Página Inicial   |   Quem sou   |   Contato   |   Livros que leio   |   O que ouço   |   Sobre o blog   |   RSS (o que é isso?)

13/4/2008

Para facilitar o troco. Ou dificultar…

Por Emerson Alecrim

Quase que diariamente passo em uma lanchonete perto do meu local de trabalho para tomar café da manhã. Na maioria das vezes, gasto 3,70 reais. Como o valor é baixo, eu prefiro pagar com “dinheiro vivo” mesmo, mas na última sexta-feira descobri que nem sempre essa parece ser uma boa idéia…

Dificilmente tenho o valor exato para pagar o lanche, então dou uma nota de 5 ou 10 reais. O problema é que, ao fazer isso, o caixa é obrigado a voltar parte do troco em moedas. E eu odeio carregar moedas. Além disso, nem sempre o caixa as tem em número suficiente. Daí procurar facilitar: se tiver moedas na minha carteira, dou 10 reais e 70 centavos, com isso, o caixa me devolve exatamente 7 reais. Alguns são sacanas, e me devolvem, por exemplo, uma nota de 5 reais e quatro moedas de 50 centavos, mas tudo bem, tudo bem…

Na última sexta-feira, essa feliz jogada foi por água abaixo. A lanchonete colocou no caixa um funcionário ruim de contas, mas bota ruim nisso! Fui lá, efetuei o meu pedido e, na hora de pagar, fiz exatamente como explicado no parágrafo anterior: dei ao caixa 10 reais e 70 centavos. O problema é que ele não entendeu que os 70 centavos eram para facilitar o troco, então o cara “travou”. Bom, eu fiquei lá, parado, esperando calmamente, até que ele resolveu reagir:

- qual o seu pedido mesmo?
- Um salgado e um chá Mate.
- E você me deu…
- 10 e 70.
- Ah, tá. Ó o troco!
- Er… Você me devolveu 8 reais…
- Tá faltando?
- Não, tá sobrando 1 real, tome!
- Não, é isso mesmo…
- Hahaha… 10,70 menos 3,70 dá 7 reais!
- Não, mas é que você deu as moedas e…

E então eu perdi a paciência e resolvi ficar com o troco a mais. Você viu que eu tentei ser honesto, mas o rapaz não ajudou! Bom, depois eu contei a história para um colega de trabalho. Daí no sábado, fui ao mesmo lugar tomar café, mas dessa vez esse meu colega me acompanhou. E adivinha quem estava no caixa? Para mostrar que eu sou bonzinho, dessa vez paguei o valor exato. Mas meu colega resolveu sacanear: seu pedido deu 4,60 reais e ele deu ao caixa 10,85 reais.

moedas de real

O coitado do rapaz do caixa ficou tenso, parecia não saber o que fazer e, como se implorando por piedade, perguntou ao meu colega se ele não tinha o valor exato. Meu colega disse: “acho que eu tenho, mas você tem 1 real aí?”, e o rapaz lhe deu 1 real. Em seguida, meu colega lhe pagou exatamente 4,60 reais. O rapaz ficou aliviado, agradeceu e… Bom, meu colega começou a rir e, num gesto de quem tinha entendido que havia ido longe demais, devolveu a nota de 1 real ao caixa lhe dizendo que ele (o meu colega) havia errado a conta…

E eu fiquei ali, vendo de tudo de perto, incrédulo. Não pelo fato de o rapaz do caixa não conseguir fazer contas simples, já que eu não sei nada da vida dele para entender suas dificuldades, mas do fato de uma lanchonete como aquela permitir que uma pessoa despreparada assumisse o caixa. Isso é ruim não só por causar um rombo na arrecadação, mas também porque pode prejudicar o atendimento, fazendo com que o cliente mais impaciente prefira a lanchonete ao lado na próxima vez.

E em pensar que tudo começou quando eu queria facilitar o troco…

Ao som de Demether - Shy.

