Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Medo de voar de avião

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Este é um post que eu havia criado para um blog sobre aviação que não foi pra frente. Mas o texto pode ser tão útil que resolvi republicá-lo aqui. Em resumo: você tem medo de avião?

Bora voar?

Bora voar?

Quem não tem esse problema pode até achar que é besteira, mas muitas pessoas – muitas mesmo! – realmente sofrem quando entram em uma aeronave. Um exemplo clássico foi o saudoso Tim Maia, que temia tanto os aviões que só entrava – e se mantinha – dentro deles quando bebia, o que o fez se envolver em diversas confusões.

Em muitos casos, a pessoa não tem necessariamente medo de voar, mas receio de algum efeito indesejado, como ouvido tampado, enjoo, dor de cabeça, etc. Outras, por claustrofobia, se incomodam com a sensação de aperto ou aprisionamento que o avião pode causar. Mas me parece que a maioria tem mesmo é medo da situação de voo como um todo.

E há como perder o medo de avião, independente de qual tipo ele seja? Bom, não sou psicólogo ou coisa parecida, mas acredito que é possível perder o medo, sim, ou pelo menos amenizá-lo. Eis algumas dicas que, creio eu, podem ajudar:

- Tenha em mente que os aviões são muito seguros. A gente se assusta quando ouve falar de algum acidente, mas não leva em conta que dezenas de milhares de voos são realizados diariamente no mundo todo e, portanto, quando algo acontece, é porque se trata de uma coisa bastante fora do comum. É muito mais fácil morrer em um acidente dirigindo confiantemente o seu carro do que em um desastre aéreo;

- Não se preocupe com o movimento das asas. Tem gente que, ao vê-las balançar, entra em pânico pensando que elas vão se soltar a qualquer momento, mas não vão. As asas possuem certa flexibilidade justamente para ajudar na sustentação da aeronave, especialmente em situações de turbulência. Mas se esse balanço ou mesmos os movimentos dos flaps e afins (partes móveis) te fazem sentir um frio na barriga, escolha uma poltrona onde você não possa ver as asas;

- Ocupe a sua mente. Leia um livro ou uma revista que prenda bastante a sua atenção, faça palavras cruzadas, ouça música (mas apenas quando e se a tripulação autorizar o uso de eletrônicos), puxe conversa com a pessoa ao lado ou mesmo preste atenção na conversa de alguém. Isso não só te permitirá esquecer um pouco o avião como também fará com que o “tempo passe mais rápido”;

- Use roupas e calçados que te deixem confortável e não limitem a sua movimentação. Deixe para colocar o terno no hotel ou mesmo no banheiro do aeroporto, por exemplo;

- Para quem tem claustrofobia, é uma boa ideia sentar numa poltrona ao lado do corredor. Ali, você conta com o espaço do centro, diminuindo a sensação de “sufocamento”. Além disso, você pode sair do lugar mais rapidamente, aliviando o sentimento de “aprisionamento”;

- Não tome bebida alcoólica ou café em excesso. Você pode ficar mais ansioso do que calmo! Você também pode tomar remédios para controlar a ansiedade, mas pelamor, só o faça com orientação médica;

- Frio na barriga, palpitação, suor? Ok, tente controlar essas sensações com respiração. Feche os olhos, respire fundo e depois solte o ar, sempre devagar. Faça isso até se acalmar. Ao mesmo tempo, pense no benefício da viagem: conhecer um lugar bacana, conseguir um cliente novo, matar as saudades de uma pessoa, enfim;

- É normal o avião balançar, inclinar, fazer algum barulho, etc. Lembre-se que há pelo menos duas pessoas dentro da aeronave que são pagas e preparadas para lidar com todos os aspectos do voo, portanto, deixe que elas se preocupem com o avião.

