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8/12/2006

Um inimigo chamado estresse

Por Emerson Alecrim

O estresse é um problema que pode afetar qualquer pessoa, mas suas conseqüências são variáveis e estão atreladas, principalmente, ao jeito que se lida com isso. Eu, por exemplo, tinha uma grande facilidade em deixar o estresse me afetar, tanto que com 23 anos já tive problemas de saúde por causa disso. Na última vez, o médico me perguntou se é do meu desejo passar dos 40 anos…

É claro que quero passar dos 40, então tive que ir à luta. Um dos primeiros passos que dei para lidar com o estresse foi identificar suas causas e, posteriormente, atacá-las. Eis as ditas cujas:

- Planos.
Se eu planejo uma coisa e algum fator externo me impede de executá-la, meu humor muda imediatamente. Talvez seja por isso que odeio tanto depender dos outros;

- Ansiedade. Certos problemas só podem ser resolvidos com o tempo. A questão é que eu sempre busquei soluções imediatas e o resultado da falta de paciência freqüentemente é ruim;

- Auto-cobrança. Quando não consigo fazer alguma coisa ou quando não correspondo às minhas próprias expectativas, fico com uma mistura de tristeza e irritação. É nessas horas que a alto-estima pode baixar;

- Monotonia. Se eu ficar muito tempo tendo um único ritmo de vida, logo começo a me entediar e a desejar mudanças radicais. Como a razão me impede de fazer isso, passo a ter uma inquietação perturbante;

- Trânsito e transporte público. Não preciso nem entrar em detalhes.

É claro que há outros fatores, mas esses são os que mais me afetam. Veja o que faço para lidar com eles:

- Planos.
Não consigo deixar de fazer as coisas sem planejamento, então melhorei essa minha característica: ao planejar, incluo até as possibilidades de erro mais remotas. Isso não elimina a irritabilidade, mas a ameniza de maneira muito significativa. Parece que o fato de eu já saber o que fazer, mesmo nas situações mais negativas, me dá a sensação de não ter perdido o controle, o que me ajuda a resolver as adversidades;

- Ansiedade. Aqui é necessário mesmo ter auto-controle. É botar na cabeça que aquilo não pode ser resolvido agora e ir tratar de algo mais agradável;

- Auto-cobrança. Ainda não sei o que me leva a exigir tanto de mim em determinadas situações - talvez o peso de tantas responsabilidades -, mas tenho conseguido lidar bem isso olhando para o que fiz de produtivo e, quando necessário, dizendo FODA-SE! Isso ajuda bastante;

- Monotonia. Esse é o problema mais fácil de lidar. Algumas atitudes pequenas - como mudar o trajeto de ida ao trabalho - ajudam bastante. Dependendo da situação, decisões de maior peso também são importantes, como viajar ou aprender alguma coisa nova. Na verdade, consigo vencer a monotonia pela soma de diversas iniciativas, sejam elas pequenas ou grandes;

- Trânsito e transporte público. Acredite se quiser, mas deixei muito de me irritar no trânsito ouvindo música. Não sabia que daria tão certo. O que acontece é que coloco no meu MP3-player as canções que mais gosto. O simples prazer de ouví-las no ônibus é suficiente para amenizar meu estresse.

É claro que há outras coisas que ajudam, inclusive em relação aos fatores de estresse não citados. Em meu caso, ler livros variados, dormir mais, sair para beber ou se divertir, freqüentar lugares calmos, jogar conversa fora, chutar um gato na rua (brincadeira :D), escrever no blog, freqüentar lugares calmos e viajar fazem parte do “tratamento”.

Se você tem desânimo, irritabilidade constante, dores no corpo, resfriados freqüentes, dificuldade de concentração, insônia, taquicardia, falta de apetite e outros problemas, pode ter o estresse como gatilho, por isso é bom se cuidar. É melhor acabar com o estresse, antes que o estresse acabe com você.

Ao som de After Forever - Intrinsic.

23:01 | Reflexão | 3 comentários


15/11/2006

O conselho de Bill Gates

Por Emerson Alecrim

Na área da computação, nunca fui fã de Bill Gates, mesmo porque sou contra a algumas atitudes da Microsoft, em especial no que se refere às suas práticas monopolistas. Porém, li hoje uma reportagem do jornal argentino Infobae em que o dono da maior empresa de tecnologia do mundo dá um importante conselho aos pais (pelo menos aos mais endinheirados):

Não é bom deixar grandes quantidades de dinheiro aos filhos. É negativo à sociedade e para eles próprios, pois isso não lhes permite desenvolver seu próprio valor pessoal.