15:19 | Inusitado | 8 comentários


5/4/2008

O problema são as pessoas

Por Emerson Alecrim

Division BellVou te falar uma coisa: trabalhar em qualquer das áreas da computação não é uma tarefa fácil. O problema não são os computadores, não! Mais cedo ou mais tarde, a gente se entende com eles. O problema são as pessoas! Sabe, mesmo que um profissional da computação não trabalhe com suporte técnico, é conveniente ter algum preparo para lidar com as pessoas, pois para quem não é da área, todo mundo é um técnico de informática. São poucas as pessoas que entendem que, assim como a medicina possui várias especialidades, a computação também as tem: há quem seja especialista em banco de dados, há quem seja especialista em redes, há quem seja especialista em segurança, há quem seja desenvolvedor, etc.

Ninguém é obrigado a entender os detalhes que cercam nossa área, então fazemos o possível para facilitar a vida dos usuários dos nossos serviços. O problema é que nem sempre as pessoas entendem que é não fácil deixar tudo funcionando. Problemas acontecem e, muitas vezes, não sabemos a causa de imediato, o que nos força a investigar. Investigação requer algum tempo e, por conta disso, muita gente acha que estamos enrolando e que o problema, seja ele qual for, é culpa nossa. Está certo que, muitas vezes, é mesmo, mas nem sempre é assim. Um simples defeito em um equipamento pode pôr tudo a perder e nem sempre é fácil descobrir onde, exatamente, está o problema.

Aí sobram xingamentos, ligações de chefes, “eu vou perder o meu projeto por sua culpa”, “com quem eu reclamo?”, “quem é o seu supervisor?” e o diabo a quatro. Mas, somos pacientes, quebramos a cabeça, fazemos coisas que, em outras dimensões, devem ser impossíveis. Logo, tudo volta a funcionar. Daí as reclamações cessam, os chefes param de sacudir o chicote e nós corremos para o bar desafogar o estresse, afinal, o garçom e a cerveja são os únicos que não nos torram a paciência.

Aí vem o dia seguinte. Tudo está correndo bem, então a gente pode cuidar dos nossos afazeres do ponto em que paramos. Mas aí, de repente, alguém bate na porta. Aquele mesmo desgraçado que estava te xingando ontem entra sorridente, dizendo aquele “bom dia” de quem é a pessoa mais feliz do mundo e, em mãos, traz um laptop:

- Estou com um probleminha aqui e preciso da ajuda de vocês…
- Ah, entendo, mas nós não somos do suporte técnico…
- Ah, mas vocês são da informática…

Mesmo não tendo obrigação nenhuma, a gente ajuda o indivíduo, algumas vezes para se livrar logo dele para voltarmos às nossas atividades, afinal, também temos nossas obrigações, não ficamos o dia todo esperando alguém aparecer para ser ajudado.

Profissionais de TI (Tecnologia da Informação) também têm vida e, muitas vezes, precisamos lidar com assuntos que não dominamos. Aí, eu procuro um contador para tirar uma dúvida sobre imposto de renda, mas ele diz que só lida com assuntos contábeis da própria empresa e, para assuntos particulares, cobra uma pequena comissão, para não desvalorizar seu conhecimento. Significa então que, no dia em que eu te ajudei a resolver um problema no SEU computador, eu deveria ter cobrado também? Ah, mas informática é diferente…

Eu desligo o telefone torcendo para que esse indivíduo tenha um problema em seu computador e volte a me procurar. Mas a sede de vingança logo é esquecida porque eu ainda tenho um problema e não consigo achar a solução. Já que é para pagar, ligo para outro contador - um que eu nunca conversei antes e nunca pediu minha ajuda - e pergunto quanto ele cobra para esclarecer uma dúvida. Ele pergunta o que eu quero saber, dá os esclarecimentos, se nega a cobrar e ainda diz que, se eu precisar de ajuda novamente, é só ligar para ele. Poxa!

Bom, vem mais um dia. O telefone toca, alguém diz que algo não está funcionando. Após conferir, vejo que o problema foi uma falha grosseira de um colega… Não! O erro foi meu mesmo! Bom, aí explico, peço desculpas e me preparo para ouvir os tradicionais xingamentos: ah, tudo bem. Você dá uma ligadinha pra mim quando estiver tudo ok?

É por isso que eu digo, independente do que esteja acontecendo, o maior problema são as pessoas. Você nunca sabe a reação dos outros, da mesma forma que os outros nunca sabem qual é a sua reação. Daí, há conflitos quando poderia haver compreensão e compreensão quando poderia haver conflitos. A verdade é que, no fundo, vivemos criando problemas para as nossas soluções…

PS: a imagem que aparece neste texto é a capa do disco Division Bell, do Pink Floyd. O álbum trata da falta de comunicação entre as pessoas.

