Quando criança, eu tinha uma dificuldade incrível para dormir nas viagens noturnas de ônibus. Sem qualquer outra distração, eu me pegava olhando pela janela do veículo, afinal, as estrelas, a Lua, as luzes dos carros passando pela outra pista e as ocasionais lâmpadas dos postes eram as únicas coisas “enxergáveis”, por motivos óbvios.
Quando era noite de Lua cheia então, eu ficava vidrado. Como é que uma coisa como aquela não caía na Terra? Por que desaparecia de dia? Será que quando eu for adulto, visitas à Lua serão possíveis? Será que alguém ou alguma coisa mora lá?
Os anos passaram. Hoje eu conheço o porquê da Lua não cair na Terra, entendo como é que ela desaparece de dia e sei que não, que ainda não é possível visitar a Lua tal como se visita um ponto turístico qualquer. Ah, e até hoje não há qualquer pista concreta que indique que alguém ou alguma coisa more por lá.
Apesar disso, a Lua ainda consegue prender minha atenção, só que por motivos diferentes. Quando criança, era pela curiosidade alimentada pela ociosidade. Agora, é pela necessidade de relaxar, de ficar “zen”. É sério! Quando quero esvaziar a mente, tiro proveito do fato da janela do meu quarto ficar ao lado da cama para abrir a cortina e ficar olhando para a Lua – quando ela estiver cheia, de preferência. Cinco ou dez minutos depois eu fico sonolento, durmo e acordo muito bem.
Talvez, tanto a antiga curiosidade quanto a necessidade atual de ficar “zen” sejam apenas pretextos. A verdade oculta é que a Lua é muito bonita e, por esse único motivo, é digna de ser admirada.
Abaixo, uma fotografia que tirei minutos antes de escrever esse texto. Não é lá essas coisas, eu sei, mas se levarmos em conta que usei uma câmera simples e que sou tão bom fotógrafo quanto sou jogador de futebol, está de bom tamanho

Ao som de Deep Purple – Burn.

“Shy moon,
Hiding in the haze
I can see your white face
Hope you can hear my tune,
Shy moon” (Caetano Veloso)
Muito lindo seu texto, Emerson! Sinto do mesmo modo: a lua é hipnótica! E, a propósito, a foto está linda, sim!!… Pode ser que no momento ao vivo não tivessem nuvens, mas ficou mesmo com um efeito “Hiding in the haze”… Grande beijo!
Elaine
23/11/2008 - 1:10