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26/3/2008

Extração de dentes do siso: não foi tão ruim assim!

Por Emerson Alecrim

Eu havia comentado com dois amigos meus (Wilerson e Alini) sobre o quanto estava preocupado com as extrações dos dentes do siso (terceiro molares) que eu teria que fazer. Comecei a esquentar a cabeça quando levei minha radiografia panorâmica à minha dentista. Ela disse que meus sisos inferiores tinham remoção bastante complicada por estarem inclusos (ou seja, não saíram para fora da gengiva) e por estarem na horizontal, isto é, “deitados”. Por causa disso, ela me encaminhou a uma especialista no assunto.

Com o antro de informações que é a internet, naturalmente, comecei a pesquisar no Google sobre extração de dentes. Mas só o fiz depois de encontrar alguns relatos assustadores em comunidades do Orkut. A maioria das pessoas descreveu fortes dores dias após a extração, problemas com inchaço do rosto e alguns outros incômodos, como parestesia e dificuldade de abrir a boca. Sem contar a descrição que muitos fizeram do momento em que ficaram na cadeira do dentista. Parecia mais um conto de terror!

Sem sofrimento na cadeira do dentistaBom, pelo Google, eu soube mais ou menos como seria essa extração e de quais seriam os riscos. De fato, os terceiros molares inferiores costumam ter remoção mais difícil e podem causar mais transtornos durante o período de recuperação. Além disso, é na extração desses dentes que pode ocorrer a tão temível parestesia, que nada mais é do que uma falta de sensibilidade que atinge parte do rosto, da língua e dos lábios no lado onde o dente foi retirado. Isso pode acontecer porque o dente fica muito próximo do nervo responsável por essa sensibilidade. Um simples toque de um instrumento cirúrgico ou a pressão causada por um edema que se forma na região, pode fazer com esse nervo sofra danos, causando a parestesia. Mas, quando isso ocorre, há apenas a falta de sensibilidade, já que a movimentação do rosto não é afetada. Além disso, a parestesia é temporária. A recuperação pode levar alguns dias ou até meses, tudo depende do grau da lesão e do organismo da pessoa. A parestesia só passa a ser permanente se o nervo for rompido, mas isso muito raramente ocorre, a não ser que o cirurgião seja ruim.

Bom, não me restou outra solução a não ser procurar a tal especialista no assunto, já que tentar obter informações na internet estava me deixando mais confuso. Foi a melhor coisa que fiz. No dia, ela me disse o porquê do meu caso ser complicado, explicou como seriam as extrações, esclareceu todas as minhas dúvidas e me deu todas as orientações pré-cirúrgicas. Então, ontem, 25 de março de 2008, fui à clínica fazer as extrações…

Para começar, a doutora me deu um líquido para higienizar a boca. Depois de cuspir o líquido, ela passou uma pomada no local onde a gengiva seria cortada. Em seguida, começou a aplicar a anestesia. Essa foi uma parte chata. A doutora aplicou anestesia em três pontos da boca e, confesso, foi bastante dolorido, mas essa dor durou apenas alguns segundos, portanto, não foi nada insuportável. Depois disso, ela começou a fazer alguns testes, me perguntado se eu sentia dor em determinada região. Após constatar que eu estava devidamente anestesiado, ela começou o procedimento, não sem antes me orientar a avisá-la caso sentisse alguma dor ou incômodo maior.

Com uma broca, ela começou a cortar o dente incluso, uma técnica chamada odontosecção. Essa situação pode assustar um pouco, pois começa a sair um pouco de fumaça da boca e um cheiro de queimado, ambos causados pelo atrito da broca com o dente. A doutora dividiu o dente em vários pedaços e, para tirar a raiz, teve também que mexer em parte do osso da mandíbula. Mais fumaça e mais cheiro de queimado. Depois, fazendo esforço, ela tirou os pedaços ainda presos. Essa cena pode parecer bastante assustadora, mas conforme a doutora mesmo me explicou, é melhor dividir o dente em vários pedaços do que causar um trauma ainda maior e mais arriscado à boca.

