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23/9/2009

Seu Raimundo

Por Emerson Alecrim

Um garoto de uma escola do Rio Grande do Sul pichou a sala de aula logo após o prédio ter sido pintado graças a um mutirão organizado na região, de acordo com esta notícia publicada no G1. Indignada, uma professora ordenou que o garoto pintasse o muro atingido por sua “arte” e aparentemente outros também. Um segundo aluno filmou a cena e, no vídeo, percebe-se que o jovem infrator ficou bastante constrangido. O assunto recebeu destaque nos noticiários, pois os pais do garoto acharam que a punição foi muito severa. Eu discordo.

Quando eu estava na quarta série do que hoje conhecemos como ensino fundamental, entrei para uma escola pública que acabara de ser inaugurada. Os primeiros dias foram calmos, afinal, o ambiente era novidade para todo mundo, incluindo professores. Mas os dias seguintes também. Tudo por causa do Seu Raimundo.

Seu Raimundo era o inspetor da escola. Um homem já de certa idade, mas de aparência forte e cara de poucos amigos. Na hora da entrada e no final do recreio (palavra que eu tive que substituir por “intervalo” na faculdade…), todos os alunos tinham que ir para a fila da sua turma e aguardar o horário das professoras nos conduzirem para as salas de aula. Podíamos conversar livremente enquanto aguardávamos, mas no horário em que as professoras apareciam, tínhamos que esticar o braço para demarcar distância do aluno da frente, corrigir esse espaço, abaixar o braço e ficar quieto. Sim, quase como em um exército. Coisa do Seu Raimundo.

Absurdo? Que nada. Seu Raimundo era a figura de uma autoridade para nós. Ninguém o obedecia por medo (bom, talvez um pouco), mas por respeito. Apesar do ar de frieza, ele conversava com os alunos, brincava quando o momento era apropriado, sabia dar bronca, assim como sabia quando pegar pesado.

Seu Raimundo tinha uma deficiência física que o fazia mancar e, certa vez, no recreio, ele flagrou um aluno imitando-o. Nesse momento, a sirene tocou, então os alunos se dirigiram para as suas respectivas filas. Quando todas estavam formadas, Seu Raimundo exigiu que o garoto que o imitou ficasse parado em frente às filas com os braços abertos por um minuto. Imagine a cena: a escola toda em um “silêncio ensurdecedor” e todos os alunos olhando para o moleque com os braços esticados e com os olhos já marejados de vergonha.

A punição durou apenas um minuto, mas deve ter sido uma eternidade para o garoto. Foi humilhante? Foi. O Seu Raimundo deveria ir preso? Pelo contrário! Eu lembro bem: aquele garoto estava se deixando influenciar pelos coleguinhas mais inconsequentes porque queria parecer “um cara legal” na frente dos outros. Aquele episódio fez com que ele repensasse seus atos e voltasse a respeitar os limites. Sem contar que essa e outras punições do Seu Raimundo serviam de exemplo para os demais alunos.

Imagem do Bart Simpson escrevendo no quadro negro 'Não vou mais traduzir o nome Alecrim para o inglês'

O que aquele senhor fazia era criar um ambiente de respeito. Eles, os professores e os funcionários da escola, mesmo as faxineiras, tinham que ser respeitados como autoridades. Isso ficava claro para nós. E não pense que vivíamos em um ambiente hostil, não. Brincávamos, dávamos risadas, aprontávamos algumas de vez em quando, mas tudo sem ultrapassar os limites.

Eu não sou educador nem nada do tipo, mas essa e outras experiências que tive quando estudante me mostraram que, algumas vezes, é necessário pegar pesado com as crianças. Além de conversar e orientar, de vez em quando os pais devem falar alto, dar umas palmadas, cortar mesada, botar de castigo, entre outros. Na escola, os educadores devem dar advertências, aplicar suspensão ou condicionar o aluno infrator a um tipo de punição mais severa e que esteja de acordo com a gravidade do ato cometido.

