É castigo, só pode…
Por Emerson Alecrim
Eu nunca me senti desconfortável ao usar roupa social, mas tenho utilizado a minha velha e querida combinação de tênis, calça jeans e camiseta até mesmo no trabalho, só para não ter o desgosto de ser confundido com um crente. Sério! Antes de prosseguir, já deixo bem claro que não tenho nada contra nenhuma religião, cada um deve ser respeitado em suas crenças.
Quando falo aos meus amigos que pessoas na rua que perguntam onde é minha congregação (!!!), se eu aceito evangelizar não sei aonde e etc, eles caem na risada, como não poderia deixar de ser. Pior foi a vez em que, no Metrô, um colega de trabalho me passou seus fones de ouvido para eu conhecer uma banda que ele gostava. Um senhor de terno e bíblia na mão perguntou se eu estava ouvindo cantos de louvor! Esse meu colega até hoje diz “aleluia, irmão” quando me vê…
Mas nada me foi tão horrível quanto o que me aconteceu na semana passada. Eu estava em um supermercado e, de repente, uma senhora se aproximou e disse “pastor não sei o quê, que benção encontrá-lo por aqui”. É óbvio que eu fingi que não era comigo, mas a mulher levantou a mão para me cumprimentar (ainda bem que não quis me abraçar), não tive como escapar.
Eu disse em alto e bom som à senhora que ela estava me confundindo com alguém, mas a mulher só acreditou quando chamou um garoto que provavelmente era seu neto, e ele confirmou que eu não era o tal pastor. Aliviado, voltei a olhar para as prateleiras, mas a chata da mulher queria mesmo conversar. Perguntou de qual religião eu era e, já irritado, respondi que não tinha religião e nem cogitava ter.
No mesmo instante, notei que a senhora tentaria me “converter” ali. Não perdi tempo: disse à ela, me controlando para não falar gritando, que esse assunto estava me incomodando. Ela fez cara feia e saiu de perto. Mas engana-se quem pensa que ela, finalmente, havia me deixado em paz…
Instantes depois, a %*$#! da mulher apareceu novamente, mas acompanhada de um senhor que me dirigiu a palavra. A primeira coisa que ele disse foi algo como “você precisa aceitar Jesus”. Já vermelho de raiva, perguntei num tom de voz que não expressava a minha ira:
- O senhor acha que vai para o céu?
- Pela misericórdia de Jesus, sim.
- Então se o senhor for para lá, eu prefiro ir para o inferno!
Eu saí andando rápido, e eles falavam quase gritando que eu ia me arrepender disso. Mas sabe o que é pior nessa história toda? Eu acabei não comprando o aparelho de barbear que precisava e, notei depois, horrorizado: eles me confundiram com alguém da religião deles sem que ao menos estivesse usando roupa social. Eu mereço…
Ao som de Demether - Whitin the mirror.
12:55 | Cotidiano |

Paz do senhor, irmão.
Comentário por Lucas — 26/9/2007 @ 13:10
geo-trotter.com/afrique/images/haha.gif
‘Nuff said.
Comentário por Wilerson — 26/9/2007 @ 13:11
Ah, fácil! Deixa o cabelo crescer, começa a andar todo de preto com camisas de bandas de metal bem pesado (white metal não vale), aposto como eles não vão mais confundir você com um pastor…
…só não dá pra garantir que eles vão parar de te importunar… Eles adoram uma pregação, né? :-S
[]s
Comentário por Bardo — 26/9/2007 @ 14:35
Sério que isso acontece com você? Mas, seja sincero, você sai na rua de camisa social de manga *curta* com gravata?
Olha, a idéia do Bardo funciona… como eu só ando de preto *ninguém* acredita que um dia eu já frequentei uma igreja evangélica, pelo contrário, quando eu estava ruiva as pessoas geralmente queriam me exorcisar e talz.
Essas nuances de uma sociedade baseada em aparências né? Uma pena que essa invasão crente tenha acabado com a graça dos professores de informática de roupa social…
Comentário por Kika — 26/9/2007 @ 15:34
Haha pra você também, Wilerson. O Lucas está de prova que você também parece um crente quando usa roupa social.
Bardo, o problema é que meu cabelo cresce pra cima, tipo “black power”, hehehe…
Erika, é muito raro eu usar gravata. Essas coisas acontecem quando uso camisa de manga longa mesmo, mas como evidencia o texto, até com roupas “normais” estão me confundindo >:\
Comentário por Emerson Alecrim — 26/9/2007 @ 16:20
Então, comigo é só quando eu uso roupa social, né? Com você, como evidencia o texto, a coisa não é bem assim.
Comentário por Wilerson — 26/9/2007 @ 16:32
Por roupa normal vc quer dizer aquela bata e a cruz que vc sempre usa?
Comentário por Tornado — 26/9/2007 @ 22:36
É que a história é engraçada mesmo.
Não tem jeito de não rir, hehehe!
Comentário por Fred Neumann — 27/9/2007 @ 3:38
Pra falar a verdade, Wilerson. Você se parece com um fanático religioso desde a época da faculdade, hehehe…
É, Tornado. Agora vou usar um pentagrama >:|
Não se preocupe, Fred. Se fosse com outra pessoa eu ia cair na risada também
Comentário por Emerson Alecrim — 28/9/2007 @ 10:02
HUAHUAUHAU ta perseguido mesmo hem…
Essa mulher te confundiu com pastor de propósito só pra pregar pra vc só pode… não é possível… a mulher te perseguindo pelo mercado pra te converter huahuahua só acontece com vc essas coisas!!!
Comentário por Alini — 1/10/2007 @ 13:16