Ao som de Tarja Turunen - Walking in the air.

3:15 | Reflexão | 4 comentários


2/4/2008

Um capítulo por dia

Por Emerson Alecrim

Quem visita esse blog regularmente sabe que eu tenho um vício: livros. Comecei a ler minhas primeiras palavras cedo, aos 5 anos, e achei tão fascinante conseguir identificar aqueles símbolos até então estranhos que, talvez, esse tenha sido o motivo do meu vício. Mas, ao contrário do que acontecia na minha infância e na minha adolescência, hoje tenho cada vez menos tempo para ler. E, como você deve saber, um indivíduo pode ficar louco se não conseguir sustentar o seu vício. Ou o mantém ou o elimina de vez, não há meio termo…

Livros

No meu caso, o vício da leitura é saudável, portanto, decidi optar pela primeira opção. Mas como há o entrave da falta de tempo, tomei uma decisão radical e que, até agora, tem dado certo: ler um capítulo de um livro por dia. Parece simples e besta, eu sei, mas é uma solução que funciona porque faz com que eu leia uma parte do livro todos os dias, ao mesmo tempo em que me força a não dedicar muito tempo à leitura.

É claro que é necessário ter disciplina. Da mesma forma que escovo dentes e tomo banho todos os dias, independente do quão atarefado eu esteja, botei na minha cabeça que preciso ler um capítulo de um livro por dia e pronto! Se o capítulo for muito curto, posso abrir uma exceção e ler dois. Se for muito longo, posso ler a metade, ou uma quantidade de páginas que eu considere razoável.

O interessante é que, fazendo isso, eu não deixei de cumprir nenhuma das minhas tarefas. O problema é que, muitas vezes, a leitura está tão boa, mas tão boa, que não dá vontade de parar de ler, por mais que os olhos estejam cansados. Daí a imposição de se limitar a um único capítulo (ou, excepcionalmente, a dois): você acaba se obrigando a parar de ler e, com isso, não deixa o tempo passar sem se dar conta.

Se eu conseguir manter esse esquema, provavelmente fecharei o mês de abril com dois livros lidos. Atualmente, estou lendo A Bússola de Ouro, de Philip Pullman. Ao contrário do filme, o livro é muito bom. Algumas vezes dá mesmo vontade de ler mais um capítulo, mas estou conseguindo me controlar, pelo menos até agora. Nada como ser um viciado moderado :)

Emerson Alecrim

23:29 | Cotidiano | 3 comentários


26/3/2008

Extração de dentes do siso: não foi tão ruim assim!

Por Emerson Alecrim

Eu havia comentado com dois amigos meus (Wilerson e Alini) sobre o quanto estava preocupado com as extrações dos dentes do siso (terceiro molares) que eu teria que fazer. Comecei a esquentar a cabeça quando levei minha radiografia panorâmica à minha dentista. Ela disse que meus sisos inferiores tinham remoção bastante complicada por estarem inclusos (ou seja, não saíram para fora da gengiva) e por estarem na horizontal, isto é, “deitados”. Por causa disso, ela me encaminhou a uma especialista no assunto.

Com o antro de informações que é a internet, naturalmente, comecei a pesquisar no Google sobre extração de dentes. Mas só o fiz depois de encontrar alguns relatos assustadores em comunidades do Orkut. A maioria das pessoas descreveu fortes dores dias após a extração, problemas com inchaço do rosto e alguns outros incômodos, como parestesia e dificuldade de abrir a boca. Sem contar a descrição que muitos fizeram do momento em que ficaram na cadeira do dentista. Parecia mais com contos de terror!