Pichou o muro? Bota pra pintar a parede de novo, na frente de todo mundo! Concordo com o que aquela professora fez. O aluno se sentiu humilhado? Provavelmente sim, mas ele vai aprender a lidar com isso e, talvez, com essa medida, ele vai entender que este mundo não é isento de limites. Ao contrário do que boa parte dos discursos “modernos” empregam, eu acredito que humilhação às vezes é necessário. Se a punição for bem aplicada, a criança entenderá que aquilo é consequência de seus atos, não da chatice do pai ou do professor.

As reportagens sobre o assunto afirmam que o tal aluno se sentiu tão constrangido que não vai às aulas tem mais de uma semana. Na minha opinião, o que os pais devem fazer agora é tentar orientar o garoto a encarar seus problemas de frente. Se a coisa for mesmo mais séria, é hora de procurar ajuda profissional, pois a negação do aluno de voltar à escola e talvez o próprio ato de pichar sejam consequência de algum problema que começou muito antes.

No dia em que te imitei, eu fiquei envergonhado e com muita raiva do senhor, Seu Raimundo. Mas, hoje eu te agradeço por ter dado uma pequena contribuição com a formação do meu caráter.

Ao som de Opeth – Hope Leaves.

15:07 | Reflexão | 1 comentário


4/8/2009

É como jogar xadrez no escuro

Por Emerson Alecrim

No dia 1º de julho de 2009 eu deixei meu emprego de “carteira assinada” para me dedicar exclusivamente a um projeto que toco desde 2001: o site InfoWester. Pode parecer apenas a realização do desejo de me tornar meu próprio patrão, mas não é só isso. Na verdade, foi uma decisão difícil de ser tomada, pois ela representa também a minha necessidade de “virar a página”…

Explico: comecei o InfoWester em março de 2001 meramente como um hobby. Eu havia adentrado no “mundo on-line” havia pouco tempo e quando “ganhei” o espaço www.wester.hpg.com.br (veio junto com uma conta de e-mail que criei), decidi “brincar” de ter um site na Web. Gostei tanto da ideia, que logo no início senti a necessidade de levar aquilo com mais seriedade, mas nem me passava pela cabeça que aquele site um dia iria me sustentar…

Foi mais ou menos nessa época que eu também comecei a trabalhar de “carteira assinada”. Meu primeiro emprego foi, na verdade, um estágio na faculdade na qual estudava. Um ano e meio depois, eu recebi a minha primeira demissão, mas na semana seguinte eu já estava estagiando em outra empresa. E assim foi indo.

Me formei, arranjei emprego fixo e, ao mesmo tempo, passei a me dedicar pra valer ao InfoWester. Sim, o site tinha virado coisa séria desde que ele se transformou em um .com, em junho de 2003.

O problema é que, obviamente, o tempo foi passando e aos poucos eu fui descobrindo que caí numa rotina. Rotina, para mim, significa andar, andar e andar, mas não sair do lugar. Ou simplesmente andar em círculos e começar a ficar entediado já na segunda volta, graças à repetição da paisagem.

Foi daí que eu percebi que o que me movia na época da faculdade era justamente a coisa que eu mais detestava naquela fase: as mudanças. Mudanças de estágio, mudanças de matérias, enfim, qualquer tipo de mudança que exigisse um pouco de adaptação. Portanto, creio que eu não odiava mudanças, apenas não as aceitava bem no início.

Eu enfrentava muitos problemas no meu último emprego (assim como enfrentei nos meus empregos anteriores, como acontece com qualquer pessoa). Sobrecarga de trabalho, salário não adequado às minhas atividades (bom, todo mundo acha que ganha pouco), estresse, etc. Toda vez que eu me irritava com alguma coisa pensava em sair, mas logo eu esfriava a cabeça e tocava o barco pra frente, afinal de contas, a razão me dizia que eu poderia ter sérios problemas financeiros se o fizesse, mesmo sabendo que o site já rendia muito mais que o próprio emprego.

Em maio deste ano, numa desavença que eu tive com meu chefe, disse a mim mesmo que não daria mais para continuar, assim como já havia dito isso muitas vezes antes. No entanto, ao mesmo tempo, percebi que o InfoWester havia parado de crescer. Ou seja, o site estava exatamente na mesma situação que eu: andando em círculos. E, diante das circunstâncias, fazê-lo andar em linha reta novamente seria um grande desafio.