Perceba que não há milagre. O negócio é enfrentar o seu medo. Aliás, sentí-lo é absolutamente normal e não é motivo para vergonha. O importante é não chegar ao ponto de deixar de viajar por causa disso. Se este é o seu caso, bola pra frente: levante a cabeça e procure ajuda profissional ;)

Ao som de Serj Tankian – Baby.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

18/12/2011 - 19:33

Postado em Cotidiano

TEDxCuritiba: mostrando o que a boa vontade pode fazer

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No último sábado (16/07/2011), eu fiz parte da plateia do TEDxCuritiba. Gastei cerca de uma hora fazendo a minha inscrição e, claro, fiquei deveras feliz ao saber que eu estava entre os selecionados. Por que fiz questão de sair de São Paulo e ir para Curitiba participar deste evento?

Bom, a temática do TEDxCuritiba foi Pessoas transformando cidades. E eu não só moro em São Paulo como nasci aqui, portanto, conheço bem o lugar, especialmente seus problemas, detalhes esses que todos nós reparamos, aliás. A questão é que eu nunca me conformei em fazer parte da turma que só esbraveja do sofá, tampouco acho que tão e somente sair às ruas em protesto seja suficiente. Se é assim, o que mais eu posso fazer? Pois é, me inscrevi para o TEDxCuritiba justamente para encontrar inspiração. No final das contas, saí de lá com muito mais do que isso.

TEDxCuritiba

Painel do TEDxCuritiba

O evento reuniu pessoas que realmente fazem as coisas acontecerem, que não se prendem somente ao discurso. Pessoas que agem com base em objetivos concretos, que verdadeiramente enxergam as nuances do nosso cotidiano e que, portanto, não fazem parte do bloco que “ajuda porque é bonito”. Ajudam por que é necessário.

O incansável arquiteto Jaime Lerner é um exemplo. Mais do que ter sido prefeito de Curitiba e governador do Paraná, fez trabalhos incríveis no planejamento urbano da cidade e em vários aspectos sociais do estado. Lerner tinha tudo para se render à burocracia e à cultura de “coronéis” do nosso país, mas teve jogo de cintura para escapar das armadilhas e deixar a sua boa vontade trabalhar. Como é bom encontrar gente que não age só visando interesses próprios, não?

Outro exemplo é o jovem Rene Silva, que ficou conhecido por relatar os acontecimentos da ocupação do Complexo do Alemão pela polícia do Rio de Janeiro, mas que, muito mais do que isso, criou o jornal Voz das Comunidades, que vem ajudando na resolução dos problemas da localidade.

Outro exemplo que achei fantástico foi o do Alessandro Martins, que colocou em prática uma ideia absurdamente simples, mas por isso mesmo genial: uma biblioteca livre numa padaria de Curitiba, onde qualquer pessoa pode pegar um livro sem se cadastrar, sem pagar e devolver a publicação quando quiser.

O encerramento do evento foi feito por Gil Giardelli, que, com uma palestra em ritmo alucinante, motivou por mostrar como o mundo digital é repleto de possibilidades pelo simples fato de ser movido pelo mesmo elemento-chave do mundo real: as pessoas, evidenciando que, na verdade, não há mundos distintos, apenas novos meios.

E há vários outros exemplos, que não menciono somente para não alongar demais o texto. Sabe, o TEDxCuritiba confrontou a crença de que esse tipo de discussão só trata de problemas. O que eu vi por lá, na verdade, foram soluções, iniciativas ou, ao menos, tentativas concretas.

Pegue, como referencial, o trabalho do Alessandro Martins. Trata-se de uma ideia tão simples, mas que pode fazer a diferença para pessoas que até então não se sentiam motivadas a ler. E mais: o fato de não haver cadastro ou prazo para a devolução do livro alimenta a sensação de confiança das pessoas, fazendo-as se sentirem parte de algo.

Percebe? É um trabalho simples, que não resolve os problemas do mundo e que, certamente, não atinge a mesma quantidade de pessoas que se beneficiam do projeto de transporte público do Jaime Lerner, por exemplo, mas que se torna absurdamente grandioso quando somado a outras iniciativas que fazem diferença à sociedade.

