Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

De novo: salve-se quem puder!

Um comentário

Eu estudei nela da 5ª à 8ª série. Sempre me impressiono com a sensação de que a escola era muito maior quando eu ia para lá de segunda à sexta. Bom, pelo menos nas minhas lembranças, ela é muito maior. Essa interessante experiência de nostalgia é a única coisa que salva o meu bom humor quando vou votar, porque quanto às eleições em si, há tempos que não tenho qualquer tipo de expectativa.

Assim, como faço desde 2004, votei nulo nas eleições municipais de hoje. E não votei como forma de protesto ou algo parecido, votei nulo simplesmente porque não encontrei candidatos que me convençam. Eu sei que pessoas bem intencionadas e merecedoras de votos existem. O problema é encontrá-las, ou melhor, ter paciência para encontrá-las, pois somos bombardeados de tal maneira com as bizarrices e as mesmices de sempre por parte da maioria dos candidatos, que é difícil ter ânimo para tentar achar alguém digno de voto.

Urna eletrônica com mensagem 'FIM, seu trouxa'Já não suporto mais encontrar como candidatos pessoas que não aparentam ter qualquer preparo para assumir um cargo público, assim como personalidades que utilizam de sua pseudo-fama para ocupar uma confortável cadeira nas câmaras municipais e levar uma boa soma mensal de dinheiro por isso, e candidatos a prefeito que fazem promessas absurdas e visivelmente focadas em atrair as camadas mais pobres da sociedade.

E não é para menos: é na população mais humilde e menos instruída que se concentra a maioria dos votos dos quais um candidato precisa, portanto, as campanhas políticas prometem novos hospitais, novas creches, bolsa-isso, bolsa-aquilo, obras que vão acabar com os problemas do trânsito, e assim se segue. É inegável que a maioria dessas propostas são interessantes, mas ninguém leva em conta que os custos de boa parte desses projetos são permanentes. Não basta construir, é preciso manter. A falta de uma política rigorosa de gastos públicos é UM DOS motivos que levam hospitais e escolas a não terem recursos suficientes para suas operações, que fazem com que funcionários públicos passem longos períodos sem reajuste salarial, que tornam as estradas opções interessantes para quem gosta de brincar com o perigo e assim por diante.

Mas, para aquela parcela da população que sofre todo dia em ônibus lotados, que não encontra assistência digna em hospitais, que vive à mercê de bandidos nas localidades mais pobres e que, mesmo assim, entra em alvoroço quando um político visita a sua região, isso não importa. Não importa porque essas pessoas não compreendem, não conseguem desenvolver um senso crítico apurado que as permitam enxergar o que estão, de fato, fazendo com o seu voto.

E é isso que me desanima. É isso que me faz cometer o erro de sequer avaliar as propostas dos candidatos que me parecem mais sérios. E aí, na prática, continuamos naquele círculo vicioso do “salve-se quem puder”…

Ao som de Anathema – Fragile dreams.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

5/10/2008 - 14:30

Postado em Política

Um comentário para 'De novo: salve-se quem puder!'

  1. Ei Alecrim! por uma grande ironia do destino comecei a estagiar no tre pelo curso que faço no cefet daqui; eu acho que devo ter sentido o mesmo que tu no momento do voto – ir no colegio onde estudo pra fazer aquilo em que estou envolvido. Acabei votando em branco em todos, tive criticas (sou novo, não tenho inteligencia… entre todas). É isso, esse é o intuito de democracia: expressar ideias.

Comentar