O jeito paulistano de atravessar a rua
Por Emerson AlecrimPor que a galinha atravessa a rua? Para chegar ao outro lado. Apesar de ser uma piada “hilária”, tenho que concordar com ela, mesmo porque eu atravesso a rua pelo mesmo motivo (você não?). O problema é que, no último final de semana, me fizeram uma pergunta “igual, mas diferente”: Por que você NÃO atravessa a rua? Para esperar o carro passar, ué!
Eu estava em Campo Mourão, Paraná, andando calmamente pela cidade com a minha prima durante uma noite muito bonita. Atravessamos a primeira rua tranquilamente. A segunda, idem, mas na terceira eu parei e minha prima continuou. Daí ela olhou para trás e fez a tal pergunta. Desde então, cada vez que íamos atravessar uma rua, ela dizia que eu podia fazê-lo imediatamente, sem medo, porque os carros iam parar. E paravam. Mesmo sabendo disso, eu instintivamente hesitava em toda e qualquer travessia, fazendo minha prima achar graça daquilo.
Então expliquei que em São Paulo as pessoas estão acostumadas a atravessar a rua somente depois de os carros passarem, exceto quando os veículos estão muito longe ou quando algum gentil motorista para e sinaliza para que os pedestres atravessem. Até mesmo quando o farol (denominação tipicamente paulistana para “semáforo”) fecha, muitas pessoas só atravessam a rua quando todos os veículos param. Eu sou uma delas e mais de uma vez me senti aliviado por agir assim…

Jeito “Beatles” de atravessar a rua
Passei então a pensar no assunto. No dia seguinte, fui para Maringá. Em uma visita anterior à cidade descobri por outros primos que se você parar numa faixa de pedestre e esticar o braço, o motorista que estiver vindo vai parar o carro (ou ao menos deveria, pois me parece que essa é uma prática recente por lá), comportamento esse que é bastante comum em Brasília, aliás.
Sozinho, sem ninguém para utilizar como cobaia (
), resolvi fazer o teste por conta própria: parei em uma faixa, estiquei o braço rapidamente e… Bingo! O motorista parou como se fosse a coisa mais normal que existe. Se eu fizesse isso em São Paulo, o condutor ia pensar que eu estava acenando para um ônibus logo atrás ou que estava pedindo carona. Ou que eu era um retardado mesmo. Com base nas duas vezes em que estive por lá, acredito que no Rio de Janeiro não ia ser muito diferente…
Independente do lugar em que eu esteja, prefiro continuar com o método paulistano de atravessar a rua. Pode me deixar mais lento, mas ao menos sei que funciona, tanto é que orientei meus primos paranaenses a agirem da mesma forma quando estiverem em São Paulo. E a galinha? Bom, ela sabe muito bem o que fazer: ao invés de voltar ou de acelerar o passo para fugir do carro, ela segue na mesma direção e sentido do veículo até que este finalmente a alcance. Esperta ela: já que vai morrer mesmo, ao menos morre com muita “emoção”…
Ao som de Battlelore – Moontower.
4:48 | Cotidiano | 6 comentários
Quando estive em Goiânia, notei três coisas:
a) os carros param para os pedestres;
b) os carros não prestam atenção nos carros que vem atrás antes de parar;
c) eu via acidentes de trânsito com a mesma freqüência que via em São Paulo. Numa cidade com 11x menos habitantes.
Em Chicago, todos os cruzamentos indicavam que carros que iam virar em uma rua deviam dar prioridade aos pedestres. Claro que isso funciona muito bem numa cidade onde todas as ruas têm 4 faixas.
Comentário por Wilerson — 17/10/2009 @ 11:11
Aqui em Jundiaí a gente precisa ficar esperto até em cima da calçada. Já vi várias vezes motorista passando por cima dela pra furar sinal vermelho. Fora o show de motos e bicicletas na contra-mão…
Comentário por Kika — 17/10/2009 @ 12:26
Bom, aqui em Campo Grande (MS) a coisa não foge muito a realidade de São Paulo, mesmo com um número menor de habitantes, a cidade passou de poucos carros na rua, a mais carros do que gente. É incrível como o número de veículos aumentou do nada, tornando o trânsito caótico e rápido, muito rápido.
Comentário por Flávio Ricardo — 17/10/2009 @ 13:14
Olá Emerson
Observaçóes interessantes, eu sempre penso a respeito disso.
Aqui em BH se vc nâo olhar para os dois lados antes de atravessar, mesmo estando na faixa de pedestres e com o sinal fechado vc corre o risco de ser atropelado por um cidadão ‘normal’ furando o sinal. Qdo vim pra cá meu namorado ficava me segurando qdo eu ameaçava atravessar a rua, eu sempre rerucava: Mas o sinal tá fechado; ele dizia: Aqui isso não importa muito não.
Em Uberlânida (onde nasci e vivi até janeiro deste ano) tem alguns lugares que vc colocando o pé na faixa os motoristas param para vc atravessar…
Na Europa eles realmente param em qquer situaçáo. Basta o pedretre parar na calçada para atravessar a rua que, indiferente do local, se movimentado ou não, eles param, sempre. Ficavamos adimirados e comentávamos: Que diferença de BH!
Apesar que na Itália, em Roma, não há faixa de pedestre, o transito é louco, mas tbém param para que atravessemos a rua…
Abraçáo
Comentário por Sheila — 21/10/2009 @ 4:12
É uma observação genial em relação à este assunto tão pouco abordado! Aqui em São Paulo, mesmo a rua sendo de uma única mão, faço questão de olhar para os dois lados!! Afinal, nunca se sabe quando pode vir um desavisado por aí!
Abraço e parabéns pelas postagens muito bacanas!
Comentário por Jenifer — 11/11/2009 @ 23:02
Muito interessante essa leitura. Você continua com esse humor refinado, sutil, muito divertido, mesmo ao abordar temas tão sérios! Parabéns! Por aqui (Salvador) é semelhante à São Paulo e à maioria das cidades brasileiras, creio.Prestar sempre muita atenção no trânsito, mesmo estando sobre as calçadas… nunca se sabe quando se vai encontrar um motorista ou motociclista com muita pressa…
Comentário por Elaine — 12/4/2010 @ 22:34