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9/9/2007

Epitáphion

Por Emerson Alecrim

Um post clichê e ironicamente diferente do anterior, é verdade, mas acontece que a última quinta-feira, 6 de setembro, foi uma data esquisita. Foi o dia em que o mundo sentiu a morte de Luciano Pavarotti (mas o dia não foi estranho só por isso, logo você verá). Apesar de não ser um fã de carteirinha desse italiano nascido em 1935, desde de criança lhe tinha grande respeito. Lembro até de tê-lo visto na TV ao lado de José Carreras e Plácido Domingo numa noite qualquer, logo depois de ter chegado em casa com a minha mãe. Aquelas três vozes poderosas me impressionaram, e eu, com a certeza que só as crianças tem, disse que um dia cantaria de igual forma.

Na mesma quinta-feira, à noite, recebi a notícia de que um colega da época da faculdade havia falecido. De certo que não nos falávamos há mais de um ano, mas isso não me impediu de ficar sentido. Era um rapaz que sabia curtir a vida, não se deixava abater facilmente. E era bem humorado. Nossa turma vivia brincando com ele, pois apesar de dormir em quase todas as aulas, sempre conseguia as melhores notas. Era o cara que estudava dormindo! Certa vez, um professor o acordou e lhe fez uma pergunta sobre algo que acabara de explicar, na expectativa de deixar nosso colega em uma saia justa. Como reação natural, a sala toda ficou em silêncio, mas ele respondeu, baixou a cabeça e voltou a dormir. Logo em seguida, o professor tentou voltar à aula, enquanto nós ríamos de sua cara. Resposta certa, professor, tenha paciência! Você está diante do cara que aprende dormindo!

É estranho. Todo mundo sabe que a morte é o seu destino por direito e dever, mas essa certeza não nos conforma. Talvez não seja nem isso que nos assusta, mas a incerteza de quando vai acontecer. E de como vai acontecer. E do que vai acontecer depois. E se algo vai acontecer depois. Mas, se preocupar com isso é besteira. Se saber dessas coisas com antecedência ajudasse em algo, nós saberíamos.

Na verdade, o que importa mesmo é saber viver, por mais que isso soe repetitivo. Curtir mais a vida, se estressar menos, se divertir mais, livrar a mente de coisas mesquinhas, enfim, ter como dilema “Carpie Diem” e “Hakuna Matata”. Porque, pior que a incerteza de saber quando será a sua vez, é a consciência de que o seu tempo acabou e você pouco proveito tirou de sua vida. Acho que tanto o grande tenor Pavarotti, como o meu divertido colega Leandro Vidotti sabiam disso. Se foram, mas com a certeza de que tiveram, de fato, uma vida.

Ao som de Anathema - Don’t look to far.

0:46 | Reflexão |


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