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6/12/2005

Procura-se um herói

Por Emerson Alecrim

Emissoras de TV lucram explorando dramas de pessoas humildes. Jornais precisam noticiar tragédias para vender. Somado ao que vemos todos os dias nas ruas, parece que tendemos a nos adaptar a isso tal como se essas situações fizessem parte de nosso ambiente. Frieza e acima de tudo medo, fazem com que direcionemos nosso estilo de vida a práticas egoístas. É incrível notar que quando alguém cai na rua, praticamente todo mundo olha para a pessoa, mas poucos, realmente poucos, vão até lá para ajudá-la. De igual forma, surpreende ver que há pessoas que teimam em ceder seu lugar no ônibus a idosos ou a qualquer pessoa com dificuldade de seguir viagem em pé. Em contraste, devo reconhecer que em todos esses casos, sempre há exceções. Sempre aparece alguém do nada que parece que surgiu ali justamente para intervir naquele momento. Sempre tem alguém que parece ter sido treinado pela vida para lidar com certas situações. Mas o que fazer quando, contrariando a tese do “sempre”, esse herói não aparece? Tornar-se um? Talvez, mas como? Ontem lia uma revista enquanto aguardava o ônibus. Veio um rapaz que deveria ter a minha idade pedir esmolas. Estava um pouco sujo, abatido, tinha barba por fazer e logo o associei à imagem de um drogado ou de algum vagabundo. Disse que só tinha o dinheiro da condução. Ele agradeceu, desanimado. Minutos depois entrei no ônibus, sentei e ao olhar pela janela, o vi consolando uma menina que chorava. Ela usava um vestido bem simples e sandálias. Não tinha brincos, anéis ou qualquer adorno típico de meninas. Mas tinha algo que por determinação da natureza era uma das maiores expressões da feminilidade: estava grávida. Jovens, pobres, inexperientes e com um filho. Quem vai ser o herói deles? O ele que faria? Agiria como boa parte da sociedade, culpando-os e dizendo “bem feito”? Tentaria achar os verdadeiros culpados? Ajudaria-os a dar um fim na criança? Mostraria o drama deles na TV? Daria um emprego de doméstica a ela e um trabalho de auxiliar de pedreiro a ele? O ônibus foi embora e nem eu e nem ninguém do ônibus viu o herói deles surgir. Curioso que, pelos olhares, parecia que todo mundo se perguntava sobre quem iria ajudá-los, ou seja, quem seria o herói. No entanto, algo me diz que esse herói partiu conosco no ônibus, olhando e se perguntando.

Ao som de Angra - Make Believe.

8:46 | Reflexão |


2 comentários »

  1. Mas Wes, quer dizer… Emerson… como vou te chamar de Emerson depois de tanto tempo te chamando de “Wes”? haha! Sério, interessa-me muito: por que ocorreu essa mudança?

    Outra coisa: EU AMO O METRO! nossa, adoraria fazer oq vc fez… tá q metro na hora do rush é um desgraaaaaça, mas a maravilha q nos causa talvez seja do tipo “poxa… funciona bem e é no brasil!”

    Bom… pelo menos alecrim é “fresh”…

    paz.

    Comentário por Pavel (denise) — 6/12/2005 @ 9:49

  2. O grande problema disso tudo é que nem sempre quem vem pedir tem boas intenções, ou seja, chega para pedir e assalta, usa de violencia… etc, etc, etc… Não dá pra ser herói. E é impossível, até os dias de hoje, ler mentes.

    Comentário por Prig — 6/12/2005 @ 14:17

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