Os filmes de terror da minha infância
Por Emerson AlecrimDevo a Freddy Krueger a minha predileção por filmes de terror. Quando era criança, lembro de ter assistido Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984) e de ter sonhado com o filme na mesma noite. Eu devia ter uns 7 anos nessa época. Quando acordei, fiquei fascinado com o grau de “realismo” da produção, afinal, são justamente os sonhos que Freddy Krueger usa para atacar. No meu sonho, eu o havia derrotado, fato que é suficiente para encher de coragem uma criança ao ponto de fazê-la enfrentar os medos que, quando crescemos, descobrimos que não passam de bobagens.

Freddy Krueger – Imagem por New Line Cinema
Com ar de provocação, vez ou outra eu aproveitava as noites de silêncio na frente da TV para, do nada, cantar o “hino” de Freddy:
Um dois, Freddy vem te pegar /
Três, quatro, é melhor a porta do quarto trancar /
Cinco, Seis, Agarre seu crucifixo /
Sete, oito, Fique acordado até tarde /
Nove, dez, não durma nunca mais” /
Apesar de não lembrar da letra inteira, eu tentava, sem sucesso, imitar o tom de voz das crianças que cantavam essa música nos filmes. Era o meu jeito de dizer que não tinha medo de produções de terror. A ideia deu certo, pois acho que foi graças a isso que minha mãe permitiu que eu ficasse acordado até tarde para assistir O Exorcista (The Exorcist, 1973), apesar de ser impróprio para crianças. E eu fiz isso. Sozinho.
Sabe, depois do filme, eu passei a achar Freddy Krueger um cara simpático. Em seus filmes, ele não me causou medo suficiente para que eu resistisse à vontade de ir ao banheiro, dormisse com a luz do meu quarto acessa, cobrisse a cabeça com o cobertor numa noite de calor e olhasse com extrema desconfiança para a minha cama com medo de ela começar a balançar.
Mas, O Exorcista também conseguiu despertar a minha indignação. Por que a menina não pulou logo quando a cama começou a balançar? Por que a deixaram sofrer tanto nas mãos dos médicos? Como é que ela enfiava uma cruz na barriga (é, eu pensei que foi na barriga) e permanecia viva? O que ela fez para ser escolhida pelo demônio?

Cena de O Exorcista
Acho que eu só voltei a assistir O Exorcista na adolescência, mas não fiquei esse tempo todo sem ver um filme de terror. Com a minha mãe na sala, eu me senti corajoso para assistir a Poltergeist (1982). Minha mãe resistiu entediada até a metade do filme e então decidiu dormir. Confesso que cogitei essa ideia, mas a curiosidade em saber como a garotinha Carol Anne foi parar em outro mundo era maior que o medo.
Assisti ao filme até o final, mas tenho que reconhecer que aquela menininha branquela, delicada e de cabelos absurdamente loiros tinha um aspecto que eu considerava tão incomum, que eu não consegui simpatizar com ela, tal como se a garota fosse um demônio disfarçado. Na verdade, a minha implicância não era com a personagem, mas com a atriz. Sendo mais claro, eu achava aquela menina estranha, #prontofalei não me pergunte o porquê!
Não faz muito tempo que eu vi Poltergeist novamente e, curioso para saber como estaria a menininha loira nos dias de hoje, fiz uma pesquisa no Google que me deu um banho de água fria: vítima de uma inflamação severa no intestino, Heather O’Rourke, o nome verdadeiro da garota, faleceu em 1988, aos 12 anos de idade, logo depois de filmar Poltergeist 3. Quando assisti a Poltergeist pela primeira vez, lá pelos idos de 1990, estranhei a garota sem saber que, do “mundo real”, ela já não fazia mais parte…

A falecida Heather O’Rourke em Poltergeist – Imagem por Child Stars
Já mais crescido, lembro de ter encontrado na locadora perto de casa a fita de A Casa das Almas Perdidas (The Haunted: A True Story, 1991). Junto com um filme de Os Trapalhões (eca!), levei a fita para casa. Novamente assisti ao filme sozinho, durante a noite, só desta vez sem nenhuma preocupação. Mesmo assim, não nego que muitas cenas me deixaram bastante arrepiados.
A Casa das Almas Perdidas é um filme bem elaborado e intenso, apesar de não ter o mesmo glamour que as produções supracitadas. Seu forte se baseia no que é contado e não nas cenas de susto (tanto é que não consegui escolher nenhuma imagem que representasse a tensão do filme). A filmagem relata a vida de uma família que se muda para uma casa sem saber que ela é mal-assombrada. Até aí, nada de inovador, mas o desenrolar da história é dramático. Nem a Igreja Católica consegue uma solução para o problema. Médiuns, vizinhos e um grupo de religiosos tentam ajudar, mas quando tudo parecia se acertar, os espíritos voltavam a se manifestar, como se fosse uma doença incurável, mas que apresenta períodos de melhora.

Cena de A Casa das Almas Perdidas
Hora do Pesadelo, O Exorcista, Poltergeist e A Casa das Almas Perdidas são, portanto, os meus filmes de terror preferidos, embora hoje eu considere algumas de suas cenas toscas e até engraçadas. É claro que eu gosto de alguns filmes de terror mais recentes, como O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999), O Chamado (The Ring, 2002), Espíritos (Shutter, 2004), Vozes do Além (White Noise, 2005), O Orfanato (El Orfanato, 2007) e até O Grito (The Grudge, 2004). No entanto, acredito que nenhum deles conseguiria o que os filmes clássicos citados nesse texto conseguiram: me impressionar e agradar tanto ao ponto de eu lembrar até hoje do dia em que os assisti pela primeira vez
Ao som de Kamelot – Farewell.
22:57 | Entretenimento | 5 comentários
The Hounter (a casa das almas perdidas) é o melhor filme de terror de todos os tempos! hehehe
Será que acho ele pra baixar via torrent?
Comentário por Thiago Mobilon — 5/4/2009 @ 23:32
I meant: The Hounted
Comentário por Thiago Mobilon — 5/4/2009 @ 23:33
Pois é, The Hounted é um filmão! Se não conseguir encontrá-lo, me avise que eu dou um jeito
Comentário por Emerson Alecrim — 6/4/2009 @ 9:15
O Iluminado bota todos esses pra fazer xixi na cama.
“Hello Danny. Come and play with us. Come and play with us, Danny. Forever… and ever… and ever. “
Comentário por Wilerson — 6/4/2009 @ 14:12
Pessoalmente eu nunca liguei para filmes de terror. Talvez por isso, assim como você, eu tenha desenvolvido desde cedo “anticorpos” contra o medo nestes casos, já que tudo não passa de bobagem.
O seu relato, no entanto, me fez pensar em um amigo que eu tinha na época que era moleque, que morria de medo de “Sexta Feira 13″. Jason era a morte para o cara, que se borrava todo vendo a série de filmes no escuro, enquanto o resto da turma dava risada com as situações típicas de filme de terror, como “porquê a moça, fugindo dele, entra numa casa escura e abandonada à noite ao invés de encontrar alguém para ajudar?”.
Boas lembranças…
Comentário por Daniel Santos — 12/4/2009 @ 3:07