Emerson Alecrim

O ponto de vista de um alecrim que não é dourado

Fazendo a lei ser cumprida

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Ah, a eminente sensação de estar sendo enganado. Das coisas que despertam a minha ira, essa é uma das que a fazem mais rapidamente. Ontem eu tive certeza disso.

Compareci ao guichê da empresa de ônibus Andorinha, no terminal Barra Funda, em São Paulo, para devolver duas passagens de um casal de amigos que havia cancelado sua viagem. A atendente me disse que, na devolução, é necessário reter 7% do valor de cada bilhete. Foi exatamente neste ponto que o alarme que avisa que estou sendo enganado tocou. E tocou alto!

De fato, a lei – neste caso, determinada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) – permite que a empresa de ônibus retenha um valor nas devoluções de passagens, mas essa quantia não pode ser superior a 5%! E o detalhe mais importante: no verso do bilhete está escrito justamente isso, veja:

Aviso no bilhete da Andorinha

Ao questionar sobre a divergência, outro atendente apareceu e me informou que os 7% fazem parte de uma nova lei da ANTT. Ah, certo! Mas por que a passagem continua exibindo 5%? “Porque o bilhete é de impressão antiga”. Sei. Pedi para ele me mostrar onde a ANTT determina valor máximo de 7%. Ele até procurou, mas não achou nada.

Diante da negativa da companhia de me descontar 5% e não 7%, fui ao posto de atendimento da ANTT, no terminal da Barra Funda mesmo. A atendente foi clara: 5%. Se insistirem com 7%, volte aqui e eu mando um fiscal na hora ver o problema.

Segui a orientação. Informei que se não descontassem 5% eu chamaria o fiscal da ANTT. Prontamente o problema foi resolvido. Prontamente. Mas a história não terminou aí: depois do ocorrido, liguei para o atendimento da Andorinha para me queixar desse transtorno e sabe qual resposta que eu tive? Que a ANTT determina 5%, mas a empresa pode trabalhar com o valor que quiser. MEN-TI-RA! Liguei na ANTT para confirmar: todas as empresas devem cumprir o limite de 5%. TODAS!

Eu consegui fazer a lei ser cumprida. Você pode até me dizer que fiz tempestade em copo d’água, afinal, a diferença de 5% para 7% é tão pequena… No entanto, o truque está justamente nos valores insignificantes. Ora, se uma empresa descontasse, por exemplo, 25%, todo mundo reclamaria. Agora, cobrando apenas 2% a mais, todo mundo tende a colocar em prática o velho “deixa pra lá”. E um monte de “deixa pra lá” é muita coisa!

Se você também é do tipo que não gosta de ser feito de idiota, os seguintes links são leituras obrigatórias. Eles contêm cartilhas que a ANTT e a ANAC (para a aviação) disponibilizam para orientar os passageiros:

Ao som de Iced Earth – The path I choose.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

21/12/2010 - 14:07

Postado em Cotidiano

A fila da velhice

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Eu estava com uns 15 itens na minha cesta, portanto, não podia pegar a fila do caixa rápido, para até 10 volumes. Então, entrei na fila que me pareceu mais vazia. Na minha frente, duas pessoas com o carrinho cheio. Instantes depois, um senhor de idade apareceu atrás de mim, com um carrinho na mesma condição.

Fiquei na minha, torcendo para que o pessoal da frente fosse rápido. Então, comecei a ouvir burburinhos do tipo “ah, mas jovem tem que deixar passar”, “tem que passar na frente sem pedir licença”, coisa e tal. Claro que o recado era pra mim! De fato, eu podia ter deixado aquele senhor passar na minha frente, mas quando vi que os comentários vinham daquelas mulheres barraqueiras, do tipo que passa o dia falando mal dos outros enquanto o marido trabalha, tratei de ficar onde estava.