Depois disso, ela fez uma limpeza no local, tirou um raio-x para se certificar de que não ficou nenhum fragmento de dente ou de osso dentro do espaço deixado pelo dente e fez a sutura, isto é, aplicou os pontos. Em seguida, partiu para o dente superior. Novamente, a aplicação da anestesia incomodou, mas a dor durou apenas alguns poucos segundos. Quando a região estava anestesiada, a doutora prendeu o dente superior com um instrumento, fez um pouco de força e, pronto, lá estava o dente, retirado em torno de 1 minuto!

No momento seguinte, a doutora fez a sutura e a limpeza no local, deu a receita com os medicamentos que eu tenho que tomar, forneceu um documento explicando como devo agir no pós-operatório, explicou o que tenho que fazer em caso de dor ou de sangramento e me deu um número de telefone para o qual eu posso ligar em caso de urgência. Por fim, quando fui para a sala de recepção, uma assistente me deu as primeiras doses dos remédios.

O que posso dizer de tudo isso é que a experiência não foi nada traumatizante. Pelo o que eu pude apurar em relatos que encontrei na internet e no Orkut, a maioria esmagadora das pessoas que tiveram problemas maiores após a extração dos dentes, se encaixa em uma das seguintes situações: 1) fez o procedimento com um profissional despreparado; 2) não seguiu as recomendações do pós-operatório; 3) estava muito nervosa.

É importantíssimo encontrar o profissional certo! Se você perceber que o doutor (ou doutora) que você procurou não lhe forneceu explicações claras, pareceu inseguro ou impaciente em algum momento ou lhe causou qualquer desconfiança, não hesite, procure outro! É por isso que é importante conversar com a pessoa, ter mesmo um bom bate-papo sobre o assunto. É a melhor forma de fazer uma avaliação. Quando encontrar o profissional que lhe parece certo, siga à risca as recomendações que ele te dar, responda com sinceridade a tudo o que ele perguntar, faça os exames solicitados, enfim, ajude ele a te ajudar.

Outra coisa importante: mantenha-se calmo. Se você ficar tenso, sua pressão pode subir, sua suscetibilidade à dor vai ser maior, você pode ter movimentos involuntários ou se mexer demais e, acredite, isso atrapalha o procedimento. Mas aí novamente entra em cena a questão da escolha de um bom profissional. Acima de tudo, ele deve te dar orientações durante todo o procedimento para te deixar mais tranqüilo. Foi assim que a doutora agiu comigo.

Bom, para encerrar a história, digo que eu fui extrair os dentes preparado para uma guerra e voltei de lá dando risada da situação (modo de dizer, afinal, minha boca tinha que estar fechada). Ainda tenho mais um dente superior para extrair e um outro inferior, mas em relação a este último, a doutora está analisando, pois acredita que talvez seja melhor preservá-lo. Ah, um dia depois das extrações, meu rosto inchou pouco, quase não sinto dor e não fiquei com parestesia (é só seguir os cuidados pós-operatório). Escolher o profissional certo, mesmo pagando um pouco mais caro, vale a pena. Aliás, se alguém em São Paulo quiser que eu indique a doutora que cuida do meu caso, é só me mandar e-mail ;)

Ao som de Sirenia - Meridian (esse música me deixa arrepiado!).

15:37 | Cotidiano | 7 comentários


21/3/2008

Era uma vez três moças, uma poça d’água e um caminhão…

Por Emerson Alecrim

Se você sai em um temporal, mesmo que protegido por um guarda-chuva ou por uma capa plástica, é para se molhar. Se a água não vem de cima, vem de baixo. Seco ninguém fica, meu amigo.

Eu já não tenho o hábito de sair de casa com um guarda-chuva. Se o céu está desabando, o máximo que faço é me proteger em algum lugar coberto para esperar sua força diminuir. Foi isso que eu fiz no último sábado. Fiquei debaixo de um toldo de um bar por uns 20 minutos. Em frente, no outro lado da rua, três moças faziam o mesmo, com a diferença de que elas estavam se protegendo dentro de uma loja.