Sem sofrimento na cadeira do dentistaBom, pelo Google, eu soube mais ou menos como seria essa extração e de quais seriam os riscos. De fato, os terceiros molares inferiores costumam ter remoção mais difícil e podem causar mais transtornos durante o período de recuperação. Além disso, é na extração desses dentes que pode ocorrer a tão temível parestesia, que nada mais é do que uma falta de sensibilidade que atinge parte do rosto, da língua e dos lábios no lado onde o dente foi retirado. Isso pode acontecer porque o dente fica muito próximo do nervo responsável por essa sensibilidade. Um simples toque de um instrumento cirúrgico ou a pressão causada por um edema que se forma na região, pode fazer com esse nervo sofra danos, causando a parestesia. Mas, quando isso ocorre, há apenas a falta de sensibilidade, já que a movimentação do rosto não é afetada. Além disso, a parestesia é temporária. A recuperação pode levar alguns dias ou até meses, tudo depende do grau da lesão e do organismo da pessoa. A parestesia só passa a ser permanente se o nervo for rompido, mas isso muito raramente ocorre, a não ser que o cirurgião seja ruim.

Bom, não me restou outra solução a não ser procurar a tal especialista no assunto, já que tentar obter informações na internet estava me deixando mais confuso. Foi a melhor coisa que fiz. No dia, ela me disse o porquê do meu caso ser complicado, explicou como seriam as extrações, esclareceu todas as minhas dúvidas e me deu todas as orientações pré-cirúrgicas. Então, ontem, 25 de março de 2008, fui à clínica fazer as extrações…

Para começar, a doutora me deu um líquido para higienizar a boca. Depois de eu cuspir o líquido, ela passou uma pomada no local onde a gengiva seria cortada. Em seguida, começou a aplicar a anestesia. Essa foi uma parte chata. A doutora aplicou anestesia em três pontos da boca e, confesso, foi bastante dolorido, mas essa dor durou apenas alguns segundos, portanto, não foi nada insuportável. Depois disso, ela começou a fazer alguns testes, me perguntado se eu sentia dor em determinada região. Após constatar que eu estava devidamente anestesiado, ela começou o procedimento, não sem antes me orientar a avisá-la caso sentisse alguma dor ou incômodo maior.

Com uma broca, ela começou a cortar o dente incluso, uma técnica chamada odontosecção. Essa situação pode assustar um pouco, pois começa a sair um pouco de fumaça da boca e um cheiro de queimado, ambos causados pelo atrito da broca com o dente. A doutora dividiu o dente em vários pedaços e, para tirar a raiz, teve também que mexer em parte do osso da mandíbula. Mais fumaça e mais cheiro de queimado. Depois, fazendo esforço, ela tirou os pedaços ainda presos. Essa cena pode parecer bastante assustadora, mas conforme a doutora mesmo me explicou, é melhor dividir o dente em vários pedaços do que causar um trauma ainda maior e mais arriscado à boca.

Depois disso, ela fez uma limpeza no local, tirou um raio-x para se certificar de que não ficou nenhum fragmento de dente ou de osso dentro do espaço deixado pelo dente e fez a sutura, isto é, aplicou os pontos. Em seguida, partiu para o dente superior. Novamente, a aplicação da anestesia incomodou, mas a dor durou apenas alguns poucos segundos. Quando a região estava anestesiada, a doutora prendeu o dente superior com um instrumento, fez um pouco de força e, pronto, lá estava o dente, retirado em torno de 1 minuto!

No momento seguinte, a doutora fez a sutura e a limpeza no local, deu a receita com os medicamentos que eu tenho que tomar, forneceu um documento explicando como devo agir no pós-operatório, explicou o que tenho que fazer em caso de dor ou de sangramento e me deu um número de telefone para o qual eu posso ligar em caso de urgência. Por fim, quando fui para a sala de recepção, uma assistente me deu as primeiras doses dos remédios.

O que posso dizer de tudo isso é que a experiência não foi nada traumatizante. Pelo o que eu pude apurar em relatos que encontrei na internet e no Orkut, a maioria esmagadora das pessoas que tiveram problemas maiores após a extração dos dentes, se encaixa em uma das seguintes situações: 1) fez o procedimento com um profissional despreparado; 2) não seguiu as recomendações do pós-operatório; 3) estava muito nervosa.

É importantíssimo encontrar o profissional certo! Se você perceber que o doutor (ou doutora) que você procurou não lhe forneceu explicações claras, pareceu inseguro ou impaciente em algum momento ou lhe causou qualquer desconfiança, não hesite, procure outro! É por isso que é importante conversar com a pessoa, ter mesmo um bom bate-papo sobre o assunto. É a melhor forma de fazer uma avaliação. Quando encontrar o profissional que lhe parece certo, siga à risca as recomendações que ele te dar, responda com sinceridade a tudo o que ele perguntar, faça os exames solicitados, enfim, ajude ele a te ajudar.