Sim, no mesmo instante eu notei que havia dito a palavra mágica, por mais clichê que ela fosse. Era naquele momento ou nunca: ou eu me conformava com a minha rotina e permanecia andando em círculos, deixando o InfoWester fazer o mesmo, ou eu unia forças com o site e encarava o desafio de atingir um objetivo novo, não importando se, novamente, isso soasse como clichê. Mas, como tudo no que conhecemos como vida real, as consequências poderiam ser terríveis… Mas também poderiam ser boas, oras!

Fiz um plano e, em obediência a ele, 15 dias depois comuniquei formalmente aos meus superiores a minha decisão de sair. Aquele momento foi interessante: parecia que eu estava sendo absolvido de uma pena, que consistia em viver recluso na rotina. Entenda: por mais que eu pensasse que mudanças fossem ruins, a verdade é que eu nunca me conformei com a acomodação. Então, ao pedir minha demissão, era como se eu fosse o réu absolvido e o próprio juiz.

Muita gente que soube da notícia me parabenizou dizendo que agora eu poderia acordar na hora que eu quisesse, que eu não pegaria mais ônibus lotado todas as manhãs, que poderia trabalhar de pijama e coisas do tipo. Isso, até certo ponto, não deixa de ser verdade. Entretanto, a situação agora é equivalente a estar jogando xadrez no escuro. Bem dizer, sempre foi, mas a diferença é que agora, apesar da escuridão, eu finalmente posso ver quem é o meu adversário: é como se eu estivesse me olhando no espelho.

Ilustração de xadrez em preto e branco

Eu já disse que adoro xadrez? ;)

Ao som de Opeth – Beneath the Mire.

0:19 | Reflexão | 1 comentário


26/4/2009

Aniversariante do dia: acidente de Chernobyl

Por Emerson Alecrim

Eu não planejava postar nada por aqui hoje, mas meio que por acaso descobri que 26 de abril de 2009 é a data de aniversário de 23 anos do maior acidente nuclear da história: a explosão da Usina de Chernobyl, na Ucrânia, mas precisamente de seu reator número 4. Em geral, aniversários servem para ser comemorados, mas este é para ser lembrado mesmo, afinal de contas, as consequências desse acontecimento não têm data para acabar.

Para muitos dos que não vivenciaram a tragédia, o acontecimento de Chernobyl, inicialmente, é apenas um detalhe histórico. Mas não se trata de um problema isolado e do tipo “pronto, já passou”. Mais de 20 anos depois, o evento impressiona, não só pelo o que aconteceu, mas também pelo o que ainda acontece. Eis alguns fatos sobre o desastre:

- É notório que autoridades tentaram ocultar fatos da tragédia para amenizar seus efeitos e suas consequências políticas. O desastre só foi reconhecido como tal dias depois do ocorrido;

- Fala-se, oficialmente, em cerca de 4 mil mortes, mas esse número é fora da realidade se levarmos em conta que os efeitos da radiação são sentidos em geração após geração das pessoas que tiveram sua saúde afetada pela tragédia. Além disso, muitos indivíduos que trabalharam no socorro e nas investigações morreram posteriormente por doenças muito provavelmente causadas pela radiação, com destaque ao câncer;

- “Nuvens” de radiação se espalharam para vários pontos da Ex-União Soviética e para trechos da Europa, portanto, é um erro pensar que se trata de um problema limitado a um único ponto geográfico;

- Estima-se que mais de 600 mil pessoas trabalharam nas operações de socorro e evacuação da região. Muitas delas foram expostas a níveis altíssimos de radiação;

- Muitas crianças da época e descendentes dos afetados ou de famílias residentes em áreas atingidas pela radiação nasceram com deficiências físicas ou com problemas sérios de saúde, como câncer, retardo mental, hidrocefalia, entre outros, tal como exemplificam as fotos abaixo;

Crianças com problemas de saúde. Imagem por Robert Knoth.
Esquerda: garota com microcefalia e garoto com retardo mental;
Direita: criança com hidrocefalia.
Imagens por Robert Knoth.