Saber de exemplos de corrupção, de má administração pública, de preconceito sexual, de violência, de educação ruim e de tantos outros problemas nos fazem ter a sensação de que não há mais jeito, que temos que ser espertos – e egoístas – para sobreviver ou, quando muito, para nos sobressairmos.

E essa sensação piora quando você se depara com pessoas que possuem maiores chances de se engajar em algo, mas que não se envolvem porque a sua inteligência, a sua cultura ou a sua situação financeira diferenciada é um merecimento que automaticamente a isenta de qualquer outra questão não relacionada aos seus interesses.

Mas, ter estado no TEDxCuritiba me fez perceber que, apesar dessa atmosfera de “ih, já era” ou de “ainda bem que não é comigo”, ainda tem muita gente de boa vontade por aí. Gente inquieta, que não se contenta, que não se conforma e que, portanto, enxerga possibilidades em coisas que parecem irracionais, mas que, na verdade, podem ser executadas com os pés nos chãos quando moldadas pela criatividade e pelo empenho.

E sabe o que é mais interessante? O TEDxCuritiba deixou claro que não precisamos liderar um grande projeto social ou colocar em prática uma ideia complexa para contribuirmos. Pequenas atitudes são uma boa maneira de começar. Coisas simples mesmo, por exemplo:

  • Descartar lixo eletrônico em postos de coleta adequados (mesmo se der um pouco mais de trabalho);
  • Ser paciente em incidentes no trânsito (mesmo quando você estiver com a razão);
  • Dizer bom dia, por favor, e obrigado (por incrível que pareça);
  • Doar os livros que só ocupam espaço na sua estante;
  • Relatar na internet uma experiência que possa ajudar outra pessoa (como você lidou com um determinado tipo de cirurgia, por exemplo);
  • Se queixar nos órgãos certos de problemas que você enfrentou como consumidor (sua reclamação pode evitar que outras pessoas passem por aquele problema);
  • Doar sangue de vez em quando (algo inclusive que eu tenho que começar a fazer);
  • Em uma situação trágica – um incêndio ou um acidente de trânsito – se manter longe do lugar caso não possa ajudar em nada;
  • Preferir um produto que consome menos energia (mesmo se for um pouco mais caro);
  • Deixar o carro na garagem quando o veículo puder ser facilmente substituído por outro meio de transporte.

Bom, para encerrar, links que encontrei para outros textos sobre o TEDxCuritiba:

O recado é esse: mova-se! A vida se torna muito mais interessante quando levantamos a cabeça e deixamos de enxergar apenas o próprio umbigo ;)

Ao som de Rush – Tom Sawyer.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

21/7/2011 - 14:05

Postado em Política, Reflexão

Harry Potter. Por quê?

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Essa comoção toda causada pela estreia do último filme da série Harry Potter nos cinemas me fez considerar este o momento ideal para escrever este post. Ideal porque traz à tona uma pergunta que me fiz assim que terminei de ler o último livro da série: por quê?

Tal como eu disse no Twitter, você pode até torcer o nariz, mas não tem como negar: Harry Potter se transformou em um marco para a literatura e para o cinema. E, desde que eu li o último livro da série, me pergunto: por que isso acontece? O que Harry Potter tem de tão especial? Fazendo uma piadinha sem graça, tamanho sucesso é oriundo de um “feitiço” de sua autora?

Como fã de livros, confesso que não tenho Harry Potter no topo da minha lista de publicações preferidas – este posto é ocupado pela trilogia O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings). Mas não posso dizer que a obra de J.K. Rowling não me fez efeito: li os sete livros em duas semanas, quando meu plano era ler apenas um neste período. Também não vou negar que nas páginas finais do último livro fiquei bastante angustiado. E novamente me pergunto: por quê?