Com esse tipo de pessoa não vale a pena discutir. Mesmo que o seu argumento seja o mais consistente possível, elas rebatem de maneira violenta, com berros, como cachorros latindo, dando impressão aos que estão ao redor de que elas, pelo tom de indignação, estão sofrendo uma grande injustiça.

O fato é que a minha compra ia ser rápida. Como eu disse, eram apenas 15 itens, contra um carrinho cheio daquele senhor, que certamente não gastaria menos do que 15 minutos para passar tudo. Além disso, se eu cedesse, acredito que as mulheres barraqueiras iriam se achar no direito de passar na minha frente também, afinal, elas estavam com crianças, embora estas não fossem pequenas. Sem contar que poderia surgir outro idoso atrás de mim e eu ficaria o dia inteiro naquele supermercado.

Olhei então para a fila preferencial. Havia duas, na verdade, mas ambas lotadas de idosos, gestantes, pessoas com deficiência e mulheres com criança de colo. Aí eu percebi que aquele senhor fizera uma boa escolha ao ter ido para a fila em que eu estava.

Quando chegou a minha vez, de fato, foi tudo bem rápido. Acredito que aqueles três minutos ali não fariam diferença àquele senhor. Quanto às barraqueiras, ainda murmuravam alguma coisa a respeito, mas não tinham coragem de se dirigir direto a mim e desviavam prontamente o olhar quando eu as encarava – de fato, dizem que quando fico bravo, minha típica expressão de idiota ganha feições de poucos amigos.

Mas essa situação toda me fez pensar em uma coisa óbvia, mas intrigante. A população está mesmo envelhecendo. Nossas gerações anteriores tiveram muitos filhos. Meu pai, por exemplo, teve 13 irmãos (isso mesmo!) e, minha mãe, 6. E conheço várias outras famílias em situação semelhante. Aquelas pessoas que estavam no auge da sua juventude nas décadas de 1960 e 1970 já começam a dar os primeiros passos rumo à terceira idade. E essas gerações colocaram muitos filhos no mundo, que daqui a 30 ou 40 anos seguirão, inevitavelmente, o mesmo caminho.

O que eu quero dizer com isso é que o mundo precisa se adaptar. Não estou dizendo que os jovens ficarão em número bastante inferior, estou dizendo que o número de idosos será maior, e isso sem contar o fato de que as pessoas estão vivendo por mais tempo.

Alguns problemas são fáceis de resolver: aumentar a quantidade de filas preferenciais nos supermercados e os assentos especiais nos transportes públicos, por exemplo. Outros, no entanto, exigirão muito mais esforços: o sistema de saúde, que precisará de estrutura e mais gente preparada para atender essa população; a previdência social (aqui o bicho pega); e o mercado de trabalho, que necessitará eliminar de vez sua aversão às pessoas de mais idade.

Ninguém quer ficar velho, mas o fato é todos chegarão a essa fase da vida – exceto quem morrer antes – e, portanto, o mundo precisa de uma vez por todas aceitar isso, do contrário, não será possível oferecer condições para que a velhice seja uma fase proveitosa da vida e não sinônimo de “agora é esperar para morrer”.

Lembro de uma vez ter visto uma foto da minha avó com 10 anos e ter comentado: “vó, eu sei que é lógico, mas a senhora é minha avó desde que eu nasci, não consigo imaginá-la criança”. Escutei uma longa risada em seguida, afinal, ela sabe o que é ser criança, sabe o que é ser jovem e achar que nunca envelhecerá, sabe o que é estar na meia idade e, agora, sabe o que é ser idosa. Ela sabe que a vida é assim para todo mundo.

