Domingo Legal?!
Por Emerson AlecrimNo último domingo, decidi ficar em casa. Estava com um resfriado, chovia forte e eu precisava preparar minha declaração de Imposto de Renda, então não vi motivos para sair. Lá pelas 17 horas, fiz uma pausa para um lanche e liguei a TV. Não demorou muito para eu me lembrar dos motivos que me fazem odiar a televisão…
Estava passando o tosco programa do Gugu. Sabendo que não ia encontrar coisa melhor nos outros canais, deixei no SBT mesmo. Foi quando começou um quadro que mostrava a vida de um senhor que, com sua Brasília de mais de 30 anos, socorria os vizinhos que precisavam de atendimento médico e não tinham como ir ao hospital por causa da falta de ambulâncias na região.
Aí começou todo aquele melodrama excessivamente apelativo. O Gugu mostrava o tal homem como um herói, um sujeito que, mesmo com todas as dificuldades, não se negava em ajudar o próximo. Ok, o tal homem realmente é uma pessoa de bem, mas sua história estava sendo explorada apenas para alavancar a audiência do programa, nada mais.
Em seguida, apareceu o presidente de uma cadeia de farmácias, que ficou “comovido” com a história daquele senhor e resolveu ajudá-lo: “deu-lhe” uma Kombi novinha em folha diante de todos aqueles aplausos incentivados por um tal de Liminha. Só achei engraçado o fato do executivo, mesmo comovido, não parar de pronunciar o nome de sua empresa…
Embora seja uma pessoa humilde e notoriamente pouco instruída, o tal homem não era trouxa: logo percebeu que o presente que acabara de ganhar teria seu preço e, diante das câmeras, manifestou ao Gugu sua preocupação com a Kombi, já que agora teria que lidar com custos até então insignificantes com sua velha Brasília, como o pagamento de IPVA. Rindo, mas certamente xingando o bom senhor por dentro, Gugu disse que a produção pagaria tudo e assim se livrou dessa saia justa.
Depois de ver essa cena, tive a impressão de que a velha Brasília não será aposentada. Até pode ser, mas sua substituta não será a Kombi, pois aquele senhor sabe que esse carro lhe trará despesas extras e o venderá para comprar outro mais simples e menos custoso.
É melhor eu continuar não assistindo a televisão. Se antes restava alguma dúvida, hoje tenho certeza de que não estou perdendo nada ao fazer isso.
Ao som de Morgana Lefay - On the Other Side.
7:58 | Inusitado |

Faz bem em não assistir. Dificilmente encontro algo que preste, ainda mais nos canais abertos.
Infelizmente eu janto na cozinha com minha família assistindo TV. E não raramente eu caio em um profundo silêncio me segurando para não mandar desligarem antes que eu pire.
Domingo então é pior ainda, parece que as emissoras se esforçam para degradar ainda mais a qualidade aos fins de semana.
“Ow loco meu!”
Sem comentários …
Comentário por Claudio Freitas — 21/3/2007 @ 16:43
Não veja TV, principalmente no final de semana. Navegue na net!
Se bem que valeu a pena, pois rendeu outro bom post por aqui.
Mas não iria querer ver outro post sobre o dominical na TV, rs
Comentário por Alexandre de Sousa — 21/3/2007 @ 20:26
hahah tva berta não é fácil mesmo, não tem um programa que preste, como existe a campanha saia do orkut e leia um livro poderia ter saia da tv e acesse um blog XD
Comentário por charles — 22/3/2007 @ 15:39
Se tivesse colocado na Globo, você teria visto o mais novo retorno do RPM… Não sei qual é o pior. Abraços…
Comentário por Aztronauta — 23/3/2007 @ 8:54
Mudando de canal nos intervalos da Globo - Faustão relembrando os clássicos com Paulo Ricardo, PA e Schiavon - vi tal matéria. Lembrou a peça “O pagador de promessas” do Dias Gomes em que um tal Zé-do-Burro vê sua história exposta por uma mídia histérica e sensacionalista. O que era para ser uma simples promessa de carregar uma cruz para Santa Bárbara graças a vida salva do seu burro, acaba se tornando por meio de um jornalista, a luta contra a reforma agrária.
É isso que a mídia faz. Condiciona um herói ao ridículo, porque a gente deve precisar, mesmo, de um confete.
Comentário por Katia — 26/3/2007 @ 0:27
Se for para render bons posts como este, assista simultaneamente ao Gugu e ao Faustão e se der pra encarar dá uma passada na Eliana… tortura, hein? Texto de extremo bom gosto e sensibilidade. Parabéns!
Comentário por Adailton Almeida — 26/3/2007 @ 20:41
Eu vendia a merda da Kombi e levava a Brasília para o pessoal do Lata Velha dar uma garibada..
Perfeito seu ponto de vista.. senti a mesma sensação que vc com “doação” daquele bom homem super sensibilizado.
Abração!
Comentário por Diego Oliveira — 30/3/2007 @ 9:45