Neste mundo fantástico criado por J.K. Rowling, a magia é, assim como o bom humor, apenas um elemento enriquecedor. Cheguei à conclusão de que, talvez, o que fascina mesmo as pessoas são os valores expostos na obra, com destaque para a amizade.

Harry PotterA amizade puxa varios outros sentimentos que valorizamos, mesmo quando não percebemos, entre eles, lealdade, confiança e, como não poderia deixar de ser, amor. Por mais clichês que pareçam, são valores que prezamos, com mais ou com menos intensidade. O que estou querendo dizer é que o que vemos nos livros – ou nos filmes – de Harry Potter são os reflexos de sentimentos que já experimentamos ou que desejamos ter para nós. Como consequência, simplesmente nos envolvemos com a história.

Se você estiver no pior lugar do mundo, essa situação pode não ser tão ruim ser houver boa companhia ao seu lado. E é justamente esse aspecto que faz toda a diferença na trama de Harry Potter. A história retrata sentimentos que fazem parte do cotidiano das pessoas, como tristeza, solidão, medo e ira, elementos esses que são superados mais facilmente com o apoio de braços amigos. E quem é que não gosta de saber que sempre tem com quem contar? Quem é que não sente falta de uma grande amizade que se desfez por algum motivo? Quem é que não gosta da sensação de querer bem e ser querido?

E tem mais: a obra também mostra que, por mais que a amizade seja uma diferencial, muitas vezes temos que enfrentar determinadas situações sozinhos. Em outras palavras, temos que tomar decisões.

Pois é, J.K. Rowling conseguiu explorar bem os pontos fracos da humanidade ou, se se você me permite ser mais otimista, os nossos pontos fortes. Como se não bastasse, complementou sua obra com as infinitas possibilidades da fantasia, que não só divertem e encantam, como também convidam o leitor/expectador a reavaliar aquilo que, ao longo da vida, aprendeu a encarar como sendo impossível.

Por conseguir simular tão bem essa parte da essência humana, J.K. Rowling garantiu um lugar na lista dos escritores mais admirados de todos os tempos e, como prêmio maior, verá a sua obra ignorar a ação do tempo e fascinar geração após geração, não duvido.

Mas há uma coisa que nenhuma futura geração conseguirá extrair da trama: o clima de despedida que o filme Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 2) trouxe. O próprio livro oferece isso, evidentemente, mas o filme o faz de maneira coletiva e global. Não é por menos que, na première realizada hoje (07/07/2011) em Londres, fãs, atores e a própria J.K. Rowling caíram no choro. Talvez este seja o último presente da saga: a noção de que tudo nesta vida tem um fim.

* * *

Para encerrar, um pequeno brinde: algumas frases de uma das figuras mais admiradas de toda a história de Harry Potter, Alvo Dumbledore:

  • São as nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades;
  • Não vale a pena mergulhar nos sonhos e esquecer de viver;
  • Não tenha piedade nos mortos. Tenha piedade dos vivos e, acima de tudo, dos que vivem sem amor;
  • A indiferença e o abandono muitas vezes causam mais danos do que a aversão direta;
  • As cicatrizes podem vir a ser úteis. Tenho uma acima do joelho esquerdo que é um mapa perfeito do metrô de Londres;
  • As meias nunca são suficientes. Mais um natal chegou e passou e não ganhei nenhum par. As pessoas insistem em me dar livros;
  • Para a mente bem estruturada, a morte é apenas a grande aventura seguinte;
  • A verdade é uma coisa bela e terrível e, portanto, deve ser tratada com grande cautela;
  • Os jovens não podem saber como os idosos pensam e sentem. Mas os velhos são culpados quando se esquecem do que era ser jovem.

Ah, e mais uma coisa: se você só conhece a história de Harry Potter pelos filmes, recomendo veementemente que leia os livros ;)

Ao som de The Rolling Stones – Stray cat blues.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

7/7/2011 - 22:42

Postado em Entretenimento