas contenham somente instruções inúteis ou ineficazes, mas é porque, dependendo do caso, tenho a impressão de que ensinam os expectadores a tampar o sol com a peneira.
No final de 2006, o Bruno Alves me convidou para
Um post clichê e ironicamente diferente do anterior, é verdade, mas acontece que a última quinta-feira, 6 de setembro, foi uma data esquisita. Foi o dia em que o mundo sentiu a morte de Luciano Pavarotti (mas o dia não foi estranho só por isso, logo você verá). Apesar de não ser um fã de carteirinha desse italiano nascido em 1935, desde de criança lhe tinha grande respeito. Lembro até de tê-lo visto na TV ao lado de José Carreras e Plácido Domingo numa noite qualquer, logo depois de ter chegado em casa com a minha mãe. Aquelas três vozes poderosas me impressionaram, e eu, com a certeza que só as crianças tem, disse que um dia cantaria de igual forma.