- A região de Pripyat, onde está localizada a usina, assim como várias localidades próximas, foram entregues ao abandono, como se o tempo ali tivesse estacionado. Centenas de vilarejos se encontram desabitados:

Imagem de Pripyat

Imagem de Pripyat

Imagem de Pripyat
Imagens de Pripyat extraídas deste site.

- Uma proteção chamada de “sarcófago” foi construída para “cobrir” o reator da unidade 4 e parar a propagação de radiação. Essa solução, no entanto, é limitada e o sarcófago há tempos apresenta problemas estruturais. Por isso, uma nova construção está em planejamento para proporcionar um isolamento ainda maior;

Sarcófago de Chernobyl
O “sarcófago” de Chernobyl. Foto extraída desta página.

- A tal proteção, no entanto, não é garantia de segurança por dois motivos: 1) há muitas áreas com concentrações elevadas de radiação, o que obviamente explica o isolamento da região; 2) tal como o sarcófago, a nova construção também é uma medida paliativa;

- Nós sempre nos referimos às pessoas atingidas pelo desastre, no entanto, pouca gente se dá conta de que populações de animais também compartilham dessa desgraça;

- A explosão em Chernobyl gerou cerca de 100 vezes a quantidade de radiação das bombas jogadas sobre Hiroshima e Nagasaki juntas.

Eu disse no início do texto que o acidente de Chernobyl precisa ser lembrado. No entanto, quando eu falo em lembrar, é no sentido de que não basta apenas se recordar da tragédia, mas também é necessário transmitir a noção de sua importância para que experiências semelhantes não sejam vividas agora ou futuramente.

E nós vamos entender isso se considerarmos Chernobyl um “Patrimônio da Humanidade”. Exagero? Não, se levarmos em conta que esse é um feito que não tem data para acabar. Radiação não é como uma tempestade que vem, faz seu estrago e logo em seguida vai embora. Os dias vão passar, as pessoas vão morrer, os tempos vão mudar, mas Chernobyl continuará lá, ostentando os seus perigos.

Para saber mais sobre a tragédia de Chernobyl, recomendo o site de Elena Vladimirovna Filatova, que a bordo de sua moto percorre a região da tragédia para contar detalhes do que aconteceu. Encontrei o link do vídeo exibido no início do texto no site dela.

Referências: Wikipedia, BBC, Chernobyl.info, Chernobyl’s Legacy (IAEA), A catástrofe de Chernobyl vinte anos depois (SciELO), Elena Vladimirovna Filatova.

Ao som de Within Temptation – Our Farewell.

17:08 | Interessante, Reflexão | 8 comentários


17/2/2009

O que os trotes violentos querem dizer de verdade

Por Emerson Alecrim

Todo início de período letivo é a mesma coisa: os noticiários dão nota de trotes violentos e, não raramente, trágicos em várias instituições de ensino pelo Brasil. Eu, que trabalho em uma universidade em São Paulo, já cansei de ver exageros nessas, por assim dizer, “brincadeiras”.

Mas, é bom que se saiba que a maioria das pessoas que participam de trotes, seja como veterano, seja como calouro, o faz de maneira divertida, sem humilhações ou atividades perigosas. E isso é bom justamente por permitir que esses alunos se conheçam e interajam no decorrer do curso. O problema, como sempre, é uma minoria.

Uma minoria que, na maior parte dos casos, tem idade suficiente para assumir responsabilidades de adulto, mas que, no entanto, tem uma mentalidade mais débil que a de um adolescente mimado. Geralmente são pessoas que, se não são capazes de medir as consequências por seus atos, sustentam suas atitudes com base em uma falsa sensação de poder que supostamente as colocam acima da lei e de todos.

O problema é que essas pessoas não agem assim só durante o início do período letivo. Isso não quer dizer que elas praticarão outros trotes no decorrer do ano, mas que estarão bem mais perto de praticar atos irresponsáveis que uma pessoa que mede o peso de suas decisões. Mas, o pior é saber que a maior parte desses indivíduos será assim para sempre e que poderá transmitir toda essa estupidez aos seus filhos, alimentando um círculo vicioso que talvez tenha começado com seus pais.

