Telemarketing ineficiente
Por Emerson AlecrimTem horas em que me sinto vigiado, monitorado até mesmo nas minhas mais fúteis atividades. Parece que tem sempre alguém seguindo os meus passos para, no momento oportuno, me oferecer algo que se encaixe perfeitamente naquela situação. Felizmente, esses “olhadores” são meio ceguinhos…
Nas eleições de 2006, recebi uma correspondência de mala-direta do ex-ministro da educação Paulo Renato de Souza. Pedindo votos, é claro. Até aí nada de anormal, pois um monte de políticos faz isso, mas note um pequeno detalhe: tenho forte ligação com os meios acadêmicos e ele foi ministro da educação, então eu seria um eleitor em potencial. Pergunto: quem é que cruzou essas informações? Quem deu meu endereço aos assessores de marketing do Paulo Renato de Souza, sendo que não tenho sequer uma filiação partidária?
Nunca tive conta bancária no Itaú, aliás, nem lembro da última vez em que entrei numa agência desse banco. Agora, pergunto: como eles conseguiram meus dados para me enviar uma proposta de cartão de crédito na semana passada?
Outro dia me ligaram no celular. A voz do outro lado sabia meu nome completo e me ofereceu uma assinatura de uma revista de informática que acrescentaria “feedback” à minha profissão. Não pensei duas vezes antes de perguntar como tinham meus dados e como sabiam até minha área profissional, mas a pessoa com a qual eu falava não soube me explicar.
Bom, eu sei como conseguiram minhas informações. Elas foram cedidas ou vendidas. No caso da carta do ex-ministro, é possível que os dados tenham sido fornecidos pela universidade em que estudei. Nos demais casos, as informações provavelmente foram dadas por estabelecimentos onde sou cadastrado. E isso tudo aconteceu porque tomo o maior cuidado com essas coisas. Fico imaginando a quantidade de lixo ou ligações que as pessoas menos cuidadosas recebem.
No meu caso, ao menos não obtiveram informações suficientes. Eu tenho um ódio crescente dos políticos brasileiros, portanto, ao receber a correspondência do ex-ministro, simplesmente decidi que nele não votaria. Uma semana antes de receber a proposta do Itaú, solicitei um cartão de crédito internacional no Banco Real, onde tenho conta. O Itaú deveria saber que cartão nacional não me serve mais, assim como um limite de 400 reais também não. A revista que me ofereceram por telefone é a Info Exame, uma publicação totalmente irrelevante às minhas atividades profissionais.
Ao pessoal de telemarketing que esteve envolvido nessas situações, sinto muito (orgulho) por frustrá-los.
Ao som de Solaris – Ameno.
19:57 | Cotidiano | 4 comentários
Depois de receber até mensagem do Lula, não duvido de mais nada.
Esses préstimos já não me incomodam tanto. Até um tempo atrás ainda tirava uma com a cara deles, mas hoje só procuro ser direta e até grosseira, pois há quem é pago por isso, infelizmente, logo, não tomo tempo, pois para eles é dinheiro.
É irritante, sem dúvida, mas inexorável também. Não só por telefone, mas uma série de outros canais. Agora vai explicar para eles que não surte efeito… Na gente, claro, pois se é traçado um objetivo, é porque há um público-alvo, embora eu não faça idéia de onde e quem.
Comentário por Katia — 8/1/2007 @ 11:23
Se eles usaram gerúndio, o orgulho fica ainda maior.
Deve ser o cúmulo do azar: receber uma ligação de telemarketing, de um atendente fã do gerúndio, no meio do almoço, quando você está comendo sua comida favorita. Imagina?
Caraca, não quero nem pensar, deu indigestão espiritual, hahaha!
Abraço,
Fred
Comentário por Fred Neumann — 8/1/2007 @ 23:13
Geralmente só a Vivo me liga pra me oferecer um serviço pelo qual abri um processo interno na empresa. Me ofereceram o plano pós pago dizendo que eu poderia voltar a ter meu número pré pago um ano depois sem pagar nada, tremenda mentira, pois pra fazer isso eles trocam seu número. Triste isso… O pior de tudo é que o coitado do tele-marketing nada tem a ver.
É, to mudando pro blogspot, mas vai ser com o tempo ^^. Se quiser usar o RSS de lá fique tranquilo.
Beijão
Comentário por Aline — 9/1/2007 @ 19:09
Genial, Emerson. Como sempre.
Teu blogue é dos que eu mais gosto de ler, em um seletíssimo grupo.
Abraço forte.
Comentário por José Marcos — 12/1/2007 @ 1:01