Não sou pai ainda (bom, pelo menos não que eu saiba :D) e não tenho tanto dinheiro para deixar aos meus futuros filhos (se eu ganhar na Tele-Sena, quem sabe?), mas tenho que concordar com a declaração de Bill Gates. Por que? Porque eu simplesmente cansei de ver gente da minha idade ou mais jovem que eu com a cabeça cheia de merda. Antes fosse no sentido literal…

Sabendo que o pai ou a mãe vai lhe dar tudo o que quer, muitos desses indivíduos sequer valorizam seus estudos. A preocupação principal dessa gente são as baladas ou, quando menos, bares ou clubes. Como conseqüência, não enxergam limites, só respeitam gente da sua laia e estão pouco se lixando para a sociedade, a não ser em época de Copa, onde encontram mais um motivo para festejar.

Quem cresce mimado se torna um adulto arrogante e que encontra no dinheiro a solução para todos os seus problemas. Muitos não medem a conseqüência de seus atos porque sabem que, na última instância, o status social de sua família irá livrá-los de maiores complicações. No final das contas, vê-se que essas pessoas não desenvolveram valores importantes e suas mentes ficam ociosas. Como todo mundo sabe, “cabeça vazia é oficina do Diabo”, então não demora muito para as besteiras - muitas vezes trágicas - surgirem.

É claro que não são todos que agem assim. Conheço muita gente que sabe usar sua condição financeira favorável apenas quando necessário, atitude que os livra da punição mais cheia de conseqüências que existe: o não reconhecimento da própria condição humana.

Ao som de Within Temptation - Pearls of Light.

12:32 | Reflexão | 6 comentários


8/10/2006

Quando o passado e o futuro se encontram

Por Emerson Alecrim

Os mais íntimos sabem que sou viciado em livros. E não é um vício do qual quero me livrar, pois a leitura sempre me fez bem. Mas não leio porque espero uma recompensa por isso, leio porque a leitura é o melhor meio que existe para entrar em outros mundos, em outras épocas, em outras idéias, em outros conceitos. Leio porque é o único meio de comunicação imune ao tempo.

Um escritor sempre sabe que sua escrita somente será lida no futuro. Da mesma forma, um leitor sempre sabe que o que leu é fruto do passado. O que ambos raramente percebem, no entanto, é que esse encontro, esse diálogo entre o que já existiu e o que há de existir, só ocorre no presente. Essa percepção, se por si só não causa fascínio, causa quando nos damos conta de que essa forma de comunicação não só não sabe o que é tempo, como também não sabe o que é vida e morte.

A escrita é a única forma de um vivo conhecer aquilo que um morto tem a dizer. Sim, que tem a dizer, pois quem escreve nunca terá dito algo àqueles que ainda não o leram. De igual maneira, a escrita é a única forma de um vivo conversar com quem ainda nem nasceu.

A única coisa que a escrita entende é existência. Enquanto existir alguém para escrever e alguém para ler, a escrita igualmente existirá. Uma coisa que atravessa ousadamente os limites do tempo e da vida não poderia trazer outra coisa senão riqueza. Uma riqueza intelectual, que gera e distribui conhecimento. Conhecimento esse que não serve para arranjar um bom emprego, serve para usarmos nossa capacidade para viver melhor, afinal, a própria vida é como um livro: seu conteúdo pode ser único e depente exclusivamente de seu autor.

Ao som de Metallica - Nothing else matters.

21:29 | Reflexão | 3 comentários


2/10/2006

Salve quem você puder!

Por Emerson Alecrim

Eu fico triste pelo Brasil. Triste não apenas porque o povo elegeu novamente José Sarney, Fernando Collor e Paulo Maluf, mas principalmente porque dói descobrir que a maioria dos brasileiros não tem senso crítico. A falta dessa “proteção” é maléfica em vários aspectos, não apenas na política.

É duro notar que a maioria das pessoas não percebe o circulo vicioso no qual estamos. As camadas mais pobres da sociedade sofrem absurdos com a falta de condições melhores de vida, mas não conseguem sair desse estado porque os filhos - os únicos que podem mudar essa situação - aprendem, quando conseguem ingressar na escola, que estudar é chato ou que fazer um curso profissionalizante é garantia de um futuro melhor. Daí a “maldição” se repete em geração após geração.