Essas pessoas vão ultrapassar o limite de velocidade. Vão esbarrar em você e talvez te obriguem a pedir desculpas. Vão agredir mendigos no ponto de ônibus. Vão ocupar um cargo público sem ter capacitação moral para tanto. Vão passar a mão na bunda da sua namorada só para ver se você se atreve a encará-los. Vão destruir o patrimônio público por simples prazer. E elas poderão ser as pessoas que te atenderão numa sala de emergência de um hospital…

Combater trotes violentos é importante, mas isso tem apenas efeitos paliativos. Isso porque, na verdade, trotes assim são apenas meras demonstrações do que essa terra de impunidade e desrespeito está criando.

Ao som de Battlelore – Third Immortal.

12:09 | Blog, Reflexão | 3 comentários


4/1/2009

Querido 2008, querido 2009

Por Emerson Alecrim

2008 foi um ano intenso para mim, do começo ao fim. Aconteceram tantas coisas, que me surpreendo de tudo ter cabido em um ano só. E o que me agrada mais é saber que o saldo foi pra lá de positivo. Finalmente cheguei a um final de ano com a sensação de dever cumprido e de não ter desperdiçado a minha vida.

Definir o que é desperdício de vida não é tarefa fácil, afinal, tudo depende dos anseios de cada pessoa. Eu só sei que por muito tempo eu dei importância a coisas irrelevantes e me preocupava mais com a opinião dos outros sobre mim do que com a minha própria opinião. Insegurança, timidez, baixa alto-estima e outros pormenores fizeram parte da minha rotina por vários anos.

Por muito tempo, eu passei os meus dias reclamando da vida. Tinha a estúpida visão de que todo mundo era feliz e que eu era o único a viver cercado de frustrações. Mas, apesar de todos os defeitos, eu nunca fui de me conformar. E a não aceitação da minha realidade me forçou a colocar a cabeça pra fora da toca e ver o mundo de verdade, da forma como ele é. E aí eu finalmente compreendi que a vida é como um trem em movimento: não vai parar e te pegar pelas mãos para levá-lo onde você quiser, você é que precisa pular nele para seguir em frente.

Trilhos

E quando eu percebi que o trem da vida é assim para todo mundo, eu tomei coragem e pulei nele. E lá eu encontrei muita gente com as mesmas incertezas que eu. Alguns mais preparados, outros nem tanto, mas todos dispostos a dar um significado maior às suas vidas. E é essa disposição que faz toda a diferença.

E é aí que o show começa. É impossível vencer todas as batalhas, mas cada vitória e cada derrota ensinam. E eu aprendi que, muitas vezes, é necessário usar o botão FODA-SE. Aprendi que esquentar a cabeça demais com os problemas só aumenta os seus efeitos negativos. Aprendi a tolerar os meus próprios erros, afinal, isso é fruto da minha condição humana. Aprendi que fazer o que eu gosto é a melhor maneira de fazer bem feito. Aprendi que a vida pode não ter um sentido, mas que vale ser vivida.

Em 2008 eu notei que consegui consolidar tudo isso e mais um pouco. Deu certo, sabe? Não foi em vão. Eu levantei de cada tombo. Eu encontrei um espelho que mostrou no que me transformei. E eu gostei do que vi. Encontrei uma torre de onde eu pude ver as minhas conquistas e o que eu ainda tenho que conquistar. Eu tracei metas e alcancei a maioria delas. Eu venci o chefe da última fase e não vi a tela que dizia “Game Over”.

Não sei como vai ser 2009. Ninguém sabe, na verdade. Só sei que, no que depender de mim, eu vou passar o menor tempo possível na frente da TV e do PC. Vou continuar encontrando as pessoas e conhecendo gente nova. Vou continuar viajando. Vou continuar trabalhando no que gosto. Vou continuar empenhado em vencer os obstáculos ainda não derrubados. Vou continuar achando graça dos meus tropeções e das manchas de catchup na camiseta. Vou continuar errando. Vou continuar usando o botão FODA-SE sempre que necessário. Talvez use o botão VAI TOMAR NO CÚ com mais freqüência também. Só não vou me dar por vencido ;)

E você?

Ao som de Foo Fighters – Big me.

12:20 | Reflexão | 3 comentários


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