Escrever o post “As 20 mentiras mais encontradas no Facebook” me fez parar e perguntar: o que nós, meros humanos, estamos fazendo da nossa vida on-line? Perceba: o simples fato de categorizar a situação – “mundo on-line” de um lado, “mundo real” de outro – por si só indica que alguma coisa está fora dos eixos.
A gente tem uma vida só. Mesmo que você morra e em seguida reencarne ou vá para outro plano, você sempre estará vivendo uma vida só. Criar uma realidade paralela é saudável na condição de uma criança que brinca ou como resultado de uma fantasia passageira, mas se transforma em um imã de frustrações quando interfere no dia a dia.
Eu fico intrigado, por exemplo, quando estou em festas ou eventos do tipo e percebo que alguns indivíduos passam a maior parte do tempo olhando para o celular. A pessoa está ali, na sua frente, fazendo comentários ótimos e argumentando de maneira concisa. Só que no Twitter.
Uma olhada ou outra no celular para ver e-mails e redes sociais é sussa, todo mundo acaba fazendo isso. Mas, se “ao vivo” a pessoa está longe de ser cool e comunicativa como aparenta ser no Facebook, ah, pode ter certeza de que tem alguma coisa errada aí: por que tanta confiança na internet e tamanho desconforto diante de olhos de verdade?
Uma sobrancelha minha sempre levanta mais do que a outra quando me deparo com alguém que almeja “popularidade”. Vale mesmo a pena tentar de tudo para ter tantos seguidores no Twitter? Você conhece mesmo os seus mais de 5 mil amigos do Facebook? Do que adianta ter contato com tanta gente, mas ser um verdadeiro desajustado longe de uma conexão banda larga?
A mesma coisa vale para quem infla o ego por conta da aparente fama causada pelos milhares de likes e retweets conquistados. Na boa, só estou te cumprimentando porque já trocamos alguns e-mails ou mensagens nas tais redes sociais e acho conveniente dar um alô por conta disso, não precisa me tratar como um fã ou, pior, fingir que não me reconhece.
Eu também fico com os dois pés atrás com a necessidade que algumas pessoas têm de fazer comentários ou publicar fotos apenas para mostrar que estão sempre felizes e realizadas. Ser feliz a todo momento é obrigação? Sério mesmo que todo dia as coisas dão certo para você?
Ok, também não é necessário dizer que levou uma bronca do chefe ou divulgar imagens de um enterro para dizer que também tem momentos ruins, mas puta merda, eu sei que a festa de ontem não foi tão fodástica assim – dá pra perceber pelo sorrisão forçado ou pela feição das demais pessoas que aparecem na foto.
O fato é que, tendo noção disso ou não, muita gente por aí usa o tal do “mundo on-line” para passar uma noção distorcida do seu “mundo real” ou simplesmente para criar uma imagem do que considera a sua “realidade ideal”. Em resumo, gasta energia diariamente para mostrar aquilo que não é.
Sabe, não deveria ser desta forma, não deveria haver essa divisão em dois mundos – a internet precisa ser uma ferramenta ou uma extensão do nosso cotidiano, simples assim. Mais do que isso é cair em uma cilada: faz com que nos tornemos personagens da nossa própria existência.
Ao som de Hammerfall – I Believe.
É mesmo estranha toda essa distinção e acho que é bem esse o ponto mesmo. Há alguns anos fiz uma letra de múscia que falava justamente disso. O nome é “Felicidade Cenográfica”, mas nunca gravei.
[]s
Cárlisson Galdino
21/7/2012 - 9:52
Interessante! Se gravar ou mesmo publicar a letra, avise
Emerson Alecrim
21/7/2012 - 13:36
Concordo Emerson, cerca de 50% dos meus contatos do Facebook são do tipo que postam cada passo do seu dia. Como se por acaso não postarem iriam perder audiência ou algo do tipo. Intrigante demais…
Humberto
21/7/2012 - 14:02
Humberto, quando você falou de “perder audiência”, lembrei deste quadrinho aqui:
http://iwastesomuchtime.com/on/?i=22531
Ilustra com perfeição a situação, não?
Emerson Alecrim
21/7/2012 - 15:36
Pronto, publiquei só a letra, mas tá lá. Felicidade Cenográfica.
http://www.carlissongaldino.com.br/poesia/felicidade-cenogr%C3%A1fica
[]s
Cárlisson Galdino
30/7/2012 - 9:06
Apoiadíssimo!! Li cada linha do seu texto concordando em gênero número e grau! Isso me fez lembrar de uma máxima que um amigo meu costuma citar: “Internet: Aproximando os distantes e distanciando os próximos”.
É a mais pura verdade!
Abraço!
Daniel Santos
31/7/2012 - 1:48
Caramba, muito legal a letra, Cárlisson! Fala do assunto de uma maneira bastante direta. Parabéns!
Emerson Alecrim
31/7/2012 - 13:30
Taí, gostei da frase, Daniel! Faz muito sentido, infelizmente.
Emerson Alecrim
31/7/2012 - 13:32