Santina Moreira Alecrim
Minha avó, Santina Moreira Alecrim, com 10 anos

Ao som de Dream Theater – Finally Free.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

17/12/2010 - 23:42

Postado em Reflexão

Minha visita à Ciudad del Este, Puerto Iguazú e Cataratas do Iguaçu

Um comentário

Tudo começou quando aceitei o convite do meu primo e de sua namorada para passar um final de semana com eles em Cascavel, Paraná. Por motivos óbvios, até pensei em levar uma vela, mas felizmente não foi necessário. Cheguei no dia 13/11/2010, sábado. Descansei um pouco, depois almoçamos e, de noite, fomos para a Expovel, uma exposição bacana, com várias atrações. Chegamos em casa às 3h00 da manhã, mas nem dormimos, pois às 04h45 pegamos o ônibus para Foz do Iguaçu. Chegamos lá em torno das 07h00 e, na própria rodoviária, pegamos um ônibus comum que ia direto para o Paraguai. Tínhamos que conhecer um dos centros comerciais mais conhecidos dos brasileiros, ué! A lotação do veículo já indicava que iríamos encontrar o local abarrotado de gente, mesmo naquela hora da manhã. Dito e feito. Ciudad Del Este Rua com camelôs no Paraguai Ciudad Del Este Shopping no Paraguai, bem perto da fronteira com o Brasil Andamos por mais ou menos três horas na Ciudad Del Este, tempo que me permitiu chegar às seguintes conclusões: o local, pelo menos nesta época, é excelente para comprar notebooks, câmeras digitais, tecidos e até perfumes. Mas encontrei muitos produtos de menor valor falsificados, como cartões de memória, pendrives, baterias, telefones celulares e relógios, muitas vezes com os vendedores tentando passá-los como produtos originais. De qualquer forma, uma coisa ficou muito clara: quem sabe negociar faz excelentes compras no Paraguai. Na volta, decidimos atravessar a Ponte da Amizade a pé. Quando chegamos no lado brasileiro, vimos um pequeno ônibus estacionado com destino à Puerto Iguazú, na Argentina. Não pensamos duas vezes: vamos pegá-los e procurar um lugar para almoçar por lá! Pagamos 3,20 reais e o ônibus saiu 5 minutos depois, só com a gente, situação que nos preocupou um pouco no início. Mas logo outros turistas entraram e passamos então a curtir a viagem. Quando chegamos na divisa com a Argentina, tivemos que descer e nos registrar junto às autoridades locais (aceitam somente RG ou passaporte). O procedimento foi rápido. Poucos minutos depois, já estávamos de volta para seguir viagem. Quando finalmente chegamos em Puerto Iguazú, começamos a procurar algum lugar bacana para almoçar. A namorada do meu primo conhecia um pouco da região, mas mesmo assim tivemos que pedir informações. Devo frisar: os argentinos foram bastante simpáticos com a gente. Puerto Iguazú Entrada de Puerto Iguazú. Pena que não deu para pegar o nome inteiro Achamos um lugar legal, que vendia um prato que visualmente lembra uma pizza, mas que possui uma massa mais grossa e muito mais saborosa. Simplesmente uma delícia! Meus olhos também brilharam quando vi na geladeira do estabelecimento uma Heineken de quase 1 litro. Só não passei vontade porque Cascavel está bem servido de Heineken: Heineken Fachada de um bar em Cascavel :D Percebemos que o rapaz que nos atendeu, apesar de falar um “portunhol” muito mais puxado para o espanhol, nos entendia perfeitamente bem. Na hora de ir embora, ele nos informou que era do Piuaí! Quando jovem, ele havia ido trabalhar na Avenida Paulista, em São Paulo, depois se transferiu para um hotel que posteriormente abriu uma unidade em Buenos Aires. De lá, chegou em Puerto Iguazú e não mais saiu: formou família, abriu o restaurante e vive feliz por lá. Bacana, né? Chegamos com facilidade à rodoviária (Terminal de Omnibus Puerto Iguazú), mas não sabíamos que ônibus pegar. Pedimos