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12/8/2008

Feiras de ciências – Parte 2

Por Emerson Alecrim

Parte final do texto “Feiras de ciências – Parte 1″.

Minha terceira feira de ciências aconteceu no meu 1º ano do ensino médio, em outra escola. Adivinha qual era o tema da minha sala? Exatamente, sexualidade! Meu grupo ficou com a parte mais chata, embora não menos importante: planejamento familiar.

O mais legal foi que a sala toda contou com o auxílio da professora de psicologia e de uma ONG que dá apoio a pessoas soropositivo: Projeto Esperança. Graças a isso, conseguimos orientação, panfletos informativos, cartazes e até camisinhas para distribuir aos visitantes.

O começo da feira foi bem engraçado. Um grupo ficou responsável por explicar como se usa um preservativo. O primeiro colega responsável por fazer essa demonstração (calma gente, o grupo usou bananas para isso), estava tão nervoso e tão constrangido, que uma das meninas da sala se irritou, falou “dá isso aqui” e mostrou como se faz. No final da demonstração, ela foi até aplaudida. Eu acho que ela acabou se arrependendo, pois não apareceu mais, hehehe…

A sala era, de longe, a mais movimentada (por que será, né?). A gente viu de tudo ali. Mulheres com certa idade que não tinham noção dos perigos das doenças sexualmente transmissíveis, adolescentes e pré-adolescentes esbanjando curiosidade, meninas preocupadas com gravidez e moleques querendo saber sobre a importância do tamanho do pênis. Uma moça havia comentado comigo que seu marido se negava a usar preservativo. É claro que ela esperava de mim alguma orientação. A melhor coisa que pensei no momento foi sugerir o uso da camisinha feminina. Ela achou a idéia interessante e eu lhe entreguei um panfleto que explicava como usá-la.

Preservativo feminino

Tão logo ela foi embora, uma moça de uns 18 anos se aproximou de mim. Caro leitor, por mais vulgar que lhe pareça, me permita usar esses termos, pois somente assim a descreverei da forma mais fiel: ela era gostosa pra caramba! Corpo violão, peitões, bunda perfeita, pernões, cheiro bom, enfim. Em contraste com essa bela imagem, estava um garoto magricelo, com o rosto cheio de espinhas, óculos de lentes grandes, andar desajeitado, aparência de CDF, tímido e cabelo esquisito: eu.

A garota me chamou de canto e, sussurrando para ninguém ouvir (e, mesmo não intencionalmente, para me deixar arrepiado), me perguntou se a tal da camisinha feminina causava dores nas mulheres e se eu podia explicar um pouco detalhadamente como utilizá-la. Nobre leitor, por favor, pare e pense na cena: um mulherão daqueles pedindo conselhos íntimos para um moleque bobão…

A primeira coisa que fiz foi me perguntar: por que é que eu não caí no grupo que travava de preservativos? Em seguida, eu olhei novamente para aquele belo par de… Bom, você sabe, e disse a mim mesmo: diga algo que a impressione, rápido! Mas eu não sabia como começar e, para ganhar tempo, disse:

- Veja bem…

Nesse momento, a professora de psicologia apareceu e, com uma gentileza que somente esse tipo de profissional consegue ter, chamou a gostosona para outro canto e, ali, elas tiveram um papo de mulher para mulher. Bom, quanto a mim, fiz uma cara de “estava bom demais para ser verdade” e tratei de voltar ao trabalho.

A minha quarta e última feira de ciências foi a mais sem graça de todas. Aconteceu no meu 3º ano do ensino médio. O tema da minha sala era eletricidade. Por um triz não pegamos sexualidade novamente. Para ser sincero, eu não lembro exatamente do que o meu grupo tratou. Eu sei que um grupo vizinho tinha uma bela de uma casa de bonecas feita em madeira toda iluminada. Era a principal atração da sala. A única coisa da qual me lembro bem é que, em um dado momento, fui apresentar o meu trabalho a um grupo de visitantes e… Bom, o que acontece com quem brinca com energia elétrica? Exato, levei um baita de um choque na frente de todo mundo!

Eu juro que até tentei fazer um trabalho decente. Depois do choque, tratei de organizar melhor os fios para que as futuras vítimas não fossem os visitantes. Esse foi o meu erro. Quando já estava anoitecendo, um grupo entrou na sala e começou a tocar axé, funk, forró, etc. O lugar virou uma zona! Se eu não tivesse organizado os fios, as chances de algum daqueles infelizes ter levado um choque seriam bem maiores.

Não restou outra coisa a não ser recolher tudo e ir assistir à apresentação de uma banda de rock no pátio. O grupo não tocava muito bem, mas aquilo era bem melhor do que ouvir aquelas porcarias que estavam tocando na sala em que eu estava.

E assim termina a minha saga pelas feiras de ciências da vida. De todos os eventos que tinham nas escolas pelas quais passei, esses eram, de longe, os que mais agradavam aos alunos, mesmo porque era aberto ao público e, no final, sempre havia algum tipo de comemoração. E foi nessas feiras que comecei a lidar com coisas com as quais lido até hoje, como prazo apertado, impressão de que tudo vai dar errado, improvisos, negociações e etc. Azar de quem não soube aproveitar :)

Ao som de Soultakers – Floating.

10:46 | Cotidiano | 2 comentários


2 comentários »

  1. Interessante.Nisso tudo o pior é mulher casada ter que usar preservativos.Tem gente que merece o homem que tem.!

    Comentário por Magui — 15/8/2008 @ 10:23

  2. hahauha to morrendo de rir aqui…..

    fora que me lembra os bons tempos das feiras da escola também :)

    era tosco, mas era legal né

    Comentário por Alini — 15/8/2008 @ 12:15

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