Outra coisa importante: mantenha-se calmo. Se você ficar tenso, sua pressão pode subir, sua suscetibilidade à dor vai ser maior, você pode ter movimentos involuntários ou se mexer demais e, acredite, isso atrapalha o procedimento. Mas aí novamente entra em cena a questão da escolha de um bom profissional. Acima de tudo, ele deve te dar orientações durante todo o procedimento para te deixar mais tranqüilo. Foi assim que a doutora agiu comigo.

Bom, para encerrar a história, digo que eu fui extrair os dentes preparado para uma guerra e voltei de lá dando risada da situação (modo de dizer, afinal, minha boca tinha que estar fechada). Ainda tenho mais um dente superior para extrair e um outro inferior, mas em relação a este último, a doutora está analisando, pois acredita que talvez seja melhor preservá-lo. Ah, um dia depois das extrações, meu rosto inchou pouco, quase não sinto dor e não fiquei com parestesia (é só seguir os cuidados pós-operatório). Escolher o profissional certo, mesmo pagando um pouco mais caro, vale a pena ;)

Ao som de Sirenia - Meridian (esse música me deixa arrepiado!).

15:37 | Cotidiano | 53 comentários


21/3/2008

Era uma vez três moças, uma poça d’água e um caminhão…

Por Emerson Alecrim

Se você sai em um temporal, mesmo que protegido por um guarda-chuva ou por uma capa plástica, é para se molhar. Se a água não vem de cima, vem de baixo. Seco ninguém fica, meu amigo.

Eu já não tenho o hábito de sair de casa com um guarda-chuva. Se o céu está desabando, o máximo que faço é me proteger em algum lugar coberto para esperar sua força diminuir. Foi isso que eu fiz no último sábado. Fiquei debaixo de um toldo de um bar por uns 20 minutos. Em frente, no outro lado da rua, três moças faziam o mesmo, com a diferença de que elas estavam se protegendo dentro de uma loja.

Murphy, que sempre lembra de mim nessas horas, me ajudou a escolher o lado errado, o que me deixou muito p***, é claro. Para começar, o bar estava cheio e o toldo não protegia muito bem. Além disso, eu estava dividindo espaço com um bando de marmanjos. Se eu tivesse escolhido a loja para escapar da chuva, ficaria melhor protegido, não estaria em um lugar tão cheio e minha companhia seria aquele trio de belas moças (bom, pelo menos pareciam belas de onde eu estava).

Então eu fiquei lá, olhando pra frente com uma cara de criança que comeu e não gostou. Enquanto isso, um cheiro de gordura misturado com pinga barata impregnava o bar. Do outro lado da rua, as meninas estavam belas e tranqüilas, conversando calmamente. Eu já estava reclamando (de novo) sobre o quanto a vida é injusta e tal, quando, de repente, ele apareceu! Veio furioso, impiedoso, imponente, determinado, barulhento, veloz, invencível e… Eu já disse impiedoso?

Gato molhadoSim, já que, depois que ele passou, as meninas pareciam gatos molhados gatas molhadas. Os cabelos, até então bem penteados, estavam tão molhados que grudavam em seus rostos. Da maquiagem bem feita, aparentemente só sobrou o batom. As roupas pingavam tanto que pareciam recém-tiradas de uma máquina de lavar. As bocas abertas e falantes demonstravam espanto e indignação. Enquanto isso, dois ou três funcionários tentavam, com rodos e vassouras, empurrar para fora a água que entrara de maneira tão brusca loja adentro. Será que foi aquela imensa poça d’água em frente ao estabelecimento que fez tanta gente preferir o bar para se proteger?

Mas, sabe, uma vez eu passei por isso. Apesar de todos os transtornos, de todos os xingamentos que fiz à mãe do caminhoneiro, a ocasião me fez pensar em questões importantes sobre a chuva, a vida e o universo. Por exemplo: por que inventaram poças de água que mais se parecem rios? Por que fazem caminhões tão pesados e com tantas rodas? Por que a água das poças é tão gelada? Por que os motoristas das carretas não passam devagar por elas?

