Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Pagando pelo excesso

3 comentários

Véspera de Natal. Saio de São Paulo (SP), visito um amigo em Paranavaí (PR) e, de tarde, sigo para Campo Mourão (PR). Ao chegar na cidade, acompanho parentes e amigos a um sítio para passarmos o feriado por lá. Foi muito divertido! Pelo menos a parte que eu lembro…

Eu sou do tipo que adora uma cervejinha com os amigos no final de semana. Na maioria das vezes, saio bem do lugar. Às vezes um pouco alegre, mas bem o suficiente para andar sem cambalear, lembrar a senha do meu cartão, pegar o Metrô correto e acordar sem ressaca no dia seguinte.

Vez ou outra, é claro, o limite é ultrapassado, geralmente por influência da ocasião: uma balada, uma comemoração importante ou mesmo uma festa de fim de ano. De vez em quando é bom, acredite! Pelo menos no meu caso, me divirto bastante nestes momentos. O problema é a ressaca no dia seguinte, mas tudo bem, dá-se um jeito.

Mas, naquele Natal, alguma coisa saiu do controle. Todo mundo festejando, conversando alto, dando risada, enfim, um ambiente muito bacana mesmo! Eu estava lá, no meio da turma, apenas me mantendo na cerveja, mas aí eu aceitei uma mistura com destilados, repeti a dose e a coisa desandou.

O fato é que, entre 3h e 6h da manhã (hora que, supostamente, fui dormir), eu não lembro de absolutamente nada! Sei que eu estava numa roda conversando com a galera e, no instante seguinte, que bizarro, acordo sentindo dores, tontura e fraqueza!

Esta parte foi engraçada, reconheço: diante de tantos quartos que tinha na casa, acordei justamente dentro de um dormitório de criança, com paredes rosas e brinquedos por todos os lados. Algum engraçadinho colocou uma boneca do meu lado e eu, talvez pelo meu hábito de abraçar o travesseiro enquanto durmo, mantive-a entre meus braços durante o sono. Por sorte, ninguém estava sóbrio o suficiente para ter a ideia de tirar uma foto :D

Depois que eu levantei, cada pessoa me cumprimentava e se lembrava de alguma coisa que eu contei ou fiz, mesmo aqueles que aparentemente ficaram tão ruins quanto eu. Fiquei atônito: “Como assim?”, “Não lembro de nada disso!”, “Eu falei isso?”, “Não é possível, não era eu!”.

Pelo o que o pessoal me contou, não foi nada digno de (muita) vergonha, então essa realmente foi a parte boa. A parte ruim é que não se lembrar de um intervalo de tempo tão longo é assustador! Já havia acontecido antes, mas não de maneira tão intensa e prolongada!

A ressaca, é claro, foi a pior parte. Não chegou ao ponto de eu precisar ser hospitalizado (mas faltou pouco), mas o mal-estar durou o dia todo e aquilo me deixava aflito, quase me fazendo entrar em desespero. Só melhorei mesmo na hora do jantar.

Ao “investigar” o que aconteceu (porque, repito, não lembro de nadica de nada), descobri que eu tomei vodca, tequila e outros destilados como se fosse água. Uma mistureba das grandes que não poderia ter outra consequência.

O fato é que esta experiência realmente me traumatizou. Eu já havia ficado bêbado e pagado alguns micos, como disse antes, mas nada que fugisse tanto do controle. Encher a cara de vez em quando é bom, desde que você consiga se lembrar do que aconteceu e não fique com uma ressaca tão violenta. Naquele Natal, eu finalmente descobri até onde eu poderia ir e quase estraguei o meu feriado com essa descoberta.

Depois dessa, acho pouco provável que algo do tipo aconteça de novo. E não é só porque aprendi a lição: já reparou que, quando você come algo que te faz mal, você fica com nojo daquela comida? Pois é, desde aquele dia, faço cara de “blergh” toda vez que vejo uma garrafa de destilado.

Não se trata, necessariamente, de medo de um novo porre, mas sim de acontecer novamente uma das coisas que mais temo na vida: perder o controle.

Não vou deixar de ir pro bar com os amigos no final de semana ou de comemorar algo importante. Só vou lembrar que, depois de certo ponto, beber não tem mais graça: se eu notar que estou bebendo pelo volume, não pelo gosto, entenderei que é hora de parar.

Difícil? Acho que não. Na semana seguinte, no réveillon, bebi com todo mundo da festa, fiquei alegrinho, mas foi algo controlado, bem mais tranquilo e que não diminuiu em nada a minha diversão. E eu lembro de tudo, hehe. Na vida, a gente paga mesmo é pelo excesso.

Ao som de The Gathering – Saturnine.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

7/1/2012 - 13:11

Postado em Reflexão

3 comentários para 'Pagando pelo excesso'

  1. É verdade.. no ano novo você estava apenas alegrinho.. ^^

    KellBonassoli

    7/1/2012 - 13:21

  2. Hahaha nossa, o máximo de “bebedeira” que cheguei foi num restaurante italiano em Mountain View que eu comi feito uma condenada e bebi meia garrafa de vinho (que pra mim é muito). Cheguei no hotel toda alegrinha, com aquele corpinho mole bom pra deitar na cama e dormir quando meu estômago começou a revirar. Nem preciso dizer o que aconteceu. Dia seguinte minha cabeça latejava de dor e finalmente conheci o significado de ressaca! nunca mais. O_o

    Ila Fox

    7/1/2012 - 13:25

  3. Hehehe, pois é, Ila, meia garrafa de vinho para quem não é acostumado é uma aventura! Parabéns por ter sobrevivido :D

    Emerson Alecrim

    8/1/2012 - 9:25

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