Tropinha de elite
Por Emerson Alecrim
Aqui no meu prédio, só não vejo a criançada cantando “Ciranda Cirandinha”, “Atirei o pau no gato”, “Alecrim Dourado” (¬¬) e outras músicas de roda quando está chovendo. Mantendo a tradição, elas fazem cÃrculos, executam pequenas coreografias e batem palmas, tudo quase que perfeitamente sincronizado.
Hoje, era para ter sido um dia mais ou menos assim. Saà do trabalho, peguei minha combinação de ônibus + Metrô, desci e caminhei até a entrada do meu prédio. Ao passar pelo portão, lá estavam elas, as crianças. Cantavam, como sempre fazem, mas desta vez, a música era diferente. Bem diferente. É verdade que, eventualmente, elas cantam algum “hit”, tal como “Ela dança, eu danço”, algum funk mirabolante e até forró. Mas, eu nunca imaginaria que elas cantariam a seguinte música como se fosse a coisa mais normal do mundo:
“Homem de preto, qual é sua missão?
Entrar na favela e deixar corpo no chão.
Homem de preto, o que é que você faz?
Eu faço coisas que assustam o Satanás!”
Você tem idéia do quão bizarro é ouvir crianças cantando isso como se fosse uma cantiga de roda qualquer? Quando eu era moleque, se ousasse falar ou cantar coisas assim, levava um tapão na boca! Se insistisse, minha mãe pegava um cinto que ela tinha que era mágico: conseguia alcançar minhas pernas onde quer que eu fosse. Hoje, só faltou aquela criançada brincar de polÃcia e ladrão e gritar coisas como “você é um fanfarrão!”, “pede pra sair, pede pra sair!”, “no rosto não pra não estragar o velório!”, enfim…
Ao som de Tihuana - Tropa de Elite Sirenia - In Summerian Haze.
22:02 | Inusitado |

Alecrim, Alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado
\o\ \o/ /o/
Comentário por Wilerson — 12/1/2008 @ 9:36
Ao som de Tihuana - Tropa de Elite uhauhahuauhahuauh
É Emerson, o povo diz que não se engana mais crianças, q eles são mais espertos do que antes… seria a evolução do Darwin ou a regressão da educação paterna?
Comentário por Alini — 14/1/2008 @ 15:54
Com certeza, foi algum irmão mais velho sacana que ensinou um deles, que por sua vez ensinou a patotinha toda.
Abração.
Comentário por José Marcos — 14/1/2008 @ 19:25
Sabe o que é pior? É que eu, bobinha, realmente não consigo imaginar a cena. Também não assisti o filme e também não tenho curiosidade. Parece que eu quero sempre ficar alheia a real…
Se bem que também já vi criança insinuar, dizer cada coisa. Tenho medo. Por isso, onde trabalho, apesar de encher os pacová aquelas cantigas de roda blasé todos os dias, no alto dos meus vinte anos, pensando por esse lado conforta até o dedinho mais inho do pé.
PS: Mudei de blog. Aderi ao WordPress.
Comentário por Katia — 15/1/2008 @ 21:03
Bom, é aquela (já) velha história, os pais saem pra trabalhar e deixam a TV cuidando dos filhos…
Por que é que existe tanto “mano carçudo” à toa por aÃ?
Comentário por MY — 17/1/2008 @ 15:10
Wilerson… ¬¬
Sei lá, Alini. Eu acho que é o fim dos tempos memso
Menos mal se for isso, José Marcos. Hehehe…
Hahaha, sei como é, Katia. Se bem que, no meu caso, há uma particularidade: vide o comentário do Wilerson acima para saber…
MY, “mano carçudo” foi ótima
Comentário por Emerson Alecrim — 24/1/2008 @ 7:10