A classe média não sai ilesa. Embora boa parte dos que enxergam o mundo do jeito que ele é esteja concentrada nela, o desinteresse por assuntos sociais ou intelectuais é grande. Cansei de ver adolescentes e adultos jovens que se preocupam somente com a próxima balada. A vida para eles, afinal de contas, é boa. O pai dá casa, carro, roupas de marca, computador e dinheiro pra balada. Tem coisa melhor?

Para as elites que mandam nesse país, é assim que as coisas devem ser. Isso está impregnado na cultura brasileira, no sangue desse povo. Se as pessoas não desenvolvem senso crítico, não conseguem pensar, não conseguem entender e se deixam conduzir por sorrisos e por manifestações falsas de humildade. Sim, porque muita gente se conforma com as desgraças que vivencia por acreditar que ser pobre é bonito. Pessoas assim não conseguem ter ambição na vida e passam essa perspectiva limitada aos filhos. Daí a história se repete.

Os que recebem tudo dos pais têm dificuldade para definir suas metas e acabam dando atenção a falsos valores. Não conseguem medir o grau de complexidade das coisas, então julgam como chato tudo aquilo que não conseguem entender. Sim, porque a vida lhes ensinou que tudo aquilo que não lhes agrada deve ser rejeitado, como se o mundo girasse ao seu redor. Acabam não percebendo que isso torna a vida limitada demais, pois não aprenderam o poder do questionamento, da criatividade, da resolução, da transformação, da realização.

O Brasil não vai ter uma revolução na educação, pois a liderança precisa manter a manipulação do povo. Já que não dá para salvar o país, salve ao menos os que lhe estão próximos. Pelo amor de tudo o que é mais sagrado, se esforce para fazer filhos, sobrinhos, netos, vizinhos, alunos, etc entenderem desde cedo que estudar é bom. Só assim essas crianças vão ter chances reais de desenvolver o senso crítico e evitar uma vida com as limitações que só a ignorância pode proporcionar. Salve quem você puder!

Ao som de Epica - Triumph of defeat.

0:10 | Reflexão | 4 comentários


25/9/2006

Um castelo de areia chamado Arrogância

Por Emerson Alecrim

Se tem uma coisa que aprendi com o tempo é respeitar as pessoas, mas respeitar de verdade, não para parecer educado. Sabe quando alguém fala com extrema cortesia só porque está diante do dono da empresa? Sabe quando alguém nem olha no rosto da faxineira só porque ocupa um alto cargo? Então, isso está errado, é deselegante, é sintoma de incompetência.

Já tive minhas idas e vindas em várias empresas e posso garantir que uma dose diária de simpatia e humildade faz muito bem. Quando falo de humildade, há quem pense em um sujeito que se veste de maneira simples, que compra o carro mais barato e que almoça marmita, mas não é isso. Humildade é ter os pés no chão, saber que você não é melhor do que ninguém, muito menos pior! Quando você consegue entender isso, deixa de se preocupar excessivamente com a aparência, com a falsa sensação de poder e em tentar se parecer infalível ou inteligente.

Seja em que ambiente for, não há nada melhor do que agir naturalmente. Você só consegue isso se deixar essas preocupações irritantes de lado. Mesmo porque, acredite, quem é chefe consegue perceber quando o indivíduo está sendo falsamente gentil. E tem outra: se você vai passar boa parte do dia no trabalho, vale a pena viver num ambiente hostil, torcendo para as horas passarem e para o fim de semana chegar logo? Não é melhor trabalhar com um clima legal, onde você age com gosto, sem se sentir entediado ou, pior, torturado?

Baixa esse nariz e passe a ser mais humano! Ninguém é nem mais nem menos que isso. Cumprimente o porteiro, o segurança, a faxineira. De vez em quando, converse com eles. Ajude-os quando possível, porque eles também te ajudarão, sem hesitar, quando você precisar. Deixe de lado essa coisa de achar que só é mais importante quem ocupa um cargo superior. Nessas idas e vindas em empresas que mencionei, tive a oportunidade de conhecer gente poderosa, que sabe das coisas. E eles não chegaram onde estão cultivando a arrogância, as aparências. Garanto que não, pois do contrário, eles não perderiam tempo dando conselhos e orientações a alguém que, à época, ostentava no crachá o mero cargo de estagiário. Sabiam eles que, um dia, suas palavras seriam importantes ao novato. Com a experiência de quem sentiu na pele, posso afirmar: eles estavam certos!

Ao som de Heavenfalls - Masquerade Down.

18:53 | Reflexão | 5 comentários


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