Eu lembro que, quando era moleque, sempre achava graça da “torcida gritando” quando a energia elétrica acabava e voltava. Para falar a verdade, até hoje acho isso engraçado. Basta a energia acabar e eu ouvir aquele coro de gente gritando “aeeeeee” para eu cair na risada. Quando a energia volta, lá vem mais um “aeeeeee” e, se ela acabar novamente instantes depois, vem aquele “ahhhhhhhh”.
O curioso é que esses gritos são automáticos. É incrível, todo mundo faz isso ao mesmo tempo. E a diversão não pára por aí. Logo depois do “aeeeeee” vem os palavrões de quem estava assistindo o jogo, o berro da criança reclamando da água que, de repente, ficou gelada no chuveiro, uma dúzia de gente perguntando se alguém já ligou para a Eletropaulo (fornecedora de energia de São Paulo), e claro, o barulho daquela correria de pessoas procurando velas.
Minutos depois, algumas pessoas saem às ruas, especialmente os homens. As perguntas são sempre as mesmas: será que algum carro derrubou um poste? Alguém já avisou a Eletropaulo? Será que volta antes do jogo terminar? Daí os minutos passam, e as pessoas começam a se entediar. Alguns vão jogar baralho, outros colam o radinho de pilha no ouvido, a molecada decide brincar de “esconde-esconde” porque é mais emocionante nessas situações e os mais impacientes perguntam se alguém já ligou para a Eletropaulo.
O tempo não dá descanso para os minutos e então eles passam. O tédio aumenta. Uns decidem se deitar, até porque a escuridão estimula o sono. Outros ficam quietos, pensativos, e o silêncio só é quebrado pelo barulho dos carros, pelas pessoas que descem do ônibus e se surpreendem ao ver a rua tomada pela escuridão, e pelos irritadinhos que perguntam se alguém já ligou para a Eletropaulo.
Daí, quando a maioria já está dormindo e a minoria está sonolenta, a energia volta. Todo mundo levanta e grita um uníssono “aeeeeeeeeeee”. Os olhos, já acostumados com a escuridão, doem um pouquinho por causa da luz, mas logo passa. Há aquela correria para apagar as velas e para ligar a televisão, alguns perguntam se alguém já ligou para a Eletropaulo e então a vida volta a ser como era, como se nada tivesse acontecido.
Acho que é dessa quebra de rotina que eu acho graça. São coisas que só acontecem quando a luz acaba
Ao som de Dominia – The Darkness of Bright Life.

Só neste post, 6 já perguntaram se alguém ligou para a Eletropaulo.
E você esqueceu de falar do pessoal que liga interruptores aleatórios para saber quando a luz volta.
Wilerson
5/8/2007 - 13:12
Legal! Quando falta energia eu gosto de pegar o violão e ficar tocando alguma coisa que eu lembre…
Viva o blackout! Aeeeeeee!
Bardo
5/8/2007 - 14:12
Aqui quando acaba a luz, geralmente eu grito “p..a que p…u!!” pois meu computador é quem sofre com as idas e vindas de energia (preciso de um no break).
Da última vez, eu joguei Phoenix Wright à luz de velas, hahaha
Claudio Freitas
5/8/2007 - 16:42
Engraçado que, a besteira é tanta que só lendo o post e lembrando da cena, acontece d’eu rir.
Essa semana a energia acabou por aqui durante a noite e foi justamente desta forma que aconteceu.
Queda de energia é quase um eclipse lunar. Gente na rua esperando pra ver sem conseguir ver. Uma beleza.
Katia
7/8/2007 - 21:26
Eu também concordo que não adianta xingar os acontecimentos, temos que rir com eles, afinal faz bem quebrar a rotina, agora, citando o Bardo que escreveu “Quando falta energia eu gosto de pegar o violão…” … meu piano é elétrico ¬¬
Alini
8/8/2007 - 13:56