Murphy, que sempre lembra de mim nessas horas, me ajudou a escolher o lado errado, o que me deixou muito p***, é claro. Para começar, o bar estava cheio e o toldo não protegia muito bem. Além disso, eu estava dividindo espaço com um bando de marmanjos. Se eu tivesse escolhido a loja para escapar da chuva, ficaria melhor protegido, não estaria em um lugar tão cheio e minha companhia seria aquele trio de belas moças (bom, pelo menos pareciam belas de onde eu estava).

Então eu fiquei lá, olhando pra frente com uma cara de criança que comeu e não gostou. Enquanto isso, um cheiro de gordura misturado com pinga barata impregnava o bar. Do outro lado da rua, as meninas estavam belas e tranqüilas, conversando calmamente. Eu já estava reclamando (de novo) sobre o quanto a vida é injusta e tal, quando, de repente, ele apareceu! Veio furioso, impiedoso, imponente, determinado, barulhento, veloz, invencível e… Eu já disse impiedoso?

Gato molhadoSim, já que, depois que ele passou, as meninas pareciam gatos molhados gatas molhadas. Os cabelos, até então bem penteados, estavam tão molhados que grudavam em seus rostos. Da maquiagem bem feita, aparentemente só sobrou o batom. As roupas pingavam tanto que pareciam recém-tiradas de uma máquina de lavar. As bocas abertas e falantes demonstravam espanto e indignação. Enquanto isso, dois ou três funcionários tentavam, com rodos e vassouras, empurrar para fora a água que entrara de maneira tão brusca loja adentro. Será que foi aquela imensa poça d’água em frente ao estabelecimento que fez tanta gente preferir o bar para se proteger?

Mas, sabe, uma vez eu passei por isso. Apesar de todos os transtornos, de todos os xingamentos que fiz à mãe do caminhoneiro, a ocasião me fez pensar em questões importantes sobre a chuva, a vida e o universo. Por exemplo: por que inventaram poças de água que mais se parecem rios? Por que fazem caminhões tão pesados e com tantas rodas? Por que a água das poças é tão gelada? Por que os motoristas das carretas não passam devagar por elas?

Sei lá se aquelas belas e ensopadas moças aproveitaram a oportunidade para refletir sobre essas questões, só sei que, pelo menos para mim, nunca um bar cheio de marmanjos e cheirando à gordura pareceu um ambiente tão agradável! Ah, talvez seja por isso que Murphy tenha intensificado os seus ataques contra mim ultimamente, mas naquele dia, eu pude dizer a ele, em alto e bom som: FAIL!

Ao som de Draconian - Bloodflower.

1:57 | Cotidiano | 3 comentários


9/3/2008

Quem disse que São Paulo não pára?

Por Emerson Alecrim

Quando comecei a trabalhar na empresa em que estou atualmente, saia de casa às 5h50 da manhã e, não raramente, chegava cedo por lá. Já tenho pouco mais de dois anos de casa e, nesse meio tempo, tive que mudar meu horário de saída para 5h40, depois para 5h30, em seguida para 5h20 e, agora, saio de casa às 5h15. Confesso que já estou pensando em sair às 5h10…

O que está fazendo com que eu tenha que sair cada vez mais cedo de casa para ir ao trabalho (ou para qualquer outro compromisso) é um dos maiores problemas que os paulistanos enfrentam: trânsito congestionado. Quem sai às ruas todos os dias não consegue deixar de reparar que a situação piora em um ritmo acelerado. Eu, por exemplo, estou levando quase uma hora para fazer trechos que tomavam apenas 25 minutos do meu tempo.

O transporte público, lamentavelmente, não consegue aliviar o problema. Ônibus vivem abarrotados de gente, tanto é que às vezes penso que esses veículos já saem lotados da garagem! Com os trens da CPTM e do Metrô a situação não é muito diferente. O sistema todo chega a funcionar em 100% da sua capacidade nas horas de pico. Qualquer coisinha, por exemplo, um indivíduo que ficou preso na porta, é capaz de atrasar toda a circulação, fazendo com que mais gente se aglomere nas plataformas das estações, causando mais atrasos e tal. É um círculo vicioso!

Foto meramente (auto)provocativa
Foto meramente (auto)provocativa

O trânsito caótico não causa apenas atrasos. São tantos veículos próximos uns dos outros que é impossível não haver acidentes, fechar outros carros, ser fechado, dar freadas bruscas e até brigar por motivos banais, afinal, os nervos estão à flor da pele. E ainda tem a questão do desperdício de combustível, da concentração de poluentes, da ambulância atrás com as sirenes berrando e você sem conseguir movimentar o seu carro, do infeliz que se aproveita da situação para cometer furtos, etc, etc, etc…

O pior é saber que esse é um problema sem solução e que, na melhor das possibilidades, apenas continuará do jeito que está. Mas melhorar, ah, isso não vai acontecer nunca! O governo pode construir mais avenidas, pode duplicar vias já existentes, pode aumentar a malha ferroviária e metroviária, pode colocar mais ônibus nas ruas, pode fazer o que for, mas tudo não passará de medidas paliativas. São Paulo está abarrotada de gente e isso, por si só, é suficiente para termos todos esses transtornos.

Mesmo inconformado, o paulistano se vira como pode. Uns apelam para motos. Outros optam por trabalhar a noite. Os que podem usam helicópteros. Há quem torça para esse negócio de teletransporte virar realidade. Ao restante, cabem as opções de sair cada vez mais cedo de casa, de sair no horário e correr o risco de chegar atrasado ou, se preferir, de “chegar cedo para amanhã”…

Como complemento, eis uma reportagem sobre o assunto publicada pela revista IstoÉ.

Ao som de Nevermore - In memory.

11:03 | Cotidiano | 4 comentários


2/3/2008

Doze anos sem Mamonas

Por Emerson Alecrim

Hoje é 2 de março de 2008. Há exatos 12 anos que o Brasil vivenciou uma das suas maiores tristezas: a morte dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas. Mesmo depois de todo esse tempo, eu me lembro com detalhes daquele dia, ou melhor, da manhã do dia seguinte, quando soube da notícia. Era domingo, pouco mais das 11 horas da manhã, e eu havia acabado de acordar. Liguei a televisão, que sintonizou o canal 4, do SBT, com imagens ruins. Desde aquela época eu já não simpatizava muito com os programas dominicais, mas antes que eu pudesse trocar de canal, vi e ouvi o apresentador Gugu Liberato anunciar a tragédia.

Eu tinha 12 anos em 1996. Assim como qualquer criança da época, eu adorava a banda. Sabia as letras de quase todas as músicas dos Mamonas Assassinas e assistia a todos os programas de TV em que eles apareciam. Sentado no sofá, sozinho na sala, ficava mudando de canal para ter certeza de que havia entendido bem, afinal, como disse, a TV não exibia as imagens do SBT corretamente. Após sintonizar pela terceira ou quarta vez a TV Globo, aquela musiquinha de arrepiar do Plantão da Globo tocou e, instantes depois, um repórter forneceu mais detalhes sobre o acidente aéreo que tirou a vida dos Mamonas Assassinas.

Capa do CD dos Mamonas Assassinas

Então era verdade. Dois anos depois de ter sentido toda aquela angústia pela morte do Ayrton Senna, lá estávamos nós novamente diante daquela sensação ruim. A sede por detalhes era grande. Naquela época, eu sequer imagina que um dia utilizaria a internet para obter qualquer tipo de informação. Por conseqüência, eram rádios e TVs ligados. Em menos de uma hora, todos da casa já sabiam do ocorrido e, nos corredores do meu prédio, os vizinhos comentavam o assunto. E será que havia alguém que falava de outra coisa?

A TV já exibia imagens aéreas do local do acidente. Assim como muita gente, eu ficava na expectativa do repórter anunciar que ao menos um sobrevivente havia sido encontrado. Em vão. A dimensão da tragédia não deixou espaço para que alguém escapasse vivo do acidente. As imagens eram torturantes: exibiam demoradamente corpos cobertos sendo transportados por um helicóptero até um terreno próximo. Quando anoiteceu, não restou outra coisa, a não ser acompanhar mais detalhes sobre a tragédia no programa Fantástico…

E se passaram 12 anos. O que mais me espanta e, na verdade, o que me motivou a escrever esse texto, é o fato de, vez ou outra, eu ver crianças cantando uma música dos Mamonas Assassinas. Veja bem, eu estou falando de crianças que eram bebês no ano em que eles morreram ou que sequer tinham nascido! É claro que elas nunca saberão do quanto era bacana ver os Mamonas em ação na época do seu auge e muito menos terão idéia do estado de choque que o Brasil ficou com a tragédia. No entanto, o fato dessas crianças reconhecerem as músicas do grupo e até se divertirem com elas nos dias atuais, indica que os Mamonas Assassinas não vieram apenas para fazer sucesso e para fazer o povo rir. Vieram também para fazer história!

Ao som de Mamonas Assassinas - Vira-vira.

15:56 | Interessante | 12 comentários


24/2/2008

Mappin, venha correndo, Mappin!

Por Emerson Alecrim

Lá estava eu, belo e tranqüilo, ouvindo meu MP3-player no ônibus, ao voltar para casa. Em um dos bancos da frente, uma mulher se levantou e se dirigiu à porta traseira para desembarcar. No exato momento em que ela passou por mim, tive que me controlar para não dizer “eita, p%£³#!”. Não, não havia nada de errado ou de esquisito com a mulher, exceto o fato de ela estar carregando um objeto que faz parte do passado: uma sacola do Mappin.


Logotipo do Mappin [1]

Foi sensação de nostalgia pura, entende? O Mappin completará 10 anos de falência em 2009, o seu fechamento deixou todo mundo perplexo na época, eu vi as pessoas comentando sobre o fato ao invés de comentarem sobre o jogo de ontem, e quem era cliente fiel da loja, tal como minha mãe, ficou um bom tempo sem ter um local preferido para as suas compras. Para muitos, uma única loja do Mappin era mais interessante que um shopping inteiro, inclusive para mim: a unidade localizada na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal, e que era um símbolo de São Paulo. Exagero? Não, meu amigo, o Mappin morreu com 86 anos de idade, praticamente viu São Paulo crescer e cresceu junto com a cidade…

De acordo com este artigo de Abramo Nicola Battilana, o Mappin nasceu com o nome Mappin Stores, em 1913, pelas mãos astuciosas dos irmãos ingleses Walter John Mappin e Herbert Joseph Mappin. Na época, contava com 11 departamentos, 40 funcionários e estava localizado na rua XV de Novembro. Seis anos mais tarde, a loja passou a ocupar um prédio na Praça do Patriarca, já contando com 34 departamentos e mais de 200 empregados.


Mappin Praça do Patriarca, em 1937 [2]

Em 1939 - olhe só, a época em que meus avós curtiam a juventude - o Mappin se mudou para o que se tornaria a sua loja mais famosa: o prédio João Brícola, próximo ao conhecidíssimo Viaduto do Chá e em frente ao Teatro Municipal de São Paulo. Essa era a loja que eu mais gostava de ir, pois era enorme! Em um andar havia só brinquedos, em outro, somente roupas, e assim por diante.

No início, o Mappin foi um lugar bastante requintado, vendia apenas produtos importados e oferecia serviços como salão de chá e barbearia à população mais nobre de São Paulo. Esse cenário mudou quando o empresário do café Alberto Alves Filho assumiu a operação da empresa, no início da década de 1950, devido às dificuldades que os antigos controladores tinham em se adaptar à nova realidade econômica do estado. Foi essa mudança que fez com que o Mappin passasse a comercializar produtos nacionais e atrair uma clientela com menos recursos financeiros.


Mappin Ramos de Azevedo
Comemoração da Copa de 1970 [3]

Alberto Alves Filho permaneceu no comando do Mappin até a sua morte, em 1982. Durante esse tempo, fez o Mappin ser inovador em muitos aspectos: aumentou o número de lojas, implementou o sistema de pagamento por crediário (isso em 1953), montou uma financiadora e, em 1972, criou o sistema de crédito automático. Ainda cuidou da modernização de suas lojas, fazendo estudos para a implementação de sistemas de automação.

Tanto trabalho fez do Mappin uma empresa admirada. Uma pesquisa feita pelo Gallup, em 1984, mostrou que 97% da população paulistana conhecia o Mappin, sendo que 64% dos entrevistados já havia feito compras na loja. Neste mesmo ano, a revista Exame concedeu ao Mappin o título de “Melhor empresa no varejo dos últimos 10 anos”. Era uma companhia fantástica até mesmo para os funcionários, basta perguntar aos ex-colaboradores da empresa para comprovar isso!

Mesmo com o falecimento de Alberto Alves Filho, o Mappin seguiu crescendo. Abriu várias unidades, inclusive em shoppings, e continuou com a sua política de oferecer os mais variados produtos. No entanto, em 1995, uma notícia fez os alicerces do Mappin se abalarem de tal forma que nunca mais houve recuperação: a empresa anunciou o maior prejuízo de sua história, no valor de 19,46 milhões de reais.

Em 1996, o grupo Casa Anglo, que controlava o Mappin, vendeu a Financiadora Mappin para o BBA Credistaltant por 50 milhões de reais. No mesmo ano, foi a vez do Mappin em si ser vendido pela bagatela de 25 milhões de reais. O comprador foi uma empresa de nome United Indústria e Comércio, pertencente a Ricardo Mansur. Ainda em 1996, o empresário fechou a compra do banco Antônio de Queiroz, que mais tarde passou a se chamar Crefisul. As compras não pararam por aí: em 1997, foi a vez da também tradicional cadeia de lojas Mesbla ser adquirida.

Neste ponto, começa uma trama complexa, confusa e vergonhosa, tendo Mansur como principal vilão (para não dizer o único). A compra do Mappin não se mostrou errada, afinal, a empresa não estava bem das pernas, mas também não estava morta. No entanto, a ambição de Ricardo Mansur foi longe demais com a compra da Mesbla. Essa sim estava quebrada, e Mansur acabou investindo nela recursos do Mappin e do banco Crefisul, já que o seu “padrinho” Lázaro Brandão, ex-presidente do banco Bradesco e principal apoiador financeiro da aquisição do Mappin, não foi favorável à nova compra. Nada mais natural, afinal, Mansur fez jogadas financeiras arriscadas e estranhas nesse período e perdeu toda a pouca confiabilidade que tinha. Como resultado, o Banco Central acabou com a Crefisul, os fornecedores deixaram de receber os pagamentos devidos pela Mesbla e pelo Mappin, e, conseqüentemente, dezenas de processos de falência foram abertos contra ambas as empresas.


Mappin de Campinas logo após a falência [4]

Nem a contratação de José Paulo Amaral, executivo contratado para salvar ambas as empresas, foi capaz de impedir o inevitável: em 1999, a Justiça mandou o Mappin fechar as suas portas, assim como a Mesbla, colocando centenas de dedicados funcionários no olho da rua e fazendo com que São Paulo perdesse duas de suas mais tradicionais lojas de varejo. Mansur, é claro, nunca chegou a ficar “pobre” por causa disso…

A perda certamente se estende a todo o Brasil: se o Mappin ainda estivesse de pé, provavelmente estaria hoje presente em vários estados e, talvez, teríamos um rumo diferente para o comércio eletrônico no país. Pouca gente sabe, mas o Mappin chegou a comercializar produtos pela internet. De acordo com esta matéria de 16/09/1997 da Folha de São Paulo, o Mappin criou um site de vendas em 1996, mas fechou uma parceria com o UOL no ano seguinte para ampliar a oferta de produtos. Foi, portanto, uma das pioneiras do comércio eletrônico brasileiro e poderia ter tido um nome tão forte quanto o Submarino e a Americanas.com.

Aos paulistanos sobraram nomes como Casas Bahia, Americanas, Pernambucanas, Ponto Frio, Renner, C&A e, claro, os shoppings, mas nada lembra de perto os bons tempos do Mappin. Quem passa em frente ao prédio que o Mappin ocupou na Praça Ramos de Azevedo, não vai precisar ver uma mulher com uma sacola com os dizeres “Mappin” para se lembrar dos belos enfeites de natal, das vitrines chamativas, da variedade de produtos, das liquidações (que eram realmente liquidações) e do jingle da loja que tocava nos comerciais de TV:

“Mappin, venha correndo, Mappin, chegou a hora Mappin, é a liquidação!”

Referências: Época, Folha, Veja, Abramo N. Battilana.
Fotos: [1] Nostalgia 90, [2] Marici Bross, [3] Almanack Paulistano, [4] Unicamp/Jornal Correio Popular.

Ao som de Legion of Hetheria - Sacrifice.

22:21 | Interessante | 9 comentários


18/2/2008

Conselhos de amigo, nobre calouro

Por Emerson Alecrim

EstudanteHoje, 18 de fevereiro de 2008, é o primeiro dia do ano para muita gente, em especial para alunos de vários colégios, faculdades e universidades espalhadas por aí. Por trabalhar nessa área, sei que todo ano acontece a mesma coisa: no início do semestre letivo, os calouros estão pra lá de empolgados com a nova jornada. Quando chegarem ao final do semestre, muitos estarão em um verdadeiro estado de nervos! Até já escrevi sobre isso aqui

Esse desespero, em parte, é oriundo de um péssimo hábito brasileiro: deixar as coisas para a última hora. Deixar para estudar na véspera da prova ou mesmo hora antes da avaliação começar dificilmente dá bons resultados. Nessas horas, é preferível rezar ou preparar a sua cola, pois, a não ser que você tenha estudado antes e esteja fazendo apenas uma simples revisão, dificilmente terá a bagagem necessária para encarar o exame.

A mesma coisa vale para os trabalhos acadêmicos. Fulano deixa para a última hora e xinga os funcionários da biblioteca ou dos laboratórios de informática porque estes se negam a abrir esses locais antes da hora. Não raramente, também xingam ao constatar que o livro que procurava já está em uso por outro aluno ou que o computador que utiliza não tem o software que precisava.

E não acaba por aí: no auge do desespero (ou da preguiça mesmo), muita gente acessa a internet, seleciona o conteúdo de uma determinada página, pressiona Ctrl + C e, depois de abrir o Word, Ctrl + V. Tem gente que acha que os professores não sabem utilizar a internet e fazem cópias de textos on-line descaradamente. Se esse é o seu caso, meu amigo, vou te contar um segredo: as chances do seu professor já ter visto aquele mesmo texto pelo menos umas 10 vezes no último mês são grandes!

E isso é muito legal: Beltrano está na faculdade ou nos últimos anos do colégio e tudo parece festa. Seus amigos são demais! Tem bar todos os dias a partir da quarta-feira. Baladas imperdíveis na sextas e nos sábados. Seus pais estão bancando todos os gastos ou ele, de alguma forma, conseguiu uma bolsa que ameniza as despesas. Mas ai eu te conto mais um segredo: o tempo não está nem aí para as alegrias alheias e vai fazer o relógio funcionar sem dó nem piedade.

Acostume-se com a idéia: para você realmente conseguir estudar, vai ter que fazer alguns sacrifícios. Você vai ter que ir menos aos bares e às festas. Vai ter quer perder fins de semana. Vai ficar trancado no quarto em companhia dos livros enquanto seus amigos estão na praia. Vai virar noites em claro enquanto seu irmão mais novo tem um sono tranqüilo no quarto ao lado. Vai tomar um café-da-manhã pífio porque acordou atrasado. E tudo isso vai piorar se você tiver que trabalhar ou fazer um estágio.

É difícil, é chato, mas vai por mim: vale a pena! Não tem nada melhor do que chegar no final do semestre e comemorar ao saber que você foi aprovado em cada matéria que fez. E você não precisa passar o semestre inteiro concentrado nos livros, até porque estudar demais também não é bom. Tudo o que você deve fazer é usar o bom senso e controlar os excessos. Assim, você vai chegar no final do período letivo sem o desespero absoluto em que ficam muitos dos alunos que vejo por aí. Palavra de quem conhece muito bem os dois lados da moeda :)

Ao som de Flowing Tears - The marching sane.

10:34 | Reflexão | 1 comentário


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