Sei lá se aquelas belas e ensopadas moças aproveitaram a oportunidade para refletir sobre essas questões, só sei que, pelo menos para mim, nunca um bar cheio de marmanjos e cheirando à gordura pareceu um ambiente tão agradável! Ah, talvez seja por isso que Murphy tenha intensificado os seus ataques contra mim ultimamente, mas naquele dia, eu pude dizer a ele, em alto e bom som: FAIL!

Ao som de Draconian - Bloodflower.

1:57 | Cotidiano | 3 comentários


9/3/2008

Quem disse que São Paulo não pára?

Por Emerson Alecrim

Quando comecei a trabalhar na empresa em que estou atualmente, saia de casa às 5h50 da manhã e, não raramente, chegava cedo por lá. Já tenho pouco mais de dois anos de casa e, nesse meio tempo, tive que mudar meu horário de saída para 5h40, depois para 5h30, em seguida para 5h20 e, agora, saio de casa às 5h15. Confesso que já estou pensando em sair às 5h10…

O que está fazendo com que eu tenha que sair cada vez mais cedo de casa para ir ao trabalho (ou para qualquer outro compromisso) é um dos maiores problemas que os paulistanos enfrentam: trânsito congestionado. Quem sai às ruas todos os dias não consegue deixar de reparar que a situação piora em um ritmo acelerado. Eu, por exemplo, estou levando quase uma hora para fazer trechos que tomavam apenas 25 minutos do meu tempo.

O transporte público, lamentavelmente, não consegue aliviar o problema. Ônibus vivem abarrotados de gente, tanto é que às vezes penso que esses veículos já saem lotados da garagem! Com os trens da CPTM e do Metrô a situação não é muito diferente. O sistema todo chega a funcionar em 100% da sua capacidade nas horas de pico. Qualquer coisinha, por exemplo, um indivíduo que ficou preso na porta, é capaz de atrasar toda a circulação, fazendo com que mais gente se aglomere nas plataformas das estações, causando mais atrasos e tal. É um círculo vicioso!

Foto meramente (auto)provocativa
Foto meramente (auto)provocativa

O trânsito caótico não causa apenas atrasos. São tantos veículos próximos uns dos outros que é impossível não haver acidentes, fechar outros carros, ser fechado, dar freadas bruscas e até brigar por motivos banais, afinal, os nervos estão à flor da pele. E ainda tem a questão do desperdício de combustível, da concentração de poluentes, da ambulância atrás com as sirenes berrando e você sem conseguir movimentar o seu carro, do infeliz que se aproveita da situação para cometer furtos, etc, etc, etc…

O pior é saber que esse é um problema sem solução e que, na melhor das possibilidades, apenas continuará do jeito que está. Mas melhorar, ah, isso não vai acontecer nunca! O governo pode construir mais avenidas, pode duplicar vias já existentes, pode aumentar a malha ferroviária e metroviária, pode colocar mais ônibus nas ruas, pode fazer o que for, mas tudo não passará de medidas paliativas. São Paulo está abarrotada de gente e isso, por si só, é suficiente para termos todos esses transtornos.

Mesmo inconformado, o paulistano se vira como pode. Uns apelam para motos. Outros optam por trabalhar a noite. Os que podem usam helicópteros. Há quem torça para esse negócio de teletransporte virar realidade. Ao restante, cabem as opções de sair cada vez mais cedo de casa, de sair no horário e correr o risco de chegar atrasado ou, se preferir, de “chegar cedo para amanhã”…

Como complemento, eis uma reportagem sobre o assunto publicada pela revista IstoÉ.

Ao som de Nevermore - In memory.

11:03 | Cotidiano | 4 comentários


« página anterior    próxima página »


agosto 2008
S T Q Q S S D
« jul    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

publicidade

categorias

arquivos

Baixe Firefox 2

BlogBlogs

InfoWester

rss do blog

comentários recentes:

eu leio

também estou

destaques

citações

Se fosse necessário estudar todas as leis, não teríamos tempo para as transgredir.
Johann Goethe


Blog de Emerson Alecrim | Layout por Erika Sarti | Powered by WordPress WordPress | Política de privacidade | No ar desde novembro de 2005