informações num guichê e, em seguida, a um casal sentado em um banco da plataforma. Eles nos informaram prontamente qual era o ônibus – depois descobrimos que era o mesmo que eles iriam tomar. O que nos surpreendeu na hora é que eles eram italianos, mas falaram com a segurança de quem mora no lugar :) Quando o ônibus finalmente chegou, outra surpresa: os turistas brasileiros que encontramos na ida estavam nele também. Essa parte foi bem divertida! Seguimos no veículos até chegarmos em frente ao Terminal de Transportes Urbanos de Foz, que tinha um ônibus que nos levaria, finalmente, ao Parque Nacional do Iguaçu. Ônibus para Foz do Iguaçu Esse mesmo pessoal estava no ônibus da ida também Chegamos no parque em torno das 14h00. Na hora, deu um desânimo quando vimos a quantidade de pessoas para entrar: havia uma fila enorme para comprar ingressos, uma segunda fila três vezes maior para entrar e, como se não bastasse, um terceira fila para pegar o ônibus que nos deixaria perto das cataratas. Pegamos o veículo em torno das 15h30. Por sorte, conseguimos entrar em um ônibus de dois andares, cujo andar superior é aberto. Apesar do sol, queríamos contato com a natureza desde já, então ficamos na torcida para não pegar um ônibus normal, com ar condicionado. No Parque Nacional do Iguaçu, o visitante pode escolher vários roteiros. Optamos pelo o que me pareceu depois o mais popular: a Trilha das Cataratas, com extensão de aproximadamente 1,2 quilômetro. Eu recomendo fortemente este trajeto: além das paisagens, você vai “descobrindo” as cataratas as poucos. Até encontramos um quati no caminho: Quati no Parque Nacional do Iguaçu Olha o páss… Digo, olha o quati! A parte mais awesome, é claro, foi o momento em que chegamos na passarela que entra no meio daquele mundo de água. Foi o banho mais agradável que eu já tomei na vida! Não só pelo calor, mas porque estar ali parece mesmo um lance mágico! Ou algo assim. Cataratas do Iguaçu Parque Nacional do Iguaçu O passeio ainda não estava terminado: havia uma parte mais alta, bem mais próxima às quedas d’água, que não poderíamos deixar de visitar. Podíamos ir de elevador ou retomar a trilha. Apesar do cansaço, preferimos este último e não nos arrependemos: encontramos até uma bica de água limpa para reabastecer nossas garrafas. Durante todo o passeio, várias pessoas pediam para tirar fotos delas com seus companheiros. Na passarela, cheguei a me oferecer para fazer isso com um casal de japoneses que, por causa do vento e da água, não conseguiam tirar uma foto juntos. Aceitaram na hora, todos sorrisos. “Thank you, thank you, thank you”. Também encontrei um senhor com sotaque nordestino: “ô mininu, tire uma fotografia minha, vá!”. Fazia tempo que eu não via uma máquina fotográfica de filme, mas fiz questão de caprichar, afinal, parecia muito importante para aquele senhor registrar o momento. Parque Nacional do Iguaçu Passarela nas Cataratas do Iguaçu Na hora de ir embora, mais uma fila gigantesca para pegar o ônibus. Sorte que andava rápido. Não por menos, foi o dia em que o parque mais recebeu visitantes: 14.236 pessoas. Saímos de lá às 18h00. Seguimos até a rodoviária de Foz, fizemos um lanche e às 20h30 seguimos para Cascavel. Chegamos em casa em tornos das 23h00. Foi o tempo de tomar um banho e capotar na cama. Não sei quando, mas vou visitar as Cataratas do Iguaçu novamente. Mesmo não podendo homenagear o Pica-Pau descendo as cataratas num barril, VALE MUITO A PENA! Há inclusive um roteiro lá que inclui safari e outro que oferece passeio de canoa. Só espero que não seja requisito saber nadar :D Eis o restante das fotos: www.flickr.com/photos/ealecrim/sets/72157625414402440.

Escrivinhado por Emerson Alecrim

25/